Economia

O que o produtor deve fazer para ter lucro

diario da manha
Maurício explica que ainda hoje há pecuaristas que têm problemas na pesagem

A Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) promove cinco encontros regionais da pecuária de corte em parceria com os respectivos sindicatos rurais

Wandell Seixas Especial para Diário da Manhã

Há uma máxima dos produtores que diz que o agronegócio sempre vai bem da porteira para fora. Isto é, na propriedade o pecuarista ou agricultor em geral planta e colhe. No processo de venda dos grãos, carnes e leite e outros produtos, ele toma na cabeça. No geral falta informação sobre gestão e sobre a negociação do que produz. Na tentativa de contornar o problema, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) entendeu por bem promover uma série de cinco encontros regionais da pecuária de corte em parceria com os respectivos sindicatos rurais.
Rodrigo Albuquerque, médico veterinário por profissão e especialista em mercado do boi bordo, está percorrendo os municípios visados e destacando a importância das ferramentas que visam auxiliar os produtores a realizarem a comercialização da melhor maneira possível. O cenário econômico e as perspectivas para a pecuária de corte são apresentados aos participantes. Durante a apresentação, Rodrigo apresentou o ciclo percorrido pela carne, mas na cidade bateu forte na fase que sucede a criação do animal: a comercialização, englobando o atacado, o varejo e a exportação.
O analista falou sobre a relação entre pecuaristas e frigoríficos e apresentou o cenário nacional. “Houve, nos últimos 10 anos, uma enorme concentração dos frigoríficos, consolidando três empresas que se tornaram multinacionais e multiproteínas. Em um ano a carne, com e sem osso, subiu entre 15 e 30%. Ambas, bem acima da inflação, que foi de 6,41%. Dentro desse cenário é preciso avaliar bem a saúde financeira do frigorífico para o qual você vende o animal, principalmente se for a prazo”.
Nesse contexto, Rodrigo fez questão de citar o Pesebem, programa que ajuda a aferir o peso de cada animal antes da venda, e que se resume na instalação de uma balança exclusiva e independente dentro de alguns frigoríficos para também pesarem as carcaças.
O produtor paga R$ 1,41 pela pesagem de cada animal, mas segundo Maurício Velloso, o preço – que equivale a menos de 200 gramas de carne – não pode ser levado em conta diante do custo-benefício. “Vale lembrar que a criação do Pesebem não aconteceu de cima para baixo. Ele foi desenvolvido pela Faeg por uma exigência dos pecuaristas que vinham enfrentando problemas com as balanças dos frigoríficos. Isso demandou tempo, mobilização da classe, embate com as empresas. Foi uma luta muita grande até que conseguimos desenvolver o programa”, explica Velloso. A opinião é compartilhada pelo vice-presidente do Sindicato Rural de Nova Crixás, Murilo Boss Caiado, que fez questão de elogiar a iniciativa e o programa.
Maurício explica ainda que ainda hoje há registro de pecuaristas que enfrentam problemas na pesagem e que isso faz urgente a adesão dos produtores ao programa. Para defender o Pesebem, Velloso utiliza dois aspectos: o classista e o econômico. “No âmbito classista é válido lembrar que uma conquista não pode ser perdida sob pena dos pecuaristas se enfraquecerem. O programa precisa permanecer vivo para que nos possamos proporcionar aos companheiros os avanços necessários nesse acompanhamento do abate. Já quanto o aspecto econômico, o pecuarista pode se certificar com a ajuda de uma balança que não é da Faeg, é dele”.

Varejo
Rodrigo Albuquerque também falou sobre o varejo, explicando que para manter o escoamento de venda de carne, ele precisou reduzir suas margens ao longo de 2014. “O acréscimo de preço foi de 11,5%, bem abaixo dos outros elos, mas bem acima da inflação. Quanto mais perto do elo consumidor final da cadeia, menor foi o repasse das valorizações da carne bovina”, pontua.

Exportação
“A carne brasileira ganhou o mundo”, disse o analista ao se referir aos 20% da produção bovina que deixa o País. “Há 10 anos lideramos as exportações mundiais de carne”, disse, acrescentando que o alimento vai para 123 países, mas com venda concentrada em apenas sete – número que deve crescer com a já confirmada abertura da China e a possível abertura dos Estados Unidos.
Além de Nova Crixás, o circuito é composto por outros cinco municípios – Posse, Caiapônia, Mineiros, Itarumã e Ipameri. Estão previstos encontros hoje, 18, em Mineiros, no Tatersal do Parque de Exposições – Av. Ino Resende – Trevo da BR-364; 19, em Itarumã: Parque de Exposições Agropecuárias – Rua Jataí n° 4 – Setor de Clubes; e dia 20, em Ipameri: Salão do Sindicato Rural – Rua José Balduíno dos Santos n° 770, Centro.
(Com o apoio de Michelle Rabelo e Larissa Melo, da Assessoria de Imprensa da Faeg).

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