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Os guardados da Quasar

diario da manha
Montagem comemora os 30 anos do grupo criado por Vera Bicalho e Henrique Rodovalho(FOTO: JOÃO GABRIEL HIDALGO)

Neste final de semana– sexta a domingo – Goiâ­nia recebe um presen­te que faz parte de sua história cultural. Um fato importante, inclusive, para arte brasileira: a estreia nos palcos goianienses do espetáculo da Quasar Cia. Dança, “O Que Ainda Guardo”. A montagem celebra os 30 anos do grupo criado por Vera Bica­lho e Henrique Rodovalho, que estava há dois anos em hiato. A volta será triunfal já que as co­reografias tomadas pelo humor, ousadia e grande desenvoltura técnica, serão embaladas pela leveza poética da bossa nova, que por sinal celebra seus 60 anos em 2018. A montagem fica em cartaz de sexta-feira a sába­do às 21 horas e domingo às 19h. Os ingressos custam R$ 50 e R$ 25 a meia-entrada (o desconto é válido também para quem doar 1 litro de óleo de cozinha).

“O novo espetáculo da com­panhia de dança goiana Qua­sar reacende uma chama que estava apagada”, disse a direto­ra geral da companhia Vera Bi­calho. Com clima de renovação, o novo trabalho nasce através de uma parceria com a grife de joias, Vivara. O espetáculo tem apoio do projeto Preciosidades Vivara e Ministério da Cultura. A circulação da obra é realiza­da pelo Prêmio Funarte de Dan­ça Klauss Vianna 2015 e conta também com o apoio do Sesc e da World Group Company (GO).

A proposta de celebrar os 30 anos da Quasar unido aos 60 anos da Bossa Nova, foi sugeri­da pela Vivara. E o trabalho, que teve estreia e setembro no Rio de Janeiro e São Paulo agradou público e crítica. Além de Goiâ­nia, vai circular ainda por Palmas (TO), Gravataí (RS), Canoas (RS) e Brasília (DF).

Por onde a Quasar passar com “O Que Ainda Guardo” levará uma história dançada contada de forma linear. Letras das canções da bossa nova, a exemplo de Corcovado, Samba do Avião e Águas de Março são interpretados ao estilo da Qua­sar: com toques de ironia, con­textualidade com o momento atual do Brasil e, claro, expres­sividade. Em cena, os bailari­nos imprimem uma dança em tom coloquial, como se estives­sem em um bate-papo.

E a coreografia, apesar de re­cente, tem como conceito revi­ver as três décadas de existência da companhia, trazendo con­sigo elementos e característi­cas marcantes já vistas no pal­co. “O montagem traz estilo do movimento, o humor e a leveza na dança. O que nos faz sermos reconhecidos e admirados até hoje por onde apresentamos”, comenta o coreógrafo.

DOSSIÊ

Hoje, 26 de outubro, tam­bém em comemoração aos 30 anos da Quasar, será lançado, junto ao público presente no Teatro Goiânia, um dossiê so­bre a Companhia, chamado “Um Corpo Celeste em Movi­mento”. Trata-se de um Levan­tamento histórico, memorial e afetivo sobre uma das mais im­portantes companhias brasilei­ras de dança contemporânea, destes últimos 30 anos.

O conteúdo é uma compi­lação de entrevistas, materiais audiovisuais e impressos, que criam um panorama da histó­ria do grupo e de sua impor­tância identitária, cultural e ar­tística, no Brasil e no mundo. A coordenação desse traba­lho foi de Luana Otto (Balaio Produções Culturais), que contou com os pesquisado­res Hélio Fróes e Rô Cerquei­ra, no trabalho de campo, de coleta de informações e ma­teriais. O projeto foi viabiliza­do com recursos da Lei Esta­dual de Incentivo à Cultura, a Lei Goyazes, do Governo de Goiás.

RESISTÊNCIA

Em hiato pela falta de verbas, já que em 2016 a Petrobras rom­peu o patrocínio com o grupo, a Quasar tem passado por mo­mentos de indefinições (assim, o grupo abandonou o espaço que usava para ensaios, encai­xotou figurinos e cenário, dimi­nuiu o elenco). A transformação em uma organização social liga­da ao governo do estado, parecia uma luz no fim do túnel, mas até hoje o projeto não saiu do papel.

Para a volta aos palcos com este espetáculo representa a oportunidade de mostrar que ainda há um grande desejo de continuar o trabalho conhecido e admirado no Brasil e em mais 25 países por onde já passaram. “É uma oportunidade de mostrar que a nossa dança, apesar desta pausa, continua viva, com o mes­mo desejo e com a mesma qua­lidade reconhecida e desejada pelo nosso imenso público que nos acompanham por todos es­tes anos”, comenta.

Para ele, comemorar os 30 anos com este novo espetácu­lo é misto de paixão e enfrenta­mento. “Nos dá fôlego e a certe­za de que estamos vivos”, resume a diretora. Ainda que sem patro­cínio de permanência, após a temporada “O Que Ainda Guar­do”, o futuro da Quasar continua incerto. Só se tem a certeza que a companhia não pode deixar nada mais guardado.

 

SERVIÇO:

Espetáculo “O que ainda guardo” e lançamento do dossiê de sua trajetória

Local: Teatro Goiânia

Quando: de sexta-feira (26) a domingo (28)

Horários: Sexta e sábado, às 21h e domingo, às 19h

Ingressos: R$ 50 (inteira) | R$ 25 (meia-entrada)

*Desconto de 50% para quem doar 1 litro de óleo de cozinha

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