Economia

Dólar comercial fecha em queda negociado a R$ 3,06 após Fed manter juro baixo nos EUA

Bolsa de Valores caiu influenciada pelo vencimento de apções e contratos futuros

SÃO PAULO – A decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, de manter o juro entre zero e 0,25% ao ano e divulgar um comunicado sinalizando que a elevação das taxas deve acontecer de forma gradual fez o dólar comercial fechar em queda frente ao real e também no exterior. Ao final da sessão, a moeda encerrou negociada a R$ 3,058 na venda, uma baixa de 1,22%, e a menor cotação desde o dia 21 de maio, quando a divisa fechou a R$ 3,04. Pela manhã, o dólar alternou altas e baixas, com os investidores à espera do anúncio do Fed. Na máxima do dia, a moeda subiu a R$ 3,105 e na mínima, atingida após a decisão do banco central americano, caiu a R$ 3,053

Na Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, índice de referência do mercado de ações brasileiro, ficou próximo da estabilidade no início dos negócios, acentuou a queda com o vencimento das opções e contratos futuros do Ibovespa, e reduziu a desvalorização na reta final do pregão. No fim do dia, o Ibovespa encerrou com baixa de 0,84% aos 53.248 pontos e volume negociado de R$ 9 bilhões. O índice e o volume financeiro elevado foram influenciados pelo vencimento de opções e contratos futuros no início da tarde.

Para o economista-chefe da Sul América investimentos, Newton Rosa, a decisão do Fed veio em linha com o que o mercado esperava. Segundo ele, o comunicado divulgado pelo Fed não mudou muito em relação aos anteriores, mas trouxe alguns detalhes mais otimistas em relação ao crescimento da economia e do mercado de trabalho. Mas o documento, segundo Rosa, continuou sinalizando que os juros devem subir este ano, ainda que de forma gradual.

– Na entrevista que a presidente do Fed, Janet Yellen, concedeu ela sinalizou que a alta de juros deve ser feita de forma gradual de modo a evitar turbulências no sistema financeiro. O Fed deverá ser bastante cuidadoso nesse sentido. A própria economia americana mostra melhoras, mas ainda está abaixo do potencial de crescimento. O consumo continua fraco, e alguns setores se ressentem da economia mundial mais fraca. O próprio Fed reduziu a perspectiva de crescimento dos EUA este ano e nos próximos. Portanto, é um cenário que não exige pressa para elevação de juros. Isso levou o dólar a recuar frente ao real e a outras moedas no exterior – explicou o economista.

Ele acredita que, diante desse cenário, o Fed não deve elevar os juros em setembro, deixando a decisão para a reunião que acontece mais próxima ao final do ano.

Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest, avalia que, mais importante do que a data do aumento da taxa de juro, é a velocidade com que isso acontecerá.

– Tudo indica que a velocidade de alta será lenta, já que ainda há muitos problemas na economia mundial. Não se pode esquecer que a Grécia também está no foco dos problemas – afirmou Cardoso.

Para o estrategista macro da XP Securities, Paulo Hermanny, o Fed poderá subir os juros já em setembro deste ano, se os próximos dados da economia americana mostrarem que o crescimento foi retomado de forma consistente, independente de fatores sazonais. Na estimativa de Hermanny, os juros subiriam 0,25 ponto percentual este ano e, a partir de 2016, mais 0,25 a cada reunião. Com isso, os juros nos EUA chegariam a 3,75% em 2017.

Também nesta quarta, o Banco Central divulgou o fluxo cambial até o último dia 12, que ficou negativo em US$ 647,0 milhões, resultado de fluxo comercial positivo de US$ 337,0 milhões e fluxo financeiro negativo de US$ 964,0 milhões. Na última semana, de 8 a 12 de junho, o fluxo foi negativo em US$ 1.029,0 bilhão, sendo negativo no comercial em US$ 415,0 milhões e no financeiro US$ 614,0 milhões.

– Isso desmistifica a tese dos fluxos positivos aos quais tem se procurado atribuir as osiclações do preço da moeda americana – diz o diretor da corretora de câmbio NGO, Sidney Nehme, em relatório.

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No cenário doméstico, Marcio Cardoso destacou o vencimento de opções e contratos futuros do índice como fator que acrecentou mais volatilidade ao pregão. Ele lembrou também que ainda está no radar do mercado a possibilidade de que a agência de classificação de risco Moody’s rebaixe o rating do Brasil, ainda sem perder o grau de investimento.

– O vencimento de opções e contratos futuros teve impacto no índice e nas ações da Petrobras, que são as mais negociadas – diz Cardoso.

As ações preferenciais da petrolífera (sem direito a voto) subiram pela manhã, mas inverteram o sinal e fecharam em queda de 0,82% a R$ 13,18. Os papéis preferenciais da petrolífera foram os mais negociados do pregão com giro de R$ 533 milhões. As ações de bancos, que têm o maior peso no Ibovespa, também recuaram. Os papéis preferenciais do Itaú Unibanco perderam 1,50% a R$ 33,94 e os PN do Bradesco caíram 1,69% a R$ 27,72.

As ações ordinárias da Tim Participações apresentaaram a maior alta do índice com valorização de 3,32% a R$ 9,96 com a notícia de que a Vivendi pode aumentar sua participação na empresa italiana para até 15%, tornando-se a maior acionista da Telecom Italia. Na Bolsa de Milão os papéis da empresa também apresentaram forte alta.

O preço do minério de ferro caiu pelo quarto dia consecutivo na China, o que prejudica as margens das siderúrgicas. Os papéis preferenciais da Gerdau Met, por exemplo, perderam 3,42% a R$ 7,05, a terceira maior queda do Ibovespa e as PNA da Usiminas caíram 3,26% a R$ 4,45. As ações PNA da Vale também recuaram 0,64% a R$ 16,85.

A Maestro Frotas, uma das principais empresas de locação de frotas corporativas do País, ingressou nesta quarta no Bovespa Mais, segmento de acesso à BM&FBovespa. O Bovespa Mais é destinado a empresas médias e permite que as empresas listem suas ações, antes de realizar a abertura de capital. Ao listar seus papéis nesse segmento, a Maestro aumentará sua visibilidade frente aos investidores. Desde fevereiro de 2014 não havia novos ingressos no Bovespa Mais, que tem mais oito empresas listadas. A Maestro tem 2.618 veículos e 100 clientes, além de contar com investimentos do Grupo Stratus, de private equity.

Na Europa, as principais Bolsas fecharam em queda com a ameaça da da Grécia de deixar a zona do euro. Nos EUA, os pregões abriram o dia em alta, inverteram para o campo negativo e voltaram a subir após a decisão do Fed.

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