Cultura

Novo palco para a música erudita

diario da manha

Considerada uma das principais pedagogas do piano brasileiro, a professora Lílian Carneiro Mendonça realiza hoje, 20, um sonho: a inauguração do novo Lílian Centro de Música, às 20h, nesta segunda-feira, 20. O centro de música será um dos maiores do Estado, com ampla estrutura física e instrumental. Mas o que permanece da antiga experiência para a nova é a trajetória:  a metodologia multidisciplinar da pianista tornou-se motivo de pesquisas e estudos nas principais faculdades de música do país.

Alguns dos seus alunos tornaram-se músicos virtuosos aclamados nos palcos do mundo.

Hoje, o pianista Diego Caetano – doutor em piano pela Universidade do Colorado e ex-aluno prodígio de Lilian – realiza recital de inauguração no Auditório Lílian Centro de Música com uma seleção das principais obras compostas para o instrumento.

Diego Caetano é uma espécie de embaixador da música erudita brasileira no exterior. Já abriu as portas para vários pianistas do Brasil, inclusive alunos de Lílian, que se aventuraram em masterclass e recitais.

Suas interpretações atendem às exigências da plateia europeia, americana e asiática. Apresentou-se em grandes palcos, caso do Carneggie Hall, em Nova Iorque.

O músico tem reunido em seu repertório a mais complexa literatura pianística brasileira e a também a mais tradicional – caso dos compositores românticos e contemporâneos.

Diego cursou música na Universidade Federal de Goiás (UFG), fez mestrado e doutorado nos Estados Unidos, lecionou no Colorado e ampliou seu currículo com aulas em universidades espalhadas pelo mundo.

Em uma primeira fase de sua carreira internacional, ele foi professor de Música de Câmara do Asia Pacific Saxophone Academy, mas migrou depois para a tradicional Amarillo College, no Texas.

AUDITÓRIO

O novo centro de música tem funcionado como escola e palco. Há um ano, o pianista David Korevaar, doutor pela Julliard School, realizou um masterclass na unidade. Na última semana o palco do auditório Lílian Centro de Música também recebeu pianistas de destaque no circuito de recitais e orquestras.

“A criança sabe fazer, quem fica limitando são os pais, que temem que seus filhos se frustrem por não conseguirem executarem essa ou aquela peça que julgam complexas demais”

Lílian Carneiro Mendonça, pianista

A expectativa agora é que o centro inaugure em breve a sala Belkiss Spenciere, destinada a sogra da professora de piano.

O novo Lílian carrega dois séculos de tradição em piano. Antes mesmo de Belkiss Spenciere, sua avó, a lendária Nhanhá do Couto, já enfrentava os ermos de Goiás para estabelecer o erudito no sertão goiano.

Foi a partir de Belkiss que Nhanhá se realizou ao ver surgir em Goiás uma tradição de música erudita.

Didática baseada na liberdade 

Assim como a sogra, Belkiss Spenciere, a mais renomada pianista de Goiás e uma das fundadoras da primeira escola de música da Universidade Federal de Goiás (UFG), Lílian Meire Carneiro Mendonça é referência em educação musical, especialmente piano.

Belkiss Spenciere, sogra de Lílian: família fundou a tradição do estudo pianístico no Centro-oeste do Brasil (Foto: Reprodução)

Sua didática é considerada criativa e inventiva, sendo a escola uma das mais tradicionais em todo o país e comparável a outras de destaque como o tradicional Conservatório Souza Lima, de São Paulo, onde Lílian tem cadeira cativa nos julgamentos de concursos.

Parte considerável dos alunos de Lílian venceram competições nacionais realizadas naquela escola de música.

Em outros concursos como o Cora Pavan Caparelli, de Uberlândia, e outros do Sul do país, os estudantes goianos também se destacam.  A professora diz que é o próprio aluno que impõe seus limites. Ela evita convenções ou o foco exagerado na própria idade do estudante.

Nhanhá do Couto: avó de Belkiss foi uma das precursoras da pedagogia musical e pianística em Goiás (Foto: Reprodução)

“A criança sabe fazer, quem fica limitando são os pais, que temem que seus filhos se frustrem por não conseguirem executarem essa ou aquela peça que julgam complexas demais”, diz a musicista. “Em quase 100% dos casos a criança vai e faz e só basta para isso o esforço pessoal dela”, completa a professora.

