Esportes

Bons tempos do futebol

diario da manha

Tinha coisa melhor do que uma segunda-feira depois de um
domingo de Corinthians e Palmeiras, de Flamengo e Fluminense, de
Goiânia e Goiás, ou outro derby regional qualquer? Mas não tinha
mesmo! Era o dia da zoação. Ai daquele cujo time perdesse. Melhor
se ficasse em casa.

Como era bom xingar a mãe do juiz: “Ô ladrão filho de uma…”. A rivalidade sadia entre os torcedores terminava dentro do próprio bate-boca quando se discutia os lances de uma partida. Nada de ódio, pancadaria. Os rivais sentavam lado a lado na arquibancada, cada qual com a camisa do seu time. Chegavam a dividir o mesmo copo de cerveja. Não acredita, então pergunte ao meu amigo médico e escritor Hélio Moreira. Assentávamos juntos no “Galinheiro” (ele também pode contar o que era isso).

No intervalo da partida, aqueles 15 minutos, entre o primeiro e o segundo tempos, todos os torcedores de ambos os times corriam para os bares e lanchonetes do estádio para reabastecerem os copos e reformarem os saquinhos de pipoca, e, ali mesmo, tinha início a querela verbal, sempre com a expressão infalível: “Espera o segundo tempo pro cê vê!”. E não passava disso, logicamente, apimentada pelas discordâncias em relação aos lances. No mais, voltavam abraçados e compartilhavam a arquibancada.

Hoje, ficou uma tristeza. Violência fora e dentro das arenas. Torcida única. Polícia até dentro do gramado. O deprimente virou espetáculo. O amadorismo foi expulso de campo pelo profissionalismo endinheirado, o futebol passou a ser um ramo de negócio onde vale tudo, e o atleta transformado num objeto de negócio. Perdeu a graça.

De embrulho, inventaram o tal de VAR para, depois de cansativas repetições de lances pela TV, mostrar que a ruga do jogador fulano estava de impedimento. Ah vá pra caixa prego com essa gerigonça da tecnologia.
Deixa a turma xingar o juiz, pô! Iram Saraiva, ministro emérito do Tribunal de Contas da União

Iram Saraiva, ministro emérito do Tribunal de Contas da União

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