Cultura

O modernismo de Tarsila do Amaral

Pintora é considerada uma das principais artistas brasileiras da história

diario da manha

Tarsila do Amaral contribuiu para ‘inventar’ o movimento modernista no início do século passado. Pintora e desenhista, ela colocou seu nome no seletíssimo rol dos grandes artistas que transformaram as artes plásticas. Vivenciou in loco a Semana de Arte Moderna de 1922, onde o poeta Oswald de Andrade – companheiro da pintora – foi um dos agitadores culturais que impulsionaram o movimento de vanguarda que despontara no Teatro Municipal de São Paulo. 

Nascida em Capivari (SP), Tarsila era descendente da aristocracia cafeeira e teve aulas de escultura, desenho e pintura na capital paulista. Em 1920, dois anos antes da efervescência provocada pela Semana de Arte Moderna, foi dar continuidade à sua formação em Paris, retornando ao Brasil dois meses antes do desabrochar do movimento modernista. Voltou ao País com a intenção de “descobrir o modernismo”, conforme registra a biografia “Tarsila: sua obra e seu tempo”, da crítica Aracy Amaral.  

Cada vez mais inserida no meio artístico, passou a ser próxima de Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia, fundando com eles e Anita Malfatti – de quem já era amiga – o Grupo dos Cinco. Nele, a pintora tomou frente na defesa da existência de um modernismo genuinamente brasileiro, com as características antropológicas da sociedade tupiniquim. Foi nesta época que começou a pintar “com cores mais ousadas e pinceladas mais marcadas”. 

Um ano depois, em 1923, Tarsila voltara para o Velho Mundo com o objetivo de se aprofundar nas técnicas modernistas. Filiou-se ao movimento cubista, cujo principal expoente era o pintor espanhol Pablo Picasso, e passou a demonstrar cada vez mais interesse pelos temas nacionais, como é possível ver nos quadros “A Negra”, de 1923, e “A Caipirinha”, do mesmo ano. Ainda na terra de Baudelaire, ela deu o pontapé para sua fase pau-brasil, em que dedicou-se aos temas nacionais. 

Em 1928 pintou o famoso “Abaporu”, obra que se destaca pela presença forte da cor vermelha. Poucos anos depois Tarsila resolveu viajar à União Soviética e, após mergulhar em temáticas com forte cunho social e político, fez o clássico “Operários”, em 1933. Desta fase também há “Segunda Classe”, “Costureiras” e “Orfanato”. Em meados dos anos 30 uniu-se ao escritor Luís Martins, 20 anos mais novo, com quem teve um romance de 18 anos.

Tarsila, além de brilhar nas artes plásticas, também trabalhou em redação de jornal, pois foi amiga do empresário Assis Chateaubriand de meados da década de 30 até os anos 60.  Participou da I Bienal de São Paulo, em 1951, e teve sala especial na VII Bienal, fazendo parte do time da Bienal de Veneza, em 1964. Em 1969, a doutora e curadora Aracy Amaral montou a exposição “Tarsila 50 anos de pintura”. Perdeu sua filha, em 1966. A pintora morreu no ano de 1973. 

‘A Negra’, obra de Tarsila do Amaral

Legado rejuvenescido 

Mais de 400 mil pessoas compareceram ao Museu de Arte Moderna Assis Chateaubriand (Masp), em São Paulo, para ver a exposição “Tarsila Popular”. A multidão alvoroçada, cuja imagem estampou a capa de diversos jornais pelo País, mostra que o legado da pintora modernista ainda segue vivíssimo na memória histórica brasileira. Ninguém pintou as cores do Brasil como Tarsila, e talvez por isso suas obras levaram um monte de gente para o Masp nos últimos meses.

Além disso, a presença maciça do público jogou gás num País que vive tempos obscurantistas em relação às artes. E, curiosamente, nunca um artista brasileiro conseguiu ser tão visitado e jamais o País flertou de forma tão descarada com a ideia de ser referência mundial no quesito burrice. Fazer o quê? São os tempos anti-intelectualidade, antiarte, anticultura e, agora mais do que nunca, anti-história. 

Talvez o pessoal que encheu a Avenida Paulista, no coração financeiro da cidade de São Paulo e, por conseguinte do Brasil, estivesse mesmo atrás de algo para se agarrar num País que insiste em jogar fora sua memória. Tarsila, quer queira, quer não, ocupa o posto de matriarca do Pindorama, como bem lembrou o jornalista Silas Martí, no jornal Folha de São Paulo. Com todo respeito, acrescento: ela é a origem da brasilidade nas artes. 

‘Quadro da Antropofagia’, óleo sobre tela de 1929 (FOTO: DIVULGAÇÃO) 

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