Economia

Ronaldo Caiado sabota acordo para salvar Celg

diario da manha

Helvécio Cardoso,Da editoria de Economia

O presidente da CelgPar, José Fernando Navarrete, se reuniu ontem com a bancada de deputados da base do governo na Assembleia Legislativa para explicar os prejuízos que a companhia sofrerá com a supressão de dispositivo da MP 675 que trata da redução da dívida da Celg Distribuição com a geradora de energia Itaipu Binacional. Dívida que monta em R$ 400 milhões. A emenda, que propõe que a dívida dolarizada seja convertida em moeda nacional, foi excluída da MP 675 após manobra política do senador Ronaldo Caiado (DEM), que alegou que a intenção da Celg e do governo de Goiás seria facilitar a privatização da companhia. A Celg Par também se manifestou por meio de nota divulgada ontem à tarde.

“Esta medida em absoluto não está vinculada à privatização da Celg. Nós da Celg e do governo de Goiás estamos desde 2011 tentando com que essa medida se concretize. O fato é que, com a federalização, a União passou a ter interesse também na redução dessa dívida, já que ela é a proprietária de 51% da Celg. Essa discussão de tentar vincular a redução dessa dívida à privatização não procede. É uma questão de saúde da empresa e, se fosse o caso, até do fortalecimento da companhia enquanto companhia  pública, porque é o que ela é hoje”, elucidou Navarrete.

solução construída

Ele explicou que a emenda à MP 675 é resultado de acordo do governo estadual com o governo federal para dar celeridade ao processo de redução da dívida da Celg, cuja situação financeira é grave. “Foi um instrumento que o governo federal e estadual encontrou para incluir uma cláusula de tirar a variação cambial da dívida da Celg com Itaipu, jogando essa dívida ao câmbio de janeiro de 2015; portanto muito abaixo dos 3,6 de hoje para 2,69 o dólar, e selicava a dívida”, expôs.

A dívida da Celg D com Itaipu chega, hoje, a R$ 1,3 bilhão, e é dolarizada. O acordo entre o governo federal e o governo de Goiás, que teve início ainda em 2011, foi fechado em 2014 e se materializaria na aprovação da emenda, converteria a dívida em moeda nacional, com remuneração mensal pela variação da taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic).

“Essa dívida nos custa, hoje, variação cambial mais 1% ao mês, ou 12% ao ano. Essa emenda à MP extingue essa variação cambial – e todos nós estamos vendo o tanto que o dólar está subindo; mas mais do que isso, recua o câmbio para janeiro de 2015, um câmbio muito mais baixo do que hoje. Logo, a dívida cairia para R$ 900 milhões, uma redução de R$ 400 milhões, e uma dívida que ficaria alongada: dois anos de carência e oito anos para pagar”, enfatizou.

Navarrete endossou que a companhia teria carência no prazo de pagamento, redução no montante da dívida e ficaria livre da variação cambial. “Portanto, teríamos uma nova Celg, por assim dizer, com uma capacidade de investimento fortalecida. Quem se põe contra a uma medida que reduz a dívida da Celg está se colocando contra a capacidade da Celg de investir”, disse, em alusão à manobra política de Caiado, que obteve respaldo da relatora da MP, senadora Gleisi Hoffmann.

A manobra política, segundo Navarrete, ganhou força com a intromissão do ex-governador Iris Rezende, que teria enviado os deputados federais Daniel Vilela e Pedro Chaves, ambos do PMDB, para pressionar Gleisi Hoffmann e o senador Eunício Oliveira (PT) a retirar a emenda da MP.

Presente na reunião com os deputados, o presidente da Celg D, Sinval Gama, informou que somente neste ano a Celg deve investir R$ 300 milhões, valor que se aproxima ao da redução da dívida com Itaipu.

Senador Ronaldo Caiado manobrou com deputados do PMDB...
Senador Ronaldo Caiado manobrou com deputados do PMDB…
... como Daniel Vilela e outros
… como Daniel Vilela e outros

O acordo

O governo de Goiás buscava, desde 2011, restabelecer a Celg como adimplente. Em 2012 a companhia se tornou adimplente e trabalhou para que a dívida com Itaipu fosse indexada em Selic. O governo estadual conseguiu o consentimento do governo federal após diversas tentativas de transformar a dívida, indexada em dólar, em moeda nacional.

“O que aconteceu é que essa redução da dívida da Celg tramitava em uma medida que não era do setor elétrico, ela dizia respeito a bancos. Então, o acordo foi retirá-la por uma questão temática e incluí-la em uma Medida Provisória que está tramitando e que é pertinente ao setor elétrico. A decisão de ter ido agora nessa medida, que não é tematicamente pertinente, a MP 675, é porque a situação financeira da Celg é dramática. Então, quanto antes haja aprovação, melhor. Quanto mais postergar, mais a companhia vai sangrando”, explicou Navarrete.

O senador Ronaldo Caiado usou  o argumento de que a cláusula favoreceria a federalização da companhia. Conforme informou Navarrete, a emenda foi vinculada a outra Medida Provisória, a 677, que reporta ao setor elétrico e deve ser votada na próxima semana. Entretanto, caso o jogo político capitaneado por Caiado continue dando certo, a votação pode ser trancada novamente, e a efetivação do acordo postergada. “E a Celg ganharia, da noite para o dia, uma dívida de R$ 400 milhões”, reiterou.

Comentários

Mais de Economia