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Neymar pode ser suspenso por 2 jogos

Craque da seleção brasileira vive momento conturbado no extracampo e momentos de explosão dentro dele

diario da manha

Da agência o globo

Neymar tem 23 anos. Parece pouco, mas, para ele, foi tempo suficiente. Encantou no Brasil, virou ídolo em um dos principais clubes da Europa, conquistou as crianças, virou exemplo de bom moço e de diplomacia ao levar ao centro do campo um menino sul-africano retirado por seguranças em um amistoso da seleção.

Foi acusado de “mascarado” no Brasil, de “cai-cai” na Europa, de maltratar uma criança no Chile por ter chutado para longe um bola na saída do hotel da seleção, e, agora, reclama-se do seu mau comportamento. Fez muito sucesso, e muito cedo. Vive sob intensa vigilância, sob rígida avaliação. E, afinal de contas, erra também. Não é só vítima da fama. Mas vive uma encruzilhada na carreira. Consolidou a imagem de talento, de supercraque. O desafio é lidar com a ameaça do rótulo de jogador mimado, problemático, tão genioso quanto genial. É um paradoxo ambulante. Porque para os grandes astros dificilmente há meio termo. Só extremos.

Difícil é ultrapassar esta etapa quando o peso do mundo lhe cai às costas. Seja por razões que poderia ter controlado, seja por razões que lhe fogem ao alcance. Deixou o jogo com a Colômbia colecionando acusações de mau comportamento; ouviu críticas de brasileiros, colombianos e europeus; enfrenta processo na Justiça da Espanha por sua transferência; e ainda tem que ser o protagonista da dura renovação por que passa a seleção brasileira. E, justamente neste momento, não estará presente. Até o julgamento de Neymar pela Conmebol virou grande enredo. O atacante, afinal, está fora do jogo de domingo, contra a Venezuela, que define a vida do Brasil na Copa América. Até o dia do jogo, o comitê disciplinar da Conmebol terá nova reunião. A punição pode crescer.

No hotel em que se hospedam os delegados da Conmebol, em Santiago, as versões mais diversas surgiam. E de fonte oficial. Primeiro, a entidade divulgou que Neymar ficaria fora, no mínimo, dois jogos. Um, por ter recebido contra a Colômbia o seu segundo cartão amarelo no torneio. Outro, por no fim do jogo ter sido expulso diretamente, após chutar a bola no lateral Armero e “dar uma cabeçada” em Murillo, segundo relatório do juiz Enrique Osses.

E, lido ao pé da letra, é exatamente o que diz o regulamento. Pouco depois, o delegado brasileiro na confederação sul-americana, Hildo Nejar, afirmou que o procedimento de punição seria sumário. Em seguida, Caio Rocha, o brasileiro que preside a Comissão Disciplinar, explicou que, ontem, haveria apenas uma notificação à CBF para que fizesse a defesa do craque em 24 horas, por escrito.

E foi justamente ele quem deixou no ar a dúvida sobre a punição automática de um ou dois jogos. Disse ter interpretação diferente do regulamento do torneio. Mais tarde, a confederação anunciou que, por enquanto, Neymar está fora de um jogo apenas. Pelo menos até o novo julgamento. A favor do atacante, a CBF vai argumentar que um dos assistentes passou o jogo a chamá-lo de “piscinero”, ou seja, acusando o brasileiro de se atirar no chão para simular faltas.

Neymar vive sua encruzilhada junto com a seleção. Contra a Venezuela, domingo, o time poderá jogar mais que seu futuro na Copa América. Poderá plantar a semente do que será o início da caminhada nas eliminatórias para a Copa de 2018. Se a seleção for eliminada, e Neymar for suspenso por mais do que um jogo, terá de cumprir nas primeiras rodadas do qualificatório para a Rússia.

A questão que se coloca para Neymar é se o mundo, em alguns anos, verá o brasileiro somente como um atacante espetacular. Ou se enxergará nele um personagem controverso. O tumulto no fim de um jogo em que Neymar gesticulou com companheiros, foi ríspido com adversários e ostensivo com o árbitro era só o começo. Serviu de estopim para reacender uma discussão internacional. Outra vez, no centro do debate.

O jornal inglês “Guardian” ressaltou a pressão sobre Neymar num momento em que precisa comandar uma seleção em momento difícil: “Parece um homem perdendo a paciência com a insuficiência de seus companheiros de time.”

Avaliar o peso que a disputa judicial na Espanha teve no comportamento de Neymar é subjetivo. O fato é que, contra a Colômbia, ele cometeu quatro faltas, mais que qualquer companheiro de time . Contra o Peru, fizera só uma. Também acertou menos passes do que na estreia, 22 contra 33, embora tenha repetido o número de erros – nove, segundo dados do Footstats.

 

 

 

 

 

 

 

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