Cultura

Autobiografia evoca pesadelo do Sonho Americano

diario da manha

“Reino do Medo”, escrito por Hunter S. Thompson (1937-2005), conta através do inconfundível estilo gonzo como foi a vida de um dos maiores jornalistas estadunidenses do século XX. A obra apresenta ao leitor hilárias encrencas que o ‘doutor’ se meteu com o sistema judiciário dos Estados Unidos ao longo da vida, e mostra uma faceta desse gênio jamais vista pelo público em outros livros que o colocaram como um das vozes mais amadas e odiadas da imprensa do Tio Sam.

Publicado originalmente em 2003, o livro é um compilado de entrevistas, artigos, cartas e entrevistas amarradas por ácidos e inéditos comentários feitos pelo pai do Jornalismo Gonzo (estilo de reportagem que nasceu como um filhote rebelde do “New Journalism” e trouxe à imprensa narrativas em primeira pessoa, onde não há fronteira entre o jornalista e o fato) sobre, por exemplo, períodos que Thompson gerenciou um prostíbulo em San Francisco e viveu no Rio de Janeiro.

O que une os retalhos de “Reino do Medo” é seu caráter extremamente autobiográfico, porém esse tipo de denominação é escorregadio demais em se tratando de um escritor cuja matéria-prima é o apelo desenfreado ao sexo, às drogas e à música. Autor de obras do calibre de “Medo e Delírio em Las Vegas”, de 1971, e “Hell’s Angels”, lançado em 1967, a autobiografia mostra que a vida do ‘doutor’ Thompson esteve mais próxima do medo e delírio do que o bom-senso julga ser aceitável.

Amante de aventuras com motos rápidas e armas de fogo, a figura do jornalista que escreve com estilo extravagante, anárquico e alucinado é facilmente compreendida pelo público após a leitura dos textos inéditos que compõem a autobiografia. Thompson vivia como um fora da lei, e não estava nem aí: ao mesmo tempo em que se opunha à Guerra do Vietnã e andava com o poeta beat Allen Ginsberg, mantinha um arsenal em casa, o que o fez enfrentar a justiça várias vezes.

A hipérbole e o exagero, combustíveis responsáveis pelas frases redigidas em fluxo de consciência por esse autêntico filho do final do século americano, são suas armas usadas às jornadas selvagens atrás do lado bizarro da vida na América. É claro que para conseguir êxito em tal caçada é preciso de se submeter a diversos tipos de situações, e encarar os medos e delírios quando for necessário, como ensina os mandamentos do Jornalismo Gonzo.

Trip regada a paranóias silábicas, “Reino do Medo” não poupa passagens perturbadoras e assustadoras, com trechos que só confirmam aquilo que os fãs já tinham em mente: o ‘doutor’ era dotado de inteligência acima da média e, como todo sujeito que tem talento para algo, buscou incluir em sua obra o que Scott Fitzgerald e Tom Wolfe deixaram de fora.

Lido quase sempre como um depravado, especialmente nas faculdades de jornalismo, Thompson jamais enalteceu qualquer maluco, drogado ou marginal. Ao contrário, essa galera são os patetas cômicos imersos no lado mais negro do “American Way Of Life”. “Reino do Medo” é o último sofro do jornalista mais irreverente da imprensa norte-americana, no século XX.

Ficha técnica:

Título: Reino do medo: segredos abomináveis de um filho desventurado nos dias finais do século americana

Tradução: Daniel Galera

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 487

ISBN: 978-85-359-1125-1

Preço: R$ 58

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