Opinião

A arte no educar

diario da manha

Márcia Carvalho Especial para  Opiniãopública

O que seria a arte?
“É criar uma mágica sugestiva, contendo a um só tempo o objeto e o sujeito, o mundo exterior ao artista e o próprio artista.”
Charles Baudelaire

Charles-Pierre Baudelaire foi um poeta e teórico da arte francesa. É considerado um dos precursores do Simbolismo e reconhecido como o fundador da tradição moderna em poesia. Viveu intensamente e de forma conturbada, entretanto sua percepção do belo e do real norteou criações futuras que trariam imbuídas no seu contexto à sensibilidade.
Isto se deve ao fato de que através da percepção do real, chegava sempre a um correlato objetivo para o sentimento que desejasse expressar. Na verdade, utilizava-se de palavras que mostram a mútua dependência de duas ou mais frases. “Desta forma, sua poesia tendeu para a expressão de imagens cotidianas, o “visto pelo autor”, tendo o poeta sido quem melhor, em sua época, intuiu a mudança radical provocada pela metrópole sobre a sensibilidade”.
Baudelaire era como os modernistas que vieram após ele, um realista que detestava o entorpecimento da reprodução do mundo em poemas e pinturas e que tinha, ao mesmo tempo, aversão pela subjetividade exagerada. Em suas próprias palavras, o belo tem o sentido da busca da felicidade.
Como tenho procurado fazer dessa coluna semanal, um espaço de reflexão acerca da centralidade da educação em nosso cotidiano resolvi abordar um tema em especial, a importância de problematizar o belo e sua relação com o ato educativo. Minha compreensão, acerca do papel das artes na escola, é o de garantir que essa riqueza seja cultivada, não só o contato com a vasta gama de manifestações culturais, mas, sobretudo o cultivo da necessidade de apreciar, de fruir esteticamente os