Cultura

Uma forma alternativa de produzir arte

Artistas, como a cantora e compositora goiana Milla Tuli, procuram outros caminhos para produzir arte

diario da manha
Milla Tuli, cantora e compositora - Busca, no Financiamento Coletivo, recursos para gravar DVD ‘Florescência' (Foto: Reprodução)

Carlos Pereira

Diante das dificuldades atuais para se produzir arte por meio das leis de incentivo à cultura, que vinham crescendo nos últimos 20 anos, mas que tiveram retrocesso recentemente com eleições de governos mais à direita, como o atual do País que, entre outras ações restritivas, extinguiu o Ministério da Cultura e cortou recursos ao incentivo à produção cultural em todo o País, um outro caminho para  a realização de produção artística cresce entre produtores de cultura e artistas em geral. Trata-se do Financiamento Coletivo.

Em uma a rápida pesquisa na internet encontramos vários sites que se propõem a contribuir para o financiamento coletivo de um projeto de produção artística. Catarse, vaquinha online, benfeitoria e outros tantos. Até o BNDES entrou na parada neste ano com o Programa Matchfunding de Cultura BNDES, que prevê que a cada R$ 1 captado o banco investirá R$ 2, limitado ao valor máximo de R$ 300 mil por projeto.

Em Goiânia, a cantora e compositora Milla Tuli optou por um projeto alternativo utilizando o site Catarse de financiamento  coletivo para produzir o DVD Florescência. No dia 20 de setembro haverá o show, de mesmo nome, em comemoração aos 15 anos de carreira de Milla Tuli. O projeto foi lançado recentemente e a campanha é feita também nas redes sociais como Facebook e Instagram.

“Tá sabendo? Vou gravar um DVD. Ele se chama Florescência e precisa de você para existir…Conheça as recompensas carinhosas que preparei pra quem apoiar!!” diz um post feito  nas redes sociais.

Arte conceitual do filme de animação “A Menina atrás do espelho” de Iuri Moreno (Arte – Marília Feldhues)

Em outras publicações Milla toca violão, percussão, canta suas músicas e vai contando o que as pessoas podem receber em troca caso apoiem o projeto. Entre os mimos, um DVD, uma música especial pra você que contribuiu ou para alguém que você curta. São várias as alternativas de contrapartida que a cantora e compositora criou de acordo com o valor de contribuição de cada pessoa.

“Há mais de um ano venho projetando a ideia deste DVD. Após o lançamento do primeiro CD, senti a necessidade de ampliar a divulgação do meu trabalho que já chega aos 15 anos. Devido ao alto custo, e as dificuldades atuais das leis de incentivo, resolvi buscar este caminho, o do financiamento coletivo” explica.

“Tive que recorrer também aos amigos talentosos que tenho na área musical conseguindo um desconto camarada para chegar em um valor de R$ 20 mil reais que é a meta da campanha. Parece muito, mas representa apenas 20% do valor real que normalmente se gastaria em uma empreitada desta”, complementa.

A cantora, que gravou em 2015 o CD Milla Tuli,   utilizando a lei de incentivo cultural da Prefeitura de Goiânia, afirma que optou pelo financiamento coletivo para gravar seu DVD  devido às dificuldades atuais de se produzir arte via leis de incentivo à cultura. 

“É lamentável que muitos  governos hoje no Brasil não compreendam a importância da cultura  para a educação e a economia. Os cortes na cultura e educação são uma afronta a todos que lutam diariamente para a construção de uma sociedade mais igualitária, autônoma e consciente. Espero que, com o apoio da população, a arte e a educação possam cumprir  suas missões de levar nosso povo onde ele merece estar, que é um país responsável e generoso para todos. Estamos reunindo forças e organizando novos mecanismos de mobilização e ação para não nos deixar sucumbir”, frisa Milla. 

Mais projetos

A atriz, escritora e diretora de teatro Marília Ribeiro também busca, nas redes sociais, apoio financeiro. Junto com Luiz Cláudio, Marília  mantém o espaço cultural Novo Ato no setor Crimeia Leste onde desenvolve vários projetos, inclusive um atual de reforma do espaço utilizando lei de incentivo à cultura da prefeitura de Goiânia.

Mas diante do momento de crise, de dificuldades para se aprovar projetos tanto em nível municipal, estadual ou federal, Marília optou também por um financiamento coletivo diferente.

Marília Ribeiro e Luiz Cláudio em cena na peça: Inferno, um lugar de tormento  

Pelas redes sociais, sem se utilizar de sites,  ela busca recursos para uma nova temporada da peça Inferno Lugar de Tormento e para continuar produzindo os  vídeos da ‘vida como ela é’. “É o que chamo de meu site down que é contar minhas experiências. Os vídeos são diários e  demandam tempo e preparação e precisamos de recursos para produzir”, diz.

Marília também faz críticas às leis de incentivo. “As leis de incentivo, têm certos vícios e beneficiam quase sempre os mesmos grupos. Outra coisa, é o atraso  e a burocracia na liberação e na prestação de conta dos recursos. Há um problema grave tanto na distribuição quanto na questão da democratização dos recursos”, frisa Marília. 

“Se não tem incentivo do governo a parceria privada pode ser uma possibIlidade para não desistir da profissão e  seguir adiante. Então por falta de recursos, optamos pelo financiamento coletivo para aumentar as possibilidades de realização, tornando as pessoas mais conscientes e participativas na construção do processo artístico”, afirma.

Outro artista que vai partir para o Financiamento Coletivo é o cineasta Iuri Moreno. Ele  é Diretor da Caolha Filmes, produtora goiana responsável pelo reconhecido e premiado curta ‘O Malabarista’ (Indicado a Melhor Curta-metragem de Animação no Grande Prêmio Do Cinema Brasileiro), e  pela produção do ‘Lanterna Mágica – Festival Internacional de Animação’.

A previsão é que a campanha para a sua mais nova animação, “A Menina Atrás do Espelho”, dirigida por ele, e produzida por Lara Morena e Débora Rodrigues, comece em setembro por meio da plataforma ‘Benfeitoria’. 

“A iniciativa é para complementação de verba para a finalização do curta e também funciona como uma pré-venda de produtos futuros gerados pelo próprio filme, como camisetas, DVDs, canecas, marca-páginas e outros brindes. O filme possui uma narrativa fantástica e é direcionado ao público infanto-juvenil”, diz.

Já com data marcada para 8 de setembro próximo,  a cantora, poeta e atriz Clécia Sant’Ana realiza o segundo evento de captação de recursos para a realização do CD Domadora de Nuvens. “Por meio do Cafuné – Canções Poemas Autorais’, vamos celebrar as artes e os amores na nossa festa para a campanha de financiamento coletivo na FETEG – Federação de Teatro de Goiás. Vai rolar poket show com ARIDÃ, bem acompanhada por Afrika Billy, Milla Tuli, Pompílio Machado. E pra deixar a noite mais temperada, na pista tem Dj Macambira. Se você não conseguiu colaborar durante a campanha do primeiro evento, essa é a hora! Todo o valor da entrada será revertido para o financiamento”. 

Tive conversas ainda com outros artistas que também estão, ou já buscaram este caminho. Todos afirmaram que é prazeroso o retorno, não só o financeiro, mas o contato com o público que esta ferramenta, o Financiamento Coletivo, proporciona. Já dei a minha contribuição. Bora apoiar galera!. É prazeroso também receber o carinho do artista que a gente apoia.

Cantora Clécia Sant’Ana, autora do  CD Domadora de Nuvens

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