Cultura

‘As Flores do Mal’, de Charles Baudelaire, ganha nova tradução

Título chega ao mercado editorial pelo selo Companhia das Letras

diario da manha
Poeta Charles Baudelaire (18214-1867) - Foto: Reprodução

De Allen Ginsberg a Jim Morrison. Sim, senhoras e senhores: foi com Charles Baudelaire (1821-1867), genial escritor que sacudiu a literatura no cenário pós-Revolução Industrial, que a poesia ganhara uma pegada mais marginal.

Considerado o maior poeta francês do século XIX e um dos grandes nomes de toda a literatura europeia, ele não desfrutou em vida desse justíssimo reconhecimento e foi rechaçado no meio artístico e intelectual parisiense da época.

Para termos uma ideia, ao longo de sua breve vida, Baudelaire era órfão de uma época em que a sociedade dava, digamos, pouco apresso aos artistas. Era preferível “o lixo cuidadosamente escolhido” de folhetins que circulavam em jornais e estavam no auge naquele momento às obras incomuns que faziam pensar, discutir e sofrer.

Afinal, quem iria querer ler um sujeito que teorizou acerca dos efeitos do vinho e haxixe sobre a percepção humana e que tinha um estilo de vida nada convencional?

Eternizado pelo poeta com letra maiúscula, o ‘Mal’ de Baudelaire é um conceito que expõe o caráter humano e mergulha nas profundezas de uma sociedade burguesa.

Com estilo poético inovador, responsável por influenciar escritores do calibre de Thomas Mann, Marcel Proust e James Joyce, “As Flores do Mal” transformou a literatura mundial ao misturar diversas formas estilísticas. Foi com o clássico de Baudelaire que os versos, até então coisa de aristocrata, foram parar nos meios boêmios.

A primeira edição, que foi publicada em 1857, quando Baudelaire tinha 36 anos, teve seis poemas censurados pela Justiça. Além disso, o escritor arcou com um processo judicial e tantos outros problemas, e chegou a ser ridicularizado nos meios intelectuais da época.

Alguns anos depois, em 1861, foi lançado uma edição com os poemas suprimidos. Baudelaire, cuja alma transbordava poesia, levava uma vida apaixonante, visceral e, não raro, perniciosa.

Por tudo isso, o volume relançado pela editora Companhia das Letras é uma das atitudes mais nobres do mercado editorial neste ano. Em tempos onde figuras públicas mandam retirar obras que não agradam suas morais e bons costumes, nada melhor do que celebrar e refletir lendo versos que ainda hoje são um tapa na cara dos caretas de plantão.

Baudelaire, antes de mais nada, é um poeta obrigatório para quem anda descontente, para citar Cazuza, com “toda essa caretice e babaquice”.

Portanto, “As Flores do Mal” demonstra toda a potência literária de um autor que ainda hoje, pasme, é chamado em diversos espaços de “Maldito” – sim, a grafia deste escriba vai com a letra “M” em caixa alta, porque o autor em questão é grande demais.

Como escreveu o próprio Baudelaire em “Conselhos aos Jovens Literatos”: “A literatura, que é a matéria mais inapreciável, é antes de tudo o preenchimento de colunas”, raciocina o poeta. Leiamos mais e mais esse gênio.

Ficha Técnica

‘As Flores do Mal’

Autor: Charles Baudelaire

Gênero: Poesia

Editoria: Companhia das Letras

Preço: R$ 64,90

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