Cultura

Billie Eilish, a primeira artista do século 21 a tornar-se hit e liderar geração Z

Cantora da Califórnia assume posto de maior hit de plataformas digitais e rádios no mundo com primeiro disco e estilo inusitado. É a principal representante da geração Z

diario da manha

Billie Eilish é a primeira jovem do século 21 a obter um hit mundial nas paradas de sucesso. O feito é “Bad Guy”, uma canção de dois movimentos.

“Camiseta branca, agora, vermelha, meu nariz ensangüentado…”, diz a letra em seu início, numa verdadeira epifania das músicas de rua cantadas por  uma juventude desterritorializada.

Rap se encontra com tecno e forma uma batida hipnotizante.  O baixo da canção é catalisador: duas notas em sol e uma em si bemol, volta para o sol e assim segue em círculos até repetir o mesmo na quarta nota do campo harmônico.  Ela manipula as mesmas notas “do mundo”. Mas tem feito combinações muito excêntricas.  

O que significa uma jovem como esta atingir o topo das rádios e sistemas de streamming? 

Simples: a geração Z, enfim, começa a deixar suas marcas no mundo. E vai tomar o poder. E vai governar. Precisamos entender como eles pensam. 

A garota em questão é um fenômeno de amadurecimento, seja musical (melódico e harmônico) ou na profundidade das letras.  Billie arrasa. E olha que tinha tudo para ser uma adolescente entranhada no quarto, já que tem a estranha síndrome de Tourette, que nos dá tiques e palavrões feios indesejáveis. 

Conforme Dave Grohl, líder maior do Foo Fighters e lenda viva do Nirvana,  Billie é a conexão de hoje com os fãs que antes foram abraçados pela sua antiga banda.

Billie em apresentação realizada no dia 18 de agosto no Pukkelpop 2019

Billie é pop?  Se for, é algo muito estranho. Uma piada.  Duas letras chegam a doer.  Ela toca na ferida.  Aliás,  abre e deixa sangrando. Amplificou o que já estava em cena com Melanie Martinez e Lady Gaga dos anos 2000.

O fato é: os shows de Billie são hipnotizantes. O povo vai à loucura e se joga na tribalização rítmica. Canta como se fosse o último grito da vida.

Já se cogita que ela será a grande estrela do Lollapalloza Brasil, em 2020. Ver para crer.

Garota puxa revolução da geração Z

Billie Eilish tem 17 anos e começou uma verdadeira revolução nos últimos quatro anos.  Chegou ao sucesso mundial com o fim de seus 14 anos. É preciso lembrar: nem os Beatles conseguiram tal feito. A banda de Liverpool – nesta idade – cantava em quermesses “Roadrunner” sem nenhuma pretensão de representar a juventude do mundo. 

 

Billie está na estrada com o irmão Finneas O’Connell (parceiro e produtor das composições, outro gênio do pacote).

Primeiro ocorreu uma revolução na vida do irmão, que produziu “Ocean Eyes”, e depois outras canções que tomaram de assalto as paradas teens do mundo.

Agora, o leitor deste texto pode acompanhá-la em franco crescimento e desenvolvimento, uma explosão estupenda, reconhecida pela crítica dos principais veículos de comunicação do mundo.

Billie sequer teve tempo de concorrer a um Grammy – o topo da indústria do disco onde deverá ser coroada no início do próximo ano. Seu disco tem pelo menos cinco hits. Será uma destruição no evento.

A musicalidade da garota explodiu de repente, com grande capacidade de percorrer acordes menores e delicados – como o mi menor e o lá menor com nona. Ela também empunha uma parede sonora com samplers e melodias agudas, quase depressivas, o que demonstra quais são suas armas: harmonia tradicional, levemente menor, com letras impactantes.

Suas composições inauguram em definitivo o século 21. E traz a rebeldia esperada para um adolescente, afinal eles quase nunca fazem nada que presta ou que marca a humanidade.

Billie é ainda a exceção. Tem ecos de Beatles, rap, comerciais, música erudita, funk, pop, jazz, folk, música de teatro, vaudeville, ambiences, um monte de informação que precisa ainda ser apurada. Que é indie, certeza. Eletropop, claro. Piano rock? Talvez. Mas tem baixo, bateria e piano ao vivo. Ukulelê, violões e guitarras (bem menos, quase imperceptíveis).

Seus clipes têm milhões, bilhões de visualizações, como “When the party’s over”, que a mostra chorando um sangue preto.

Ao fundo, um piano doce e melódico.  O primeiro acorde (Ré bemol-Mi-lá bemol) cai como uma lágrima. E detona memórias no ouvinte de algo coletivo, vivenciado pela humanidade. O que é, afinal, o amor? Uma mentira? Um contrato de direito civil (caso escrito) ou tácito (sem a judicialização)?

Seu estilo de se vestir é outro enigma. 

Um dos primeiros hits da cantora da Califórnia que tomou o mundo

Billie tem uma série de princípios. E o primeiro deles é “causar”, por isso as roupas são florais, fofas, que negam exatamente o que o funk/pop mais quer mostrar, por exemplo, que são as formas femininas.

A pergunta que fica é: seria Billie gostosa? Vai saber… A moça esconde o corpo. 

Chega a dar dó, por exemplo, de artistas como Anitta quando comparadas com as confabulações sonoras da menina de Los Angeles. Daí seu sucesso planetário, quase intergaláctico, já que até os astronautas da Nasa falam em soltar suas músicas no espaço.

Ao fim, sabemos: estamos diante de algo grande. Não sabemos a dimensão.  

Por sua vez, temos a certeza: ela continua ainda uma menina. Como diz a letra de “When the party’s over”, o sangue é só uma metáfora da dor de um fora:  “Você não sabe que não sou boa pra você? / Eu aprendi a te perder, mas não posso me dar ao luxo/ Rasgo minha blusa para estancar seu sangramento”.

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