Economia

Bitcoin, a moeda digital, cria polêmica no mundo

diario da manha
Bitcoin, a moeda digital, cuja aplicação está rendendo cifras astronômicas ao investidor(Foto:LUSTRATIVA)

Nas últimas semanas uma moeda praticamente des­conhecida da quase tota­lidade do público vem sendo di­vulgada com certa insistência pelos meios de comunicação. Seu nome: bitcoin, a moeda digital, cuja aplica­ção estaria rendendo cifras astro­nômicas ao investidor. Como toda novidade, encontra de imediato os prós e os contras.

É considerada a primeira moe­da digital mundial descentraliza­da, e responsável pelo ressurgi­mento do sistema bancário livre. Para os seus defensores, o prin­cipal argumento é que pessoas comuns estão se tornando milio­nárias. E apontam vários casos, certamente reais. Os contrários reagem, chamando a atenção para a falta de garantia do sistema.

As manchetes são de fato cha­mativas pelo que se pode ver: “Ex­-morador de Paraisópolis fatura R$ 1,4 milhão com Bitcoins” (Globo. com); “Garoto de 15 anos abre star­tup após lucrar R$ 200 mil com Bit­coins” (Estadão); “Adolescente fica milionário aos 18 anos usando Bit­coins” (InfoMoney); “Homem com­pra US$ 27 em Bitcoins e, quatro anos depois, eles valem US$ 1 mi­lhão” (UOL).

Pelo que se percebe o público torna-se presa fácil. Afinal, quem não rala para ganhar um dinhei­rinho a mais? E ficar rico da noi­te para o dia, quem não quer? Ou­tros seguem os conselhos dos avôs: “quanto a esmola é grande, o santo desconfia”. Tanto assim que o Ban­co Central, responsável pelo sistema financeiro no Brasil, reagiu. Marcos Vilela Fonseca, presidente do Sin­dinformatica, é um expert no as­sunto, faz uma abordagem aos lei­tores do Diário da Manhã.

BC REAGE CONTRA

O presidente do BC, Ilan Gold­fajn, alertou no começo da sema­na para o risco de bolha no merca­do de moedas virtuais. Nos últimos dias, o interesse pelo bitcoin dispa­rou diante da valorização da cripto­moeda – a cotação alcançou 17.264 dólares, alta de 2.113% no ano.

“Moedas virtuais do jeito que estão hoje com essa subida ver­tiginosa, onde não há lastro, não há ninguém para regular, levam a um risco tal que o Banco Central emitiu um comunicado alertan­do para os riscos”, comentou. Ele destacou que essas moedas têm atualmente duas funcionalidades. Uma delas é comprar para vender na frente com a alta. “É uma bolha, uma pirâmide”, disse.

A outra “funcionalidade” é usar como instrumento de atividade ilí­cita. “Usar as moedas virtuais não isenta da pena, da punição”, alertou. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários alertou também quinta­-feira para o investimento em pro­dutos relacionados com ‘bitcoin’ ou outras moedas virtuais, aconse­lhando os investidores a avaliarem bem os riscos quando decidem in­vestir o dinheiro.

REPERCUSSÃO EM GOIÁS

Ao fazer uma análise do investi­mento em bitcoin para o Diário da Manhã, Marcos Vilela Fonseca, pre­sidente do Sindinformática – Goiás, diz que “muitas pessoas têm dúvi­das se devem ou não comprar bit­coins como investimento”. Segun­do o expert no assunto, “questões como segurança, rentabilidade e confiabilidade permeiam a imagi­nação de futuros investidores”.

E adianta não ser sua pretensão “discutir o aspecto técnico da ori­gem da bitcoin por via da revolu­cionária tecnologia blockchain que, possibilitou o lançamento de outras criptomoedas, alem de abrir uma nova fronteira em informações dis­tribuídas. Porém, para o investidor talvez seja relevante saber que serão emitidas apenas 21 milhões de bit­coins, pelo menos é o que prevê o al­goritmo utilizado para sua criação”.

E ressalta: “Além disso o nível de complexidade de mineração é crescente tornando cada vez mais difícil acessar as últimas moedas, atualmente cerca de 16,7 milhões foram mineradas”. Marcos Fonseca observa, ainda, que “as criptomoe­das como a bitcoin não tem um banco central emissor, sua admi­nistração é distribuída, com verifi­cação e validação em muitos com­putadores mundo afora”.

