Economia

Críticas ao uso indiscriminado de agrotóxicos

A proposta do seminário é o de estimular o debate entre os diversos setores relacionados ao uso de agrotóxico sobre os impactos desses produtos no meio ambiente e na saúde humana e dos bichos

diario da manha

 

 

 

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi comemorado ontem, 12, com um seminário a respeito pelo Ministério Público, no auditório do edifício-sede da instituição. Em sua terceira edição, não foram poupadas críticas ao uso indiscriminado de agrotóxicos, que contaminam o meio ambiente, com os recursos hídricos, os alimentos e em consequência as pessoas e os animais.

O evento teve como objetivos principais promover o compartilhamento de experiências que alcançaram êxito do MP na resolução de problemas ambientais pela via extrajudicial, por meio do Programa Ser Natureza.

A programação constou de uma parte musical na solenidade de abertura com Os Menestréis, causando emoção e arrancando aplausos gerais da platéia, sobretudo com Aquarela do Brasil, de Ari Barroso.

Na sequência da solenidade, o procurador-geral de Justiça, Lauro Machado Nogueira, confessou que “tenta imprimir uma rotina de trabalho sobre a questão ambiental”. E, assim, realiza o terceiro seminário do meio ambiente. O uso do agrotóxico de forma indiscriminada mereceu um alerta de sua parte. E enalteceu o trabalho da Emater, da Saneago e da Secima para proporcionarem uma agricultura sem questionamentos e a oferta de produtos saudáveis ao consumidor.

 

Participação da sociedade

Pedro Luiz Serafim da Silva, coordenador do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, anunciou que o País já conta com 16 fóruns e o último foi criado em Brasília. Disse que, com as reuniões patrocinadas pelo sistema, os grandes problemas e respectivas soluções tornam-se conhecidos. Como o antecessor na tribuna, chamou a atenção para a necessidade da preservação ambiental, da alimentação saudável e condenou o uso indiscriminado de agrotóxicos. Pedro Serafim foi enfático quanto à necessidade da participação da sociedade. “Não basta a lei e nem o empenho do Ministério Público, porque a resposta tem que vir da sociedade”, concluiu.

Se colocando “na trincheira ambiental como um soldado”, o deputado Manoel de Oliveira (PSDB), presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Goiás, reclamou da ausência de fiscalização do meio ambiente no Rio Araguaia. Segundo o parlamentar, “quem pratica a pesca predatória nem é o turista, mas a própria população ribeirinha”. Em sua visão, o turista está consciente de que o peixe que pesca segue determinados parâmetros em seu tamanho. Para ele, na região de Barra do Garças, Aruanã e outros municípios que margeiam o Araguaia há dezenas de canoas de pescadores que não se importam com as dimensões dos pescados. O que importa é a comercialização de pescados, conforme observou.

 

Brasil, 1º do ranking dos agrotóxicos

Suelena Carneiro Caetano Jácomo, coordenadora do Fórum Ambiental em Goiás, informou que o sistema vai gradativamente ocupando espaços. Segundo ela, já são 40 municípios com grupos de trabalho atuando na área. A discussão consome novos assuntos, além das embalagens de agrotóxicos. Suelena lamentou que o Brasil seja o primeiro colocado no ranking desse consumo. Relacionou uma série de doenças causadas como decorrência direta.

Pela literatura a respeito, embora reconheça que faltam dados exatos sobre a questão, são mais de 400 mil pessoas acometidas por doenças causadas pelo uso indiscriminado desse tipo de insumo. As propagações ocorrem pelo ar, pelo alimento, pela água. A decorrência direta é o numero de vítimas fatais, que chegam a quatro mil por ano, “fora os 300 mil casos ocultos”, ou de difícil identificação. Suelena Carneiro enalteceu a presença do Inca (Instituto Nacional do Câncer) no combate aos pesticidas, entre os quais o glifosato.

Além das palestras e uma mesa-redonda, a programação constou de assinatura de termo de cooperação técnica entre o Ministério Público e o Lyons Clube, o lançamento do 2º Prêmio MP-GO de redução de consumo de materiais de impressão e a apresentação das iniciativas do Ser Natureza desenvolvidas nas comarcas de Anápolis, Ceres e Sanclerlândia. No período da tarde, acontecem palestras e debates, abordando temas relacionados aos impactos dos agrotóxicos no meio ambiente e na saúde.

 

 

 

 

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