Cultura

‘Viva’ comprova que Barão Vermelho é patrimônio do rock nacional

Banda, que já lidou com as saídas de Cazuza e Frejat, segue vivíssima com novo álbum de inéditas

diario da manha
Foto: Arte de Alberto Pereira

O Barão Vermelho está rejuvenescido e faz um rockão bem descaralhante, como se fosse o primeiro disco da longeva carreira de quase 40 anos. Com o lançamento de seu 15° álbum de estúdio, o esperado “Viva”, que chegou às plataformas de streaming na última sexta-feira (16), a banda carioca mantém viva a identidade sonora clássica calcada no rock and roll e blues, mas não deixa de lado as novas possibilidades musicais. O Barão, definitivamente, está vivíssimo.

“Quero cantar um refrão pra te fazer sorrir”, canta Rodrigo Suricato, na 3ª faixa do disco. De autoria do tecladista, compositor e fundador do Barão, Maurício Barros, “Jeito” é uma das nove músicas que fazem parte do novo disco do grupo, o primeiro após a saída do vocalista, guitarrista e compositor Roberto Frejat, em 2017. “Viva” é um bom disco que comprova vida longa a uma das maiores bandas do rock nacional, totalmente revigorada com a presença de Suricato no centro do palco.

Com o volume estourando a caixa de som, não tenho medo de dizer que o disco é o terceiro recomeço dos barões, e um sopro de poesia, rock and roll e blues numa época em que os artistas em geral são pasteurizados. Em 1986, após a saída de Cazuza, a banda buscou em Frejat a injeção de rock necessária para que o grupo seguisse em frente. E seguiu. Na segunda metade da década de 80 e ao longo dos anos 90, foram vários singles e álbuns com uma puta energia fodastica. 

“Viva” é um disco que me reconcilia com a vida em tempos onde o ódio reverbera. É um rock puro e pulsante. Uma torrente de amor e tesão! E, como não poderia deixar de ser, temperadas com o marcante arranjo pelos barões Fernando Magalhães (guitarra), Guto Goffi (bateria), Maurício Barros (teclado) e Rodrigo Suricato (voz e guitarra). O que eles cantam é furiosamente direto e vibrante, bem como a comunicabilidade segue com poder instantânea e cristalina.

Como escreveu o jornalista Ezequiel Neves, na coluna Zeca ´n Roll, logo após ouvir o som do Barão, no início da década de 1980: “A retórica é inimiga da inocência. Desse mal o Barão Vermelho não morre”, dizia o crítico musical, produtor de todos dos discos da banda até o álbum “Barão Vermelho MTV Ao Vivo”, em 2005.  Se Zeca Jagger falou, então está falado. E eu, humildemente, acrescento: o Barão está mais vivo do que nunca e seu estilo ainda há de tocar por décadas e décadas. 

O grupo, além das nove músicas que gravou em “Viva”, deu uma palinha de como seria com Suricato à frente do palco no disco “Barão Pra Sempre”, lançado no ano passado nas plataformas digitais. Assim como a banda fez em 1989 com “Barão Ao Vivo”, grandes clássicos – como “Pense e Dance”, “Meus Bons Amigos”, “Pro Dia Nascer Feliz” e “Tão Longe de Tudo” – ganharam nova roupagem na voz do novo vocalista para que os fãs se acostumassem com a novidade.

Por tudo isso e mais um pouco, “Viva” comprova que o Barão Vermelho resiste ao tempo e segue fazendo o bom e velho rock and roll em estado puro, embora as adversidades apareçam no caminho do grupo. A banda que já declarou guerra, agora canta o amor, porque ele é revolucionário e está em falta nestes dias. Como disse o próprio Frejat, em alguma entrevista na década de 1990: “O rock and roll envelhece, mas nunca fica velho”.

Vida longa ao Barão!

Ficha Técnica

‘Viva’

Gênero: Rock

Ano: 2019

Duração: 31 minutos

Disco está disponível nas plataformas de streaming

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