Cultura

A utopia do boteco ideal

Escritor Paulo Mendes Campos, cronista de renome na década de 1950 nas páginas do “Correio da Manhã”, apresenta cinco preceitos fundamentais para que um bar tenha qualidade

diario da manha

Foto: Reprodução

Paulo Mendes Campos, cronista famoso nas páginas do extinto “Correio da Manhã”, falou e tá falado: “Para dizer toda a verdade, o bar perfeito não existe”. Se o botafoguense, craque do ramo etílico carioca na década de 1950, conhecedor das bodegas disse, então assim que seja. Só nos resta mesmo respeitar este camisa dez dos ensinamentos do amor, da cerveja, da crônica e do jornalismo.

O bar é o doce lar da crônica de costumes, esse gênero vira-lata digno de iluminar o noticiário, às vezes pesado, às vezes camarada, mas que sempre marca presença nos primeiros cadernos dos jornais. Gênero que revelou nomes de peso na literatura brasileira, como Antônio Maria, Xico Sá e Antônio Prata. Cada um de nós, escribas apaixonados pela birita, temos os espaços boêmios que mais gostamos.

Seja copo sujo, ou não, o que importa – acima de tudo – é se o estabelecimento prima pela etiqueta e dá ao bebum proleta o famigerado chorinho na dose de uísque – o verdadeiro amigo do homem, para citar o poetinha Vinícius de Morais. Digo mais, senhoras e senhores: Paulo Mendes Campos afirma categoricamente que um bar deve ter cinco qualidades para ser bom:

1) Boa circulação de ar;

2) Bons garçons;

3) Bom proprietário (o sujeito até pode ser daqueles de pouco afago no trato, mas deve ser um cara cativante);

4) Boa bebida;

5) Bons fregueses.

Os ensinamentos podem ser consultados pelo leitor na crônica “Por Que Bebemos Tanto Assim”, na página 38 da coletânea “O Amor Acaba”, lançada pela Companhia das Letras.

E, a partir da sabedoria de quem integrou por anos e anos o primeiro time da boemia, Paulo Mendes Campos é taxativo ao dizer que o bar ideal não existe.

“Quando o garçom é um flor de sujeito, o dono do bar costuma ser uma besta; se os fregueses são alcoólicos esclarecidos, o ambiente às vezes é quente e abafado; vai ver um excelente e confortável bar refrigerado, e boa porcentagem de uísque é fabricada no Engenho de Dentro”, teoriza o cronista.

É difícil, contudo, um bar seguir à risca os ensinamentos defendidos por Mendes Campos. Mas é importante frisar que tais itens devem fazer parte da cartilha de etiqueta dos bares, com mais um ponto fundamental: o preço. Sim, amigo, se o botequim tem todas essas características e vende tira-gosto e bebida com preço camarada, então fechou!

Além disso, este cronista que vos escreve enquanto bebum não respeita bar cujo garçom não chora na dose. Esta instituição goiana está sob preocupante ameaça, já que ultimamente vem sendo uma falta de respeito – para os garçons e donos – você pedir o choro.

Não podemos esquecer que as mulheres também devem estar incluídas na cartilha de etiqueta de um bom bar. Um bom banheiro para elas entra no código de exigências.

Enfim, que esqueçamos de procurar o bar perfeito e passemos a beber nas bodegas da vida. Sempre faltará alguma coisa, seja fila no banheiro, petisco gorduroso, breja quente e dose sem choro.

E você, amigo (a) leitor (a), o que não pode faltar no bar perfeito em sua concepção? 

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