Economia

Dólar acentua queda e vale R$ 3,06 após banco central americano manter juro baixo

Bolsa de Valores cai influenciada pelo vencimento de apções e contratos futuros

SÃO PAULO – O dólar comercial acelerou a queda nesta tarde após o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, manter o juro entre zero e 0,25% ao ano e divulgar um comunicado mais brando, sinalizando que a elevação das taxas deve acontecer de forma gradual. Às 16h22m, a moeda americana recuava 1,13% negociado a R$ 3,061 na venda, a mais baixa cotação desde o dia 22 de maio. Após a divulgação do Fed, a moeda americana atingiu a mínima do dia baixando até R$ 3,053. Na máxima, foi negociado a R$ 3,105. O dólar comercial segue movimento também visto no exteriuor.

Na Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, índice de referência do mercado de ações brasileiro, também oscilou próximo da estabilidade na abertura, mas passou ao campo negativo. Às 16h24m, o Ibovespa apresentava queda de 0,58% aos 53.390 pontos e volume negociado de R$ 4,9 bilhões. O índice foi influenciado pelo vencimento de opções e contratos futuros no início da tarde.

Para o economista-chefe da Sul América investimentos, Newton Rosa, afirmou que a decisão do Fed veio em linha com o pesrado com o mercado. Segundo ele, o comunicado divulgado não mudou muito em relação aos anteriores, mas trouxe alguns detlahes mais otimistas em relação ao crescimento da economia e do mercado de trabalho. Mas o documento, segundo Rosa, continuou sinalizando que os juros devem subir este ano, ainda que de forma gradual.

– Na entrevista que a presidente do Fed, Janet Yellen, concedeu ela sinalizou que a alta de juros deve ser feita de forma gradual de modo a evitar turbulências no sistema financeiro. O Fed deverá ser batente cuidadoso nesse sentido. A própria economia americana mostra melhoras, mas ainda está abaixo do potencial de crescimento. O consumo continua fraco, alguns setores se ressentem da economia mundial mais fraca. O próprio Fed reduziu a perspectiva de crescimento dos EUA este ano e nos próximos. Portanto, é um cenário que não exige pressa para elevação de juros. Isso levou o dólar a recuar frente ao real e a outras moedas no exterior – explicou o economista.

Ele acredita que, diante desse cenário, o Fed não deve elevar os juros em setembro, deixando a decisão para a reunião que acontece mais próxima ao final do ano.

Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest, avalia que, mais importante do que a data do aumento da taxa de juro, é a velocidade com que isso acontecerá.

– Tudo indica que a velocidade de alta será lenta, já que ainda há muitos problemas na economia mundial. A Grécia também está no foco do mercado, mas acredito que apesar da ameaça o país deverá permanecer na zona do euro – afirmou Cardoso.

Para o estrategista macro da XP Securities, Paulo Hermanny, o Fed poderá subir os juros já em setembro deste ano, se os próximos dados da economia americana mostrarem que o crescimento foi retomado de forma consistente, independente de fatores sazonais. Na estimativa de Hermanny, os juros subiriam 0,25 ponto percentual este ano e, a partir de 2016, mais 0,25 a cada reunião. Com isso, os juros nos EUA chegariam a 3,75% em 2017.

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No cenário doméstico, Marcio Cardoso destaca o vencimento de opções e contratos futuros do índice, que trouxe mais volatilidade ao pregão no início da tarde. Ele lembra que ainda está no radar do mercado a possibilidade de que a agência de classificação de risco Moody’s rebaixe o rating do Brasil, sem perder o grau de investimento.

– O vencimento de opções e contratos futuros tem impacto nas ações da Petrobras – diz Cardoso.

As ações preferenciais da petrolífera (sem direito a voto) subiram pela manhã, mas inverteram o sinal. Às 16h30m, elas recuavam 0,67% a R$ 13,27. Esses papéis são os mais negociados do pregão com volume de R$ 466 milhões. As ações de bancos, que têm o maior peso no Ibovespa, também recuam. Os papéis preferenciais do Itaú Unibanco perdem 0,92% a R$ 34,24 e os PN do Bradesco caem 1,05% a R$ 28,02.

As ações ordinárias da Tim Participações apresentam a segunda maior alta do índice com valorização de 3,53% a R$ 9,98 com a notícia de que a Vivendi pode aumentar sua participação na empresa italiana para até 15%, tornando-se a maior acionista da Telecom Italia. Na Bolsa de Milão os papéis da empresa também apresentaram forte alta.

O preço do minério de ferro cai pelo quarto dia consecutivo na China, o que prejudica as margens das siderúrgicas. Os papéis preferenciais da Gerdau Met, por exemplo, perdem 3,42% a R$ 7,05, a terceira maior queda do Ibovespa. As ações PNA da Vale também recuam 0,29% a R$ 16,98.

A Maestro Frotas, uma das principais empresas de locação de frotas corporativas do País, ingressou nesta quarta no Bovespa Mais, segmento de acesso à BM&FBovespa. O Bovespa Mais é destinado a empresas médias e permite que as empresas listem suas ações, antes de realizar a abertura de capital. Ao listar seus papéis nesse segmento, a Maestro aumentará sua visibilidade frente aos investidores. Desde fevereiro de 2014 não havia novos ingressos no Bovespa Mais, que tem mais oito empresas listadas. A Maestro tem 2.618 veículos e 100 clientes, além de contar com investimentos do Grupo Stratus, de private equity.

Na Europa, as principais Bolsas fecharam em queda com a ameaça da da Grécia de deixar a zona do euro. Nos EUA, os pregões abriram o dia em alta, inverteram para o campo negativo e voltaram a subir após a decisão do Fed.

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