Segundo ele, “funciona como um ativo imaterial (não existe lastro equivalente ao seu valor em ouro ou outro ativo material deposita­do em algum lugar). Seu valor va­ria conforme a demanda, oferta e expectativa de valorização. Ao ad­quiri-la o seu proprietário recebe-as em uma conta virtual de bitcoins, acessível por usuário e senha, a pró­pria bitcoin é uma seqüência crip­tografada, a tal blockchain, tornan­do muito difícil a identificação dos seus proprietários, daí a resistên­cia de vários governos em aceitá-la”.

Em sua opinião, “isso, por um lado, pode explicar a sua procu­ra e valorização meteórica, seja para esconder patrimônio, utili­zar transferências instantâneas sem custo para qualquer pessoa no mundo e até mesmo como hed­ge em países cuja moeda local so­fre grande desvalorização como na Venezuela, por exemplo”.

“Além disso, sua impenetrável identificação a torna ideal para operações criminosas (não que tenha sido criada para isso)”, con­fessa do DM. E acrescenta: “Tudo isso acabou por fermentar sua procura e elevar seus preços em­bora frequentemente sofra sola­vancos e alertas de bolha”.

A bitcoin pode ser fracionada e comercializada em até 0,0000001 bitcoin essa menor fração é cha­mada de Satoshi em homenagem ao seu criador. A quem aposte que quando chegar próximo do limi­te uma bitcoin possa valer até um milhão de dólares (com um Sa­toshi valendo um dólar), isso so­mente o tempo dirá.

O presidente Sindinformática sustenta que “do ponto de vista de investimento ela já sofreu grandes quedas e também altas espetacu­lares, com o gráfico de longo prazo apontando para cima e recordes de valorização que bate em 100% em apenas um mês”. Para ele, trata-se de um investimento de risco, o in­vestidor que quiser operar bitcoin deve ter um perfil arrojado com dis­posição para aguentar perdas e sen­sibilidade para não vender numa valorização que pode estar no iní­cio ainda, deve investir capital com disponibilidade de longo prazo, no seu lançamento valia alguns cen­tavos, até onde vai ninguém sabe. “Mas acredito que com a chancela da bolsa de Chicago que passou a comercializá-la, tem tudo para ba­ter novos recordes”, conclui.

INEVITÁVEL

Kevin Kelly, autor do livro Ine­vitável, apontado como best seller pelo New York Times, vê com a ve­locidade da comunicação instan­tânea a viabilidade da descentra­lização. E insere uma nova moeda nesse contexto mundial. Mas, pon­dera para a importância do Banco Central, que atualmente é respon­sável pela cunhagem da moeda, chamar a si o controle dos núme­ros da série, garantir a confiabili­dade e assumir a responsabilida­de “de tudo isso”.

O autor levanta, contudo, a pos­sibilidade da descentralização do dinheiro. E os interesses díspares emergiram o bitcoin, moeda com­pletamente descentralizada e distri­buída. É claro sem o aval do banco central para garantir sua precisão, fiscalização ou regulamentação. Conforme Kelly, desde seu lança­mento em 2009 foram postos em circulação o equivalente a 3 bilhões de dólares. Mais de cem mil forne­cedores e comerciantes já aceitam pagamentos na moeda digital.

O escritor observa que “boa par­te da fama da moeda vem do fato dela circular fora da vista de gover­nos, viabilizando alguns mercados negros”. E chama atenção: “a inova­ção mais importante do bitcoin foi seu “blockchain”, a tecnologia ma­temática que o fundamenta. Trata­-se de uma invenção radical, capaz de descentralizar muitos outros sis­temas além do monetário.

Não há intermediário central e a transação é postada em um li­vro contábil público ou o “block­chain”, expressão inglesa, na qual o sistema tornou-se mais conhe­cido. Esse livro é distribuído a to­dos os outros donos de bitcoin do mundo. E os dados compartilha­dos pela cadeia ou rede de compu­tadores. Os defensores da inovação gostam de dizer que a “confiança no bitcoin é construída pela mate­mática e não por governos”, ressal­ta o autor de Inevitável

Marcos Vilela Fonseca, presidente do Sindinformática-Goiás:“Muitas pessoas têm dúvidas se devem ou não comprar bitcoins como investimento. Questões como segurança, rentabilidade e confiabilidade permeiam a imaginação de futuros investidores”(Foto:DIVULGAÇÃ)

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