Economia

Parque do Cerrado já tem dia para ser apresentado

diario da manha
Guilherme Takeda, um dos arquiteto que tem usado a criação colaborativa no Brasil (Divulgação)

Arquitetos irão concluir o projeto básico e apresentá-lo à comunidade no dia 8 de abril

Da Assessoria
Jardins e playground são dispositivos comuns em parques de todo o País. Mas um parque pode ser muito mais que isso. Pode ter museus, cinema, jardim sensorial, coleta seletiva, pista de cooper e academia ao ar livre e até plataforma de bungee jump, percurso de arborismo e pista de bicicross e outros equipamentos. Estas foram apenas algumas das centenas de ideias de que surgiram durante o Workshop do Projeto do Parque do Cerrado, realizado com a participação de mais de 100 pessoas no Centro Cultural Oscar Niemeyer.
Todo este público deu vazão à criatividade e ajudou a definir, com 100% de consenso, o esboço do maior parque da Capital. Este foi o objetivo central do evento, que colocou a sociedade como protagonista do projeto. Divididos em grupos de 10 participantes, eles foram estimulados a colocar no papel o parque de seus sonhos, assim como resgatar aquilo que cada um considerava ser seu patrimônio imaterial, ou seja, hábitos e brincadeiras que fizeram parte do passado e deveriam ser compartilhadas com a nova geração. Esta modalidade criativa tem nome, chama-se charrette, vem sendo aplicada comumente nos Estados Unidos e Europa, e chegou a Goiânia para dar forma ao Parque do Cerrado.
Sob a coordenação de Guilherme Takeda, um dos arquiteto que têm aplicado esta modalidade de criação colaborativa nos Brasil, durante dois dias (11 e 12 de março), os participantes abusaram das cores em seus desenhos que, depois de prontos, eram fixados nas paredes de vidro. “O resultado foi muito positivo. No último dia, todas as ideias foram apresentadas e o grupo definiu quais seriam os equipamentos prioritários, o que aconteceu com 100% de consenso. Agora, o próximo passo é reunir a equipe técnica e passar tudo isso para o papel, de forma que possamos filtrar erros e atender o máximo desses sonhos”.
O próximo encontro com a população já está agendado para o dia oito de abril, também no Centro Cultural Oscar Niemeyer, para apresentação do masterplan do parque, que será definido com base no mosaico obtido no workshop. “Com as ideias captadas, vamos reunir a equipe técnica, passar tudo isso para o papel, de forma que possamos filtrar erros e para apresentar a proposta mais fidedigna para toda a cidade”, frisa Guilherme Takeda.

Sociedade
Cerca de 20 dias antes, a comissão organizadora do evento divulgou a realização do Workshop Parque do Cerrado por meio da internet, imprensa, flyers e outras mídias. Convites foram distribuídos à população. Animada com a ideia, a engenheira Sara Carneiro (foto) atendeu ao chamado, motivada pelo direito de falar e de ser ouvida. Nunca tinha tido a oportunidade de participar de uma proposta como essa. “A charrette é uma abordagem interessante, com participação da população. Apesar de ter muitas áreas verdes, Goiânia tem diversas carências, mas aqui estou para contribuir para que elas deixem de existir”, afirma.
Para ela, que mora ao lado da área onde o parque será construído, Parque Lozandes, é imprescindível que a administração pública invista em mais iniciativas como essa, para solucionar problemas como a segurança nos parques, por exemplo. “Vim para ser ouvida e esperar que minhas ideias, na área de sustentabilidade, sejam utilizadas. Estou esperançosa”, sublinha ela, que sugeriu a criação de um jardim sensorial e a colocação de “inúmeras” lixeiras.
Empresário e mountain biker, Vanderley Alcântara também aceitou a ideia da charrette com prontidão. Para ele, normalmente, projetos de áreas públicas são impositivos e raramente a população é ouvida. “Estou aqui pela minha vontade de participar, colocar as mãos na massa para fazer acontecer. Esse deve ser o foco dos projetos, estamos todos transbordando de ideias. Essa é uma iniciativa muito boa, todo mundo aqui é unânime quanto a isso”.
Ciclista há vários anos, participou com ideias que resolvem as latentes carências de mobilidade da cidade, com ciclovias, trilhas de mountain bike e segurança. “Atualmente, ou a gente anda em grupo, para se proteger, ou andamos em condomínios fechados, como no meu caso. O risco é alto, nosso equipamento é caro e não nos sentimos à vontade nos parques existentes. Mas este, o Parque do Cerrado, eu pretendo utilizar”, reforça.
Apesar de ter participado apenas do segundo dia de evento, a ilustradora Lourdes Pinheiro não perdeu tempo. Casada com o escritor Pedro Ivo, ambos conduzem o projeto Cerrado na Escola, 14 livros infantis que divulgam animais típicos desse bioma para crianças. Para eles e seu filho Gabriel Peres (6), o workshop tem tudo a ver com educação. “Quando soubemos do evento, não pudemos deixar de vir. É uma oportunidade muito interessante para reforçar nossa cultura, além de poder contribuir com a cidade ao passo em que atendemos as nossas necessidades”, observa Lourdes.
O Workshop do Parque do Cerrado foi resultado de uma parceria público-privada entre a Prefeitura de Goiânia, através da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma), Fórum Goiano de Habitação (integrado pelas instituições do setor imobiliário Ademi, Secovi e Sinduscon), Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e Euroamérica Incorporações.

Comentários

Mais de Economia