Economia

Ajustes são necessários porque mundo mudou, diz ministro

diario da manha
O que o País está fazendo tem relação com nossos parceiros comerciais, diz Levy (Divulgação)

Joaquim Levy diz que quando é preciso colaboração, todos ajudam, resultando em reequilíbrio das contas

Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse ontem, em palestra para empresários da Associação Comercial de São Paulo, que o fundamento do que o governo está fazendo na economia está relacionado às mudanças políticas executadas pelos principais parceiros mundiais do Brasil.
“A presidente Dilma Rousseff fala que o mundo mudou não porque é uma desculpa, mas porque precisamos nos adaptar: senão, fica impossível continuar com a política anticíclica. Primeiro, porque as contas não aguentam; segundo, porque nossos parceiros estão em outra”, explicou. “O que vimos de queda de preços de commodities e de aumento do câmbio é consequência do fim da política anticíclica desses países. Agora não temos muito mais o quer escolher. Temos que nos adaptar”, acrescentou.
Segundo ele, a boa notícia é a de que, no Brasil, quando é preciso adaptação a momento delicados, todos colaboram, resultando em reequilíbrio das contas. O ministro citou, como exemplo de colaboração de todos os setores da sociedade, a percepção de que o ajuste fiscal não aumentará impostos e sim reduzirá a desoneração de itens, medida aprovada em determinado momento com objetivo específico.
“As medidas adotadas agora nada mais significam do que ajustar a economia a uma nova situação e eliminar algumas coisas feitas em um período em que se falava de política anticíclica. Não havia presunção de persistência nessas questões para sempre porque são itens insustentáveis do ponto de vista fiscal”, disse.
Levy ressaltou que a presidente Dilma Rousseff está absolutamente tranquila e confiante sobre o caminho a ser seguido. Para ele, mesmo que a presidenta Dilma tenha de consultar o Congresso Nacional, adotará o caminho por ter consciência de que o país é democrático.
Ele acrescentou que o contato do governo com o Congresso será feito com base em um trabalho de convencimento. “O objetivo das medidas é trazer tranquilidade aos negócios, já que o mercado mudou e se não mudarmos também teremos problemas.”
O ministro lembrou que os gastos públicos continuam altos e acrescentou que é preciso fazer ajustes para mostrar ao setor privado um cenário que dê confiança. “Queremos evitar cenários muito desfavoráveis, porque aí fica muito difícil trabalhar. Se fizermos no tamanho necessário, rapidamente teremos um cenário no qual as pessoas podem sentir o chão firme, começar a trabalhar com menos incerteza e correr riscos.”
Levy disse ainda que é preciso uma ação rápida para criar estabilidade a fim de que o país volte a crescer. “Pagamos o custo, mas temos benefício. O governo, além de fazer ajustes, tem atividades que incentivarão a retomada das concessões com maior envolvimento do capital privado. Estamos trabalhando com diversos vetores para permitir que a economia volte a crescer com base sólida. Olhar para uma nova etapa será cada vez mais importante, mas só poderemos ir adiante se a etapa inicial estiver completa.”

Ministro da Fazenda pede apoio para as medidas econômicas

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pediu ontem apoio da população ao ajuste fiscal, dizendo que o reequilíbrio das contas públicas precisa ser rápido para evitar cenários marcados por downgrade, crise cambial e inflação alta.
“O apoio da população ao ajuste é muito importante. As razões dele estão claras”, disse.
As declarações do comandante da equipe econômica foram feitas em encontro com empresários em São Paulo nesta segunda-feira, um dia após manifestações gigantes tomarem as ruas do país em protestos contra o governo da presidente Dilma Rousseff, marcado por baixo crescimento, inflação alta e aperto nas contas públicas.
“Se fizermos ajuste rápido, as pessoas poderão sentir chão firme para começar a trabalhar”, disse o ministro.
Levy lidera um duro ajuste fiscal marcado por aumento de tributos, redução de gasto público, revisão de benefícios trabalhistas e previdenciários, fim de subsídios e revisão de desonerações ao mesmo tempo em que tenta transmitir mensagem de melhora do ambiente de negócios.
Mesmo com autoridades da área econômica indicando uma perspectiva mais positiva, a economia continua mostrando dados desanimadores.
Em janeiro, a atividade econômica brasileira registrou retração de 0,11 por cento ante o mês anterior, de acordo com dados do Banco Central divulgados nesta segunda-feira, num prenúncio de mais um ano difícil.

AJUSTE NO DÓLAR
Levy considerou que o “ajuste” no dólar e a desvalorização das commodites são consequência do fim de políticas anticíclicas nos Estados Unidos e na China.
Na manhã de segunda-feira, a moeda norte-americana recuava ante a divisa brasileira, após fechar na máxima em quase doze anos na sessão anterior, subindo mais de 2,5 por cento em meio a incertezas sobre o futuro do programa de swaps cambiais.
A fim de estimular a retomada de investimentos, o ministro disse que as concessões serão retomadas, mas podem ter novas bases.
“Vamos retomar as concessões, talvez em bases diferentes, para permitir maior participação do capital privado.”
Ele também voltou a falar em mudanças nos tributos federais PIS e Cofins em formulação no Ministério da Fazenda, explicando que o objetivo é a simplificação do tributo.

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