Lílian elaborou um método que batizou de “Desenvolvimento da Inteligência” e que prepara crianças do curso de musicalização para outras áreas do conhecimento.

Quando saem do Lílian Centro de Música, estão musicalmente preparadas para as melhores faculdades da área, seja no Brasil ou exterior, e muitas vezes focadas e prontas para outras habilidades.

Em tempo: as ações de Lílian em prol da música brasileira e goiana são realizadas sem nenhum apoio institucional público.

Recital
O que: Inauguração do Lílian Centro de Música
Onde: Auditório do Lilian Centro de Música, avenida 88, n. 246, setor Sul
Hora: 20h
Data: 20 de novembro (segunda-feira)
Entrada gratuita (ligar para reservar entrada)
Contato: 3921 1005 (secretaria do Lílian Centro de Música)

                                 Como tudo começou

A música erudita começou na Capital com iniciativas fundamentais. Na década de 1940, com influência da avó Nhanhá do Couto, a pianista Belkiss Carneiro de Mendonça, por exemplo, foi estudar no Rio de Janeiro, de onde voltou com a ideia de montar uma escola de música na nova cidade.

Dito e feito: com a ideia plantada pela avó de construir um conservatório em Goiânia, aqui ela fundou a escola de música, hoje Faculdade de Música da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Na década de 1960, uma das alunas de Belkiss, a adolescente Lílian Meire Silva, aos 13 anos, também iniciava importante contribuição para Goiânia. No Centro, rua 9, criou o Lílian Centro de Música. Hoje, a escola celebra quase cinco décadas com recitais de artistas internacionais do circuito europeu, masterclass e divulgação de sua técnica de aperfeiçoamento por meio de alunos espalhados no mundo. Lílian ministrou cursos na Índia, EUA, Austrália, Rússia, Hungria, França, dentre diversos países.

“Estou preocupada em dar autonomia para a criança, para que ela resolva os problemas da vida com mais facilidade. Não aceito a ideia de que ‘fulano’ nasceu com inteligência. Comprovadamente, inteligência também se aprende”.

AULAS SEMIÓTICAS

Na sala de aula de Lilian, um quarto semiótico de objetos, ela mistura aulas de japonês com exibição de filmes como “Cidadão Kane”, obra prima de Orson Welles, estudos de piano com corais e prática de outros instrumentos. É a liberdade total, que geralmente faz com que seja mínima a desistência das crianças. A ideia básica deste modelo de ensino será reproduzida na nova escola, em que as paredes são de vidros, o que possibilitará o acompanhamento dos alunos: “Vou ter a visibilidade de tudo que acontece no centro”. Lilian é conhecida pelas insólitas combinações de material didático. Isso a torna completamente única. Desde cedo era uma espécie de antítese da sogra. A pianista Belkiss foi a manifestação mais refinada do didatismo erudito-formal.

Uma rua da música

De forma precoce, Lilian Carneiro Mendonça começou a socializar seu conhecimento no final da década de 1960. A casa na Rua 9 era a mais musical do bairro. A mocinha ensinava aos goianienses a arte do piano que aprendeu primeiro com Odette Alamy e depois com Hebe do Couto (onde conheceu dona Belkiss Carneiro, que já lecionava aulas para Lílian) e Heloísa Barra. “Meu pai deu um piano para cada filha”, recorda Lílian, que teve três irmãs. “Ele incentivava muito o estudo da música, tanto ele quanto a minha mãe”.

EXTERIOR

Milhares de alunos passaram por Lílian. Dezenas estão no exterior. Ela costuma receber cartões postais incentivadores de cada um. Muitas vezes emocionantes, eles agradecem a oportunidade que tiveram, a capacidade de crescimento e o conhecimento a que foram expostos. Se estão na França, por exemplo, comentam que foi ali na escola de piano, agora na rua 23-B, o primeiro lugar a terem contato com a obra de pintores como Claude Monet ou Edgar Degas.

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