Cultura

A primeira edição do Jornal Nacional do Amor já está no ar

Ali nas primeiras horas da noite, bate aquele necessidade audível de contar tudo o que aconteceu em seu dia

diario da manha
Foto: Reprodução

Sobe a vinheta, a música toca. Boa noite, ou bom dia, se for o caso, chegou a hora de reverenciar a importância – com licença, meu caro Xico Sá – do Jornal Nacional do Amor, o JNA, nada original, uma cópia escancarada do papai espiritual deste cronista de costumes, eu diria. 

Ali nas primeiras horas da noite, bate aquele necessidade audível de contar tudo o que aconteceu em seu dia. Contar e ao mesmo tempo receber notícias tuas. Pode ser um drama, uma epopeia, um feito memorável, uma coisa à toa, boba que só, um carro na possa que quase te molhou toda, o chefe maluco que encheu teu saco no trampo, essas coisas, entende?. 

Nada disso importa: apenas a tua voz do outro lado da linha. 

Sobe vinheta, sonoplastia, é o Jornal Nacional do Amor que começa agora, um dos momentos mais deliciosos na vida de alguém, do tipo conta lá que eu conto cá, e assim vamos em frente. 

Ter alguém para contar seu dia é melhor do que fazer sexo, melhor do que linguiça fina com cerveja após o trampo, melhor que a vitória do Corinthians em dia de clássico, melhor que os filmes da francesa Agnés Varda e os livros da conterrânea Anais Nin; ter alguém para contar seu dia nos dá energia para seguir com a porra da vida.

Reflito: contar para um amigo seus peripécias é diferente, contar para um irmão, vixe, é outra coisa, nada a ver, contar à vizinha é a pior merda que você pode fazer. Por isso, contar, meu chapa, só serve se for para ela, e ela tem de ser a mulher que habita, sem pagar aluguel, sem pagar prestações, o condomínio do seu coração. 

Xico Sá, de novo o hombre, deve resmungar o amigo leitor (a), tinha razão: o Jornal Nacional do Amor não tem mentiras, somente mentiras sinceras (sábio Cazuza, o porra-louca do rock brazuca dos anos 80), que levantam nosso astral, com palavras doces, poéticas, trocadilhos espertos e safados. 

Sim, senhoras e senhores: uma boa fofoca no final do dia pode te levar para o universo do corpo dela, ali mesmo onde você já quis que os segundos congelassem na ponta do relógio, ali mesmo onde você já falou “eu te amo”. 

Seja na alegria ou na doença, contar o dia é a melhor coisa na arte de estar junto. Dá mais energia para seguirmos em frente. Do amor e suas breguices, e não me venha com essa de que o amor não é brega, o mais legal é quando ela solta: “ai, xuxu, tô tão ruim, com dor no corpo, dor de cabeça”. 

Você, ainda sintonizado em como foi o dia da amada, manda aquela: “nada, cê é linda de qualquer jeito”. 

Contar, que sempre contemos, ora pois, é um convite para resistir em meio ao cotidiano massacrante imposto pelo capitalismo. Não existe nada mais chato do que o silêncio. É preciso falar, se declarar, escrever cartas de amor (me diga qual carta não é ridícula, se este é o teu medo?) 

Ficamos por aqui.

Entra vinheta, sobe os créditos. Este foi a primeiríssima edição do Jornal Nacional do Amor, o glorioso JNA. Até qualquer dia, tchau!

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