Cultura

O bando de loucos na telona

diario da manha

Amigo leitor, peço licença para mudar o foco da coluna nesta croniquinha maloqueira e sofredora. Eis que a bola da vez – pelo menos no ciclo dos aficionados pelo Timão, uma vez que Corinthians é coisa pra lá de séria – é o documentário “A História de Um Sonho – Todas as Casas do Timão”, dirigido pela jornalista Marcela Coelho e disponível nas salas da rede Cinemark. Coisa mais linda ver a massa alvinegra torcendo pelo coringão em todas as suas casas! 

Antes de mais nada, é preciso explicar que o Corinthians – ao contrário dos outros times – não possui apenas uma casa, e sim várias. Todos estádios, onde quer o time se apresente, é o templo sagrado da massa alvinegra, é onde a Fiel defende – na saúde e na doença, com ou sem vitória – o coringão nosso de cada dia, é onde a democracia é exaltada, onde os desmandos promovidos por figuras autoritárias são execrados; onde compreendemos um pouco mais o que é a brasilidade. 

“Estamos aqui pra ganhar, porque aqui é nossa casa. Quem manda aqui é o Corinthians”, diz o goleiro Cássio antes de uma partida disputada na Arena, em Itaquera, na região leste de São Paulo, em cena reproduzida no filme. Marcelinho Carioca, ídolo do Coringão e craque do timaço que faturara os campeonatos brasileiros de 1998 e 1999, emenda: “Aqui é Hollywood, é cinema”, afirma o meio-campista, camisa da 7 e maestro da orquestra regida por ele Ricardinho, Rincón e Vampeta. 

Ser corintiano é ser um pouco mais brasileiro, ser corintiano é abraçar aquele desconhecido na hora do gol, é discorrer por horas a fio sobre a conquista da Libertadores, em 2012; ser corintiano é saber que a sociedade é desigual, com ricos e pobres; ser corintiano é saber que a vida – muitas vezes – não nos reserva apenas momentos de alegrias, e sim de dor, sofrimento, êxtase e tesão; ser corintiano é entender que – em várias circunstâncias – devemos ser humilde. 

Conhecida por sua paixão, a torcida do Timão conquista corações até mesmo daqueles que não a mínima para futebol. Este cronista que vos escreve conhece uma amiga que não gosta do futiba, mas gosta da postura da torcida alvinegra, especialmente os coletivos corintianos que são ligados ao movimento anarquista, como a Democracia Corintiana. Do Oiapoque ao Chuí, no Brasil ou no Japão, não importa, a Fiel joga junto os 90 minutos, e nunca abandona o time em campo.

“A História de um Sonho – Todas as Casas do Timão” traça a história do Coringão desde a sua origem no terrão de várzea do Bom Retiro até os estádio cheios, como nas conquistas do Paulistão de 77 – o fim do jejum de 23 anos sem título -, o Mundial de 2000 e 2012. Enfim, a jornalista Marcela Coelho conseguiu captar o espírito da Fiel – coisa que outros filmes como “Fiel – o filme”, de Marcelo Rubens Paiva e Serginho Groisman – também exploraram com maestria.

Sem mais delongas, amigo leitor: o Coringão nosso de dia cada é uma lição em tempos de obscurantismo em diversos aspectos. Que honremos a memória de Doutor Sócrates e companhia! E, maravilhosamente, Marcela o faz. O Corinthians – definitivamente – é coisa séria! 

Ficha técnica

‘A História de um Sonho – Todas as Casas do Timão

Gênero: documentário

Duração: 85 minutos

Diretor: Marcela Coelho

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