Cultura

Libras: desenvolvimento a inclusão durante a pandemia

diario da manha
Foto/reprodução

Para entendermos qual a importância de celebrar o dia da Educação para Surdos, precisamos adentrar a sua história, a qual sempre foi marcada por grandes lutas e muitos desafios ao longo da história. O dia 23 de abril se comemora o “Dia Nacional da Educação aos Surdos”. Uma data que homenageia todo o grupo de pessoas que por meio dos sinais conseguem se comunicar. Pois para eles a linguagem de libras representa mais do que a fala, mas também o símbolo da luta dos surdos pela sua cultura e inserção nos espaços.

No Brasil, o surgimento da Libras e do projeto de educação de surdos ocorreu no século XVIII, em 26 de setembro de 1857. Quando o imperador D. Pedro II solicitou a vinda de um professor francês chamado Ernest Huet para chefiar essa iniciativa. Huet teve um papel muito importante no cenário nacional. Ele fundou o Imperial Instituto dos Surdos Mudos, que existe até hoje e atualmente se chama Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES).

Com o passar do anos, outra conquista marcou também a história. No ano de 2002 foi sancionado a lei nº 40.436, de 24 de abril. Essa lei reconheceu a Libras como a segunda língua de comunicação oficial e ainda determinou que o poder público deveria fornecer suporte para uso e difusão dessa língua em todo o território nacional brasileiro. Sendo assim, a língua de sinais foi e continua sendo crucial para a inserção e para o desenvolvimento dos indivíduos surdos na sociedade pois permite a atuação e comunicação na esfera pública e garante a cidadania dessas pessoas. Ampliando não só as oportunidades de educação, mas também de trabalho.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 10 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência auditiva. O que corresponde a 5% da população. Apesar da maior taxa apresentar o nível severo de audição, 60% delas não sabem se comunicar pela Língua Brasileira de Sinais (Libras). Por isso, muitos surdos recorrem a leitura labial.

Para o professor, Douglas Eliakim, que dá aula de libras para cerca de 150 alunos, as aulas virtuais, apesar de ser a opção mais viável no momento, não são a mesma coisa para os alunos que estão no desenvolvimento comunicacional em libras. “Presencialmente eu consigo corrigir e dar suporte aos meus alunos quando necessário, já online não é possível”, acrescenta.

Enquanto a língua portuguesa é oral-auditiva, a compreensão da Libras está relacionada a movimentos manuais e expressões faciais com organização gramatical própria e estruturas frasais flexíveis, por isso a importância de se aprender a linguagem desde a escola. Além disso, nem todos os surdos dominam a língua portuguesa. Pois a língua de sinais possui morfologia, sintaxe e regras gramaticais próprias — o que a qualifica não como muleta da língua falada, mas como um idioma completamente independente. Por conta disso, nem sempre um texto escrito será o suficiente para os surdos, muitos dos quais têm a Libras como língua materna, nem mesmo as reportagens escritas ou o closed caption da televisão contemplam todos surdos no Brasil.

Redação do Enem de 2017 trouxe como tema de redação a inclusão dos surdos no ambiente escolar

Em 2017 a prova do Enem trouxe como tema a inclusão dos surdos no ambiente escolar. A redação tinha como proposta debater o cenário de inclusão das necessidades dos surdos em ter acesso a libras. Todos os anos a prova traz reflexões e debate acerca da inclusão de tema sociais e além de trazer em pauta questões importantes como, caminhos para combater o racismo no Brasil”.

Dentro do ensino, a simples presença de surdos e ouvintes no mesmo ambiente não é suficiente. Para eles, a presença por si só não promove a real integração da comunidade no meio do ensino. O que de fato não promove a compreensão do estudo ministrado. Esse cenário só retrata o quanto o sistema escolar ainda está longe, de fato, de integrar os alunos surdos com eficiência no ensino. Além disso, também há um despreparo de profissionais da educação e a ausência de uma comunicação eficiente com os alunos que precisam da Libras.

Apesar de ao longos dos anos haver debates sobre o assunto, o sistema que integra os surdos ao ensino de qualidade está longe de acontecer, ainda mais durante a pandemia. Onde o modelo de classe mista foi adotado, e o conteúdo não é ministrado especificamente para os alunos que possuem deficiência. A atuação do professor como mero intérprete não é capaz de oferecer a atenção que o deficiente auditivo necessita. Como resultado disso, o aluno se sente rejeitado e permanece segregado e impossibilitado de estabelecer conexões reais com o processo de aprendizado com os outros alunos.

Se o ensino acessível já tinha as suas dificuldades antes da pandemia, agora perante o cenário remoto e o distanciamento das salas de aula e a interação, com certeza as dificuldades são ainda piores. Por isso o Dia Nacional da Educação de Surdos traz reflexão sobre as barreiras na trajetória estudantil de pessoas com limitações na audição, diante da suspensão de aulas presenciais, que amplia a necessidade da acessibilidade do ensino.

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