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Na última sexta-feira, dia 27, a cantora e compositora nor­te-americana Janelle Monáe lançou seu terceiro álbum, Dirty Computer, que encerra um hiato de cinco anos desde seu último disco, The Electric Lady, de 2013. A can­tora ganhou visibilidade em 2010, com o álbum The Archandroid, que trouxe elementos de ficção científi­ca e de afrofuturismo para contar a história de um andróide messiâni­co em busca de amor, autoconhe­cimento e realização. A cantora, de 32 anos, já recebeu seis indicações ao Grammy, premiação de gran­de prestígio no mundo da música. Desde fevereiro, cinco videoclipes foram lançados para promover o novo trabalho. O cantor Prince, fa­lecido em 2016, colaborou com vá­rias canções. Os dois já haviam tra­balhado juntos em 2013.

Além das músicas, Dirty Compu­ter vem acompanhado por um fil­me: Dirty Computer: An Emotion Picture by Janelle Monae. Ambien­tado num futuro distópico e pós tec­nológico, trata de assuntos bastante atuais, como a solidão e a busca por experiências vívidas.

No site Rate Your Music, uma comunidade virtual que busca ca­talogar todo o tipo de música já lançada em todo o mundo, vários usuários já apresentaram uma opi­nião sobre o album. O internauta CbTheDog, de 32 anos, falou da experiência provocada pelas no­vas músicas de Janelle. “A franque­za de suas letras tem uma espécie de temperamento punk”, afirma. “Quando misturada com a atmos­fera soul, é imbuída de uma ex­periência desorientadora, polari­zadora, e por fim, emocionante”, explica. De acordo com as descri­ções eleitas pelos usuários do site, o álbum traz as seguintes ideias: LGBT, sexual, político, eclético, futurista, triunfante, entre outros. Dirty Computer figura, desde que foi anunciado, entre os lançamen­tos mais aguardados de 2018.

“É certamente um álbum am­bicioso, e os sentimentos que ele carrega são gritantes. Em alguns momentos Janelle Monáe pare­ce soletrar cada detalhe para o ou­vinte”, continua CbTheDog em sua avaliação. “Talvez isso mostre como as pessoas parecem confusas em relação aos tópicos em questão (ou seja, o feminismo), mas para mim, isso retira a urgência do disco. Eu não sinto a necessidade de reser­var um tempo com as letras, que abordam temas bastante podero­sos, pois elas são tão óbvias, e com­binadas com a produção incrível. Reservar esse tempo dificultaria um pouco a sensação de prazer que o álbum causa”, conclui. O trabalho foi recebido com euforia pela críti­ca. Entre os convidados da cantora estão Brian Wilson (ex Beach Boys), Stevie Wonder e Grimes.

Capa de Dirty Computer
The Archandroid (2010)

PANSSEXUALIDADE

Na última quinta-feira, um dia antes do lançamento oficial de Dirty Computer, a cantora defi­niu-se como panssexual, gerando um aumento significativo nas pes­quisas sobre o termo na internet. Nos Estados Unidos, as tags ‘Janel­le Monae’ e ‘Panssexual’ lideraram as buscas na quinta-feira. Em entre­vista à revista Rolling Stone, ela dis­se que antes acreditava ser bisse­xual, o que mudou à medida que ela aprofundou seus conhecimen­tos sobre panssexualidade. “Acre­ditava ser bi, mas depois li sobre a pansexualidade e foi como ‘Oh, são coisas com as quais eu me identifi­co também’. Estou aberta a apren­der mais sobre quem eu sou”, de­clarou. Há alguns anos, a cantora Miley Cyrus também se assumiu panssexual, elevando o conheci­mento do público sobre o assunto.

Sistematicamente, panssexua­lidade é “caracterizada pelo desejo sexual ou atração que não se limi­ta a pessoas de gênero particular ou de uma orientação sexual”. Em artigo, o português Nuno Miguel Gonçalves, para o site Escrever, falou sobre o primeiro single de Dirty Computer, Jango Jane, lança­do em fevereiro. “É mais tradicio­nal no género do hip hop mas não poupa ninguém: é uma manifesto feminista e negro na linhagem de Formation de Beyoncé, levando o ativismo ainda mais além, sem quaisquer papas na língua”, expli­ca. “Na letra, ela continua a ques­tionar-se sobre o estado atual do da misoginia. E exige aos homens que ouçam. Que não precisam de explicar-lhe algo que só a ela diz respeito”, conclui.

 

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