Cultura

A rotação do tempo e do sujeito

Guilherme de Moura Cunha desenvolve uma análise da modernidade com alicerce na obra "Os filhos do barro", de Octavio Paz.

diario da manha
Foto: Reprodução

A reflexão do desenvolvimento do sujeito moderno, sua relação com o mundo e suas marcas deixadas, como o modo de fazer poético, é um dos pontos centrais do pensamento contemporâneo e converge à atual configuração do estudo das Ciências Humanas. Posto isto, Guilherme de Moura Cunha desenvolve uma análise da modernidade com alicerce na obra “Os filhos do barro”, de Octavio Paz.

Confira:

Octavio Paz, escritor mexicano, discute, em Os filhos do barro, a visão do homem acerca da temporalidade e sua consciência, estruturada pela História, da vida e da morte, embates e discussões que se materializam na poesia a partir da configuração moderna do sujeito e da sociedade.

Octavio Paz foi um reconhecido poeta e ensaísta mexicano, que se destacou pela discussão sobre a poesia e se consagrou um dos principais nomes da literatura em língua espanhola. Em 1990, conquistou o Nobel da Literatura por “uma escrita apaixonada de horizontes largos, caracterizada por inteligência sensorial e integridade humanista”.

N’Os filhos do barro, parte de uma visão ocidental para caracterizar a poesia moderna e vanguardista, atravessada pelo pensamento do homem pós-clássico, que busca entender o tempo, a razão e a linguagem na mesma medida em que (auto)destrói conceitos já consolidados. O sentido, para Paz, assume um olhar niilista, no qual o tempo suspende, acelera e o futuro busca o inesperado, o inexistente para o sujeito.

A concepção de moderno reverbera exclusivamente no Ocidente

Partindo-se da visão hispano-americana de compreender a modernidade e o sujeito a ela resignado, Paz conduz uma (re)leitura sobre a literatura ocidental difundida após o século XVIII, marcada inicialmente pelo ideal romântico alemão e reconstruída com base em pensamentos tensionados na Idade Moderna.

A experiência poética perpassa pela aceleração do tempo, o olhar crítico ao próprio sujeito e à arte; a ambiguidade entre ironia e angústia e a confusão entre o homem e o divino, marcas de uma nova religião – a própria poesia. Dividido em seis capítulos, o autor mexicano direciona seu olhar em busca do sentido que correlaciona modernidade e fazer poético no mundo ocidental.

A escrita de Paz segue uma explicação do sujeito moderno através do instantâneo, do revolucionário e do religioso na vertente antropológica e poética de enxergar as mudanças universais na sociedade e nos Estudos Literários.

A concepção de moderno, de acordo com a obra de Paz, reverbera exclusivamente no Ocidente, modifica a ideia do tempo e põe em cheque a razão e a crítica acerca do ontológico. Esses três pontos convergem à variação, às modificações velozes pelas quais a época presencia e exercita o progresso e alteridade.

Duas grandes questões servem para compreender como a poesia moderna se desenvolve e em que local da história se fixa: a revolução e a dissociação Deus-ser. O revolucionário indica a própria negação e autodestruição, em busca de valores capazes de ressignificar o homem à sua maneira, o que modifica a criação poética por meio da crítica à natureza e prescreve distintos olhares para o gênero e para o Belo.

A ideia de revolução, que atravessa e circunscreve a poesia, advém de novas concepções da sociedade e do Estado, o interesse pela ordem civil, a universalidade e o domínio acelerado do homem sob a natureza e o próprio homem. O rompimento com o cristianismo faz-se pela negação da antítese passado-presente, bem como da existência de Deus: a religião valorizada pelo moderno é a própria construída pelo poeta.

Vale destacar ainda o comportamento de cada nação diante da modernidade, isto é, o modo como um falante de inglês compreende o mundo é diferente de um falante de português ou alemão. Segundo essa concepção de sistema estrutural, Paz expõe que cada língua busca autossuficiência nos signos que comporta: língua(gem) e sujeito são dois domínios inseparáveis, uma vez que é pela fala que o homem constitui sua identidade e cultura.

Dessa maneira, a semantização da língua é nada mais que o sujeito reconhecer sua subjetividade e se posicionar como um Eu, capaz de transparecer, mesmo que opacamente, seus pensamentos, que resultaram de uma conexão entre o intersubjetivo e a cultura, uma vez que o indivíduo é, sobretudo, produto das experiências temporais e reacionárias e multiplica através da poesia moderna e vanguardista conteúdos semânticos capazes (ou não) de significar o homem.

Texto: Guilherme Moura

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