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O problema de amor torna a gente mais humano

Um grande caso de amor é o que dá sentido à existência, embora às vezes a gente seja pego de surpresa. Acontece. Nem o teu cheiro que ela dizia adorar, nem as tuas piadas que ela falava que gostava

diario da manha
Cantor Ronnie Von (Foto: Reprodução)

Não há momento mais sublime para um homem do que a dor provocada pelo amor. Acredite: é a prova viva de que a gente é constituído por carne e osso, e de que a gente é sensível às emoções que fazem parte da natureza humana. Até o mais machão dos machões chora feito criança na hora do pé na bunda. 

Sério, meu velho. Não há. Nunca. Não mesmo. Nada semelhante. Nada que chegue perto. Que se aproxime de tal sensação. Puta desespero saber que ela não vai estar ali quando você ligar atrás de algum consolo no momento em que a vida te chuta a bunda. Nesta hora é preciso evocar Nelson Rodrigues, o tio Nelson: “me perdoe por te traíres”. 

Com ou sem chifre, é o maior momento da vida, e é o mais paradoxal deles, aquele instante que dói, mas não machuca; aquele que arde, mas não se sente; aquele que é fogo, mas sem a chama do isqueiro; aquele que é a tristeza colossal, mas sem as lágrimas de pedra; aquele momento que é o poema, mas que não está escrito; aquele som que é a música, mas que não tem o arranjo. 

Um grande caso de amor é o que dá sentido à existência, embora às vezes a gente seja pego de surpresa. Acontece. Nem o teu cheiro que ela dizia adorar, nem as tuas piadas que ela falava que gostava. Nada. Nada vai fazer com que ela volte para os teus braços, companheiro. Este cronista que batuca as sílabas do amor sofreu o baque-mor da paixão, e ela saiu sem avisar. 

Estava tudo bem e de repente… eis a dor.

“Na minha opinião, pra gente ser feliz/ Pra que fique tudo bem/ O importante é se entender/ É preciso ter coragem/ Pra acabar com esta besteira/ Fazer festa na esperança/ Que o amor dure a vida inteira/ Na minha opinião/ O importante é se querer/ Assinar papel pra quê? Isso não vai prender ninguém”. 

Nem Odair José, o cantor que teve uma baita fase romântica, mas que a galera insiste em chamá-lo vulgarmente de brega, salva nestes momentos. É importante, todavia, ouvi-lo no segundo estágio da dor do amor. Falo daquele em que a gente levanta a bandeira do ‘se a vida dói, drinque caubói’, com o perdão ao cronista Xico Sá pela frase roubada. Quem ama cedo ou tarde acaba sozinho no ombro do garçom, como profetizou Reginaldo Rossi. 

Pois é, diante desta constatação de que a dor do amor é maravilhosa, a gente deve cada vez mais sentir a chama ardente da paixão; a gente deve cada vez mais ouvir Ronnie Von, Odair José, Otto, Agnaldo Timóteo, Fagner (ainda que ele seja um reaça chatão); a gente deve cada vez mais amar.; a gente deve cada vez mais prestar atenção nela. 

Porque, como diz aquela máxima que sumiu do cocuruto do cronista: só o amor salva. 

Com vocês, Ronnie Von: “Ah! Esse amor que me arrasta, que me faz sofrer/ Mas, me devolve a vida, escondida em que quartos que eu não quis dormir/ Ah, esse amor me traz verdades que a idade, todas não consegue dar. Abra os braços pra me guardar, que eu todo vou me entregar/ Começo, meio e fim e a minha cuca ruim/ Aperte a minha mão, esse caminho é a solução pra te levar se quiser”. 

O problema de amor torna a gente mais humano

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