Cultura

O sertanejo dos anos 80

Veja alguns dos compositores goianos que escreviam suas próprias músicas nos anos 1980

diario da manha
Fátima Leão: autora de mais de 2000 canções (Fotos: Reprodução)

Sabemos que a música sertaneja apresenta uma onda de cantores/compositores. Só para citar alguns exemplos, temos nomes como o de Marília Mendonça, natural de Cristianópolis, Goiás. Com 24 anos, Marília é uma das cantoras brasileiras mais tocadas nas plataformas de streaming. Sua interpretação de “Infiel”, que compôs sozinha, é obrigatória em diversas espaços. Entre outros exemplos de cantores que escrevem boa parte de suas canções, temos os irmãos Henrique e Juliano, naturais de Tocantins, e as irmãs (gêmeas) Maiara e Maraísa, que nasceram em São José dos Quatro Marcos, no Mato Grosso. Nesta matéria, o leitor conhecerá algumas duplas dos anos 1980, alguns anos antes de a indústria da música sertaneja ganhar o carácter fonográfico que conhecemos hoje. Confira! 

Duduca e Dalvan – “hiperdevaneios”

Capa emblemática do álbum Massa Falida (1986)

“Ela vai na praia bronzear seu corpo

Eu queria ser grãozinhos de areia

Pra colar no corpo da mulher mais linda

E ver bem de perto um corpo de sereia”

(Mulher Maravilha – Dalvan/Tião Carreiro, 1978)

José Trindade, mais conhecido como Duduca, nasceu em Anápolis no dia 4 de julho de 1936. Ao lado de Dalvan, natural de Planaltina, do Paraná, formou uma dupla de sucesso que vem sendo redescoberta com a internet, através do compartilhamento de arquivos em blogs de colecionadores de vinil e entusiastas da música sertaneja. Duduca começou a ganhar visibilidade como compositor ainda bem jovem, e passou a ser requisitado por intérpretes e até mesmo por produtores de filmes, interessados em usar seu trabalho em trilhas sonoras. O cantor, que também trabalhou por 15 anos como pintor de paredes, também tinha o dom de escrever roteiros. Ao longo do tempo ganharam a alcunha de Leões da música sertaneja.

A dupla se conheceu no set de filmagens do longa “Entre o Céu e o Inferno de Camanducaia”, de autoria do próprio Duduca. Os dois atuavam no filme, e nos intervalos entre filmagens combinavam vozes e violão. Duduca também escreveu o roteiro do filme “Sexo e Violência No Vale Do Inferno”, lançado no ano de 1981 e dirigido por Domingo Antunes. A dupla terminou em 1986, com a morte de Duduca em 17 de fevereiro de 1986, mesmo ano em que foi lançado o LP “Massa Falida”, com uma capa totalmente fora do comum para discos sertanejos e canções com teor político, como a faixa que dá título ao trabalho. Atualmente, Dalvan segue com uma segunda formação da dupla, ao lado do cantor Almir Sales, nascido em Londrina.

Felipe e Falcão – sertanejo espiritual

Capa do álbum Felipe & Falcão Vol. 2 (1988)

“Chuva caindo, tecendo fios de ouro

O meu olhar no teu olhar se umedeceu

Nessa cortina transparente sob as nuvens

Brilhando por entre os raios, do brilho dos olhos teus”

(Fios de Ouro – Fátima Leão/Juraildes da Cruz)

Tanto Felipe (natural de Jataí) quanto Falcão (de Morrinhos) participavam da composição de boa parte das canções que apresentavam nos discos lançados pela formação original da dupla, que durou de 1985 até 2009, ano da morte de Falcão. Eles estouraram no cenário nacional através do segundo álbum, “Felipe e Falcão Vol. 2”, lançado em 1988. O disco vendeu cerca de 300 mil cópias e contém parcerias com Fátima Leão, Juraildes da Cruz, Tivas, Zequinha Rodrigues, Édson Russo, Zancopé Simões e Ostecrino Lacerda. Canções como Deusa do amor, “Flor da Criação” e “Fios de ouro” pulverizam uma carga transcendental ao longo do disco, o que torna sua aura espiritualizada, criando texturas incomuns em meio à tradicional sofrência.

A dupla se conheceu em um festival de música em Goiânia, no ano de 1984. Falcão, que possuía formação em jornalismo, trabalhou como apresentador do Festival, enquanto Felipe era um dos cantores que se apresentaram. Juntos eles gravaram 11 discos e um DVD. A morte de Falcão foi anunciada no dia 18 de setembro de 2009. Ele encontrava-se internado em estado grave no Hospital São Lucas, em Goiânia, por conta de uma erisipela. No Youtube, vários registros do DVD de vinte anos de carreira da dupla foram compartilhados por fãs, incluindo o da canção “Que pena”, um dos maiores sucessos gravados por eles. Felipe também era um compositor requisitado por outros artistas, e já escreveu canções para vários nomes de sucesso do sertanejo. 

Fátima Leão – caixa de memórias

Capa do disco Coração (1998)

“Eu sei me dou inteira

Isso não vou negar

À todos que eu conheço

Posso querer amar”

(Aparência Nua – Fátima Leão/Zequinha Rodrigues)

Fátima Leão, que nasceu em Rio Verde, é uma das maiores compositoras do Brasil. Carrega consigo a autoria de quase três mil canções, gravadas por artistas de todo o Brasil (entre eles Zezé di Camargo & Luciano, Leandro & Leonardo, Sandy & Júnior, Rio Negro & Solimões, Bruno & Marrone, Edson & Hudson, João Paulo & Daniel, Guilherme & Santiago, Alexandre Pires, e muitos outros). Também atua como produtora musical. Uma de suas canções mais famosas, “Dormi na Praça”, é responsável pelo estouro nacional da dupla goiana Bruno e Marrone. Apesar de tamanho reconhecimento como autora, poucos conhecem os álbuns em que Fátima atuou como cantora, fora dos bastidores da música. 

Seu primeiro disco, “Coração”, lançado em 1988, mistura várias influências e revela ao público o timbre da mentora das canções entoadas por outras vozes. Começou sua carreira ainda no interior de Goiás. Sua mãe, dona Lázara, vendeu a máquina de costura para poder bancar as primeiras viagens da filha, devido à falta de condições financeiras. Aprendeu a tocar violão com instrumentos emprestados por amigos. Em 1985, aos 30 anos, mudou-se para São Paulo. No ano de 1992, 14 de suas composições estavam entre as mais tocadas do Brasil. Escutar as músicas de Fátima interpretadas por ela mesma é como embarcar numa viagem cheia de intimidades pessoais, onde a cantora arquiteta em 12 canções as memórias e interpretações nas quais desejava ver sua voz eternizada.

Marília Mendonça, um dos grandes destaques da música sertaneja dos últimos anos

Texto: Leon Carelli

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