Economia

Vendas no varejo sobem 0,8%, mas não revertem fragilidade do setor

diario da manha
Os setores que se destacaram tiveram influência de promoções e liquidações (divulgação)

Na comparação com o mesmo mês de 2014, as vendas varejistas avançaram 0,6 por cento em janeiro

Reuters
As vendas no varejo brasileiro subiram 0,8 por cento em janeiro sobre dezembro, em um resultado melhor do que o esperado mas insuficiente para compensar a forte queda vista no fim do ano passado e que não afasta o cenário de fragilidade do setor em meio a um ambiente de debilidade econômica.
O resultado mensal do primeiro mês deste ano foi o mais forte para meses de janeiro desde 2012 (quando cresceram 2,5 por cento), mas isso depois de o setor ter visto as vendas recuarem 2,6 por cento em dezembro sobre o mês anterior, interrompendo quatro meses seguidos de alta.
Na comparação com o mesmo mês de 2014, as vendas varejistas avançaram 0,6 por cento em janeiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. Apesar da alta, foi a leitura mais fraca para o mês em 12 anos, destacando a fraqueza vivida pelo setor diante da inflação alta e da baixa confiança do consumidor.
“Os setores que se destacaram tiveram influência de promoções e liquidações de telefones, iPads (tablets), TVs, roupas, visto que o Natal não foi muito bom para o comércio”, explicou a coordenadora da pesquisa no IBGE, Juliana Vasconcellos, acrescentando que houve ainda o efeitod a base muito fraca vista em dezembro.
“Não dá para chamar o crescimento de janeiro de recuperação. O ambiente econômico continua o mesmo de dezembro”, completou.
Ainda assim, os resultados de janeiro foram bem melhores do que as expectativas de queda de 0,5 por cento na comparação mensal e de recuo de 0,9 por cento na base anual.
RECEIO
O IBGE informou que cinco das oito atividades pesquisadas no varejo restrito tiveram alta mensal no volume de vendas, com destaque para equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (12,3 por cento) e móveis e eletrodomésticos (2,4 por cento).
Já as vendas de combustíveis e lubrificantes ficaram estagnadas em janeiro na comparação com dezembro.
A receita nominal no varejo restrito, por sua vez, avançou 1,3 por cento na comparação mensal e 6,4 por cento na base anual.
O volume de vendas no varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, subiu 0,6 por cento em janeiro sobre o mês anterior, mas com queda de 0,5 por cento nas vendas de Veículos e motos, partes e peças e recuo de 0,1 por cento em Material de construção..
“O desempenho de segmentos como veículos e material de construção mostra uma saturação dos incentivos do governo, e ainda tem um receio das famílias em gastar mais e investir nesse ambiente desfavorável”, completou Juliana.
O ano de 2015 para o setor varejista brasileiro começou como terminou o anterior com inflação alta, juros elevados e confiança do consumidor em deterioração, com piora do mercado de trabalho.
Em fevereiro, o Índice de Confiança do Consumidor medido pela Fundação Getulio Vargas renovou a mínima histórica ao 4,9 por cento.
“O cenário para o consumo privado e as vendas no varejo no curto prazo continua restrito pelo fluxo moderado de crédito tanto de bancos privados quanto públicos, altos níveis de dívida das famílias, desaceleração da criação de empregos e do crescimento real do salário”, apontou em nota o diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs para América Latina Alberto Ramos.
Ele citou ainda taxas de juros elevadas, preços maiores de serviços públicos e transportes e confiança fraca dos consumidores como pesos para o varejo.
Destaque da economia brasileira por cerca de uma década, o consumo das famílias já vem dando sinais de esgotamento há tempos, somando-se à fraqueza da produção industrial e levando economistas a projetarem na pesquisa Focus do Banco Central contração econômica neste ano de 0,66 por cento.

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