Economia

Com indicadores ruins da economia, Bolsa cai 0,90% e dólar fecha em alta cotado a R$ 3,10

Ibovespa refletiu alta do IPCA-15 e retração de 0,84% na economia mostrada pelo IBC-Br

SÃO PAULO – Após mais um rodada de indicadores ruins da economia brasileira, e a Grécia ainda no foco de preocupações, os investidores venderam ações e compraam dólares. No câmbio comercial, a moeda americana fechou em alta de 1,40% frente ao real, cotada a R$ 3,102 na venda. Na máxima do dia, a divisa subiu a R$ 3,104 e na mínima recuou até R$ 3,057. Apesar da alta de hoje, na semana, a moeda americana recuou 0,54%. Na Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, principal indicador do mercado de ações brasileiro, recuou 0,90% aos 53.749 pontos, com volume financeiro de R$ 5,6 bilhões. Na semana, o Ibovespa subiu 0,75%, o terceiro ganho semanal seguido. As prisões de altos executivos na Operação Lava Jato também impactaram o índice, especialmente as ações da Braskem, controlada pela Odebrecht.

No mercado internacional, a divisa americana também ganhou força frente às principais moedas diante do cenário de incerteza em relação às negociações da Grécia com seus credores. No cenário doméstico, as atenções estiveram voltadas a mais uma rodada de dados negativos da economia pesando sobre o cãmbio e o mercado de ações.

“O dólar ganhou força, reagindo a vários dados ruins sobre a nossa economia que mostram um cenário de inflação alta, desemprego e estagnação. Para piorar o quadro, ‘boatos’ de que o governo estaria se articulando para um corte na meta do superávit primário das contas públicas também fez preço”, afirma Jefferson Rugik, da corretora de câmbio Correparti, em relatório divulgado nesta sexta.

O IBC-Br, indicador de crescimento do país que antecipa o PIB, apontou que a economia brasileira encolheu 0,84% em abril em relação a março. A retração foi maior do que a esperada pelo mercado, entre 0,35% e 0,40%, o que impactou o humor dos investidores logo pela manhã. O mercado também ficou pessimista com o IPCA-15, prévia da inflação oficial, que acelerou para 0,99% em junho frente aos 0,60% de maio, a maior alta para junho em quase 20 anos.

Os dados de emprego também vieram ruins, o que mostra tendência de deterioração do mercado de trabalho. O Brasil fechou 115.599 vagas formais de trabalho em maio, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério do Trabalho. É a primeira vez em que as demissões superam as admissões em um mês de maio desde 1992,

– Sem dúvida os indicadores ruins refletiram negativamente no mercado de ações e de câmbio, já que a percepção é de uma deterioração mais forte do que se esperava da economia. Já existem bancos prevendo recuo de até 2% no Produto Interno Bruto (PIB) este ano e a inflação se mostra resistente em torno de 8% nos últimos 12 meses. O cenário fiscal é ruim e o superávit primário deve ficar entre 0,6% e 0,8%, frente ao 1,2% do PIB prometido pela equipe econômica. Como se vê, o quadro é muito complicado – analisa Maurício Pedrosa, sócio da Queluz Asset Management.

Com isso, diz ele, o cenário fica mais difícil para as empresas brasileiras e as ações mais líquidas como Vale e Petrobras, assim como os papéis de bancos, sofrem. Papéis ligados aos setor de varejo, que se mostra fraco, também são penalizados.

Os papéis preferenciais da Petrobras (sem direito a voto) recuaram 1,93% a R$ 13,17 e as ações PNA da Vale caíram 0,40% a R$ 17,41, acompanhando a queda do preço das commodities no exterior. As ações de bancos também fecharam no vermelho. Itaú Unibanco (PN) perdeu 1,66% a R$ 34,40 e Bradesco PN recuou 1,94% a R$ 28,20.

A maior alta foi apresentada pelos papéis preferenciais (sem direito a voto) da Oi, com alta de 5,02% a R$ 6,480. A maior queda foi das ações PNA da Braskem, com perda de 10,40% a R$ 12,40. O papel da Braskem se desvalorizou por causa da prisão do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht. A empresa tem participaçãode 50% no capital votante e 38% do capital total na Braskem. Na Bolsa de Nova York, os ADRs (recibos que valem como ações) da Braskem caíram 11,27% a US$ 8,03.

– A prisão dos executivos da odebrecht afetou os papéis da Braskem, já que a Odebrecht tem grande participação na empresa – diz Luiz Roberto Monteiro, da corretora Renascença.

O diretor presidente da Odebrecht foi detido em mais uma fase da Operação Lava jato, da Política Federal, que investiga desvio de recursos nos contratos da Petrobras.

O mercado local também digeriu o adiamento da votação do projeto de lei das desonerações, que ficou para a próxima semana. Mas por causa das festas de São João pode ter mais um adiamento por falta de quórum, segundo operadores. Outra notícia que pesou hoje no mercado foi a informação de que o governo fará uma proposta para reduzir o superávit primário de 2015 junto às lideranças do Congresso. O Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, já estaria em conversas com as agências de rating para tentar evitar um downgrade, caso esta proposta tenha êxito.

Para Maurício Cardoso é quase certo que a Moody’s rebaixe a nota brasileira nos próximos meses, mas ainda sem tirar o selo de grau de investimento do país.

Nesta sexta, começaram a ser negociadas as ações da rede de churrascarias Fogo de Chão na Nasdaq, nos Estados Unidos. Os papéis abriram em alta de 25,95% cotados a US$ 25,19 e chegaram a subir 32,7%. Fecharam com ganho de 28,75% a R$ 25,75. A empresa precificou sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em US$ 20 por ação, avaliando a empresa em US$ 545 milhões. A companhia levantou US$ 88,2 milhões depois da oferta de mais de 4,4 milhões de ações, precificada acima do intervalo esperado, que era de US$ 16 a US$ 18, segundo informações da agência Reuters. A Fogo de Chão conta com 10 restaurantes no Brasil e outros 26 nos EUA e um no México, e pediu o registro para negociar seus os papéis na bolsa eletrônica americana em abril passado.

Na Europa, as principais bolsas fecharam em alta, com exceção da Alemanha, favorecidas pelo rali das ações nas bolsas americana ontem, apesar das preocupações com a Grécia. Ainda não há solução para o impasse das negociações de Atenas com os credores internacionais, e uma cúpula de emergência de líderes da zona do euro foi convocada para tratar do assunto na segunda-feira. Nos Estados Unidos, os principais índices recuaram com as preocupações sobre a falta de um acordo entre os gregos e seus credores.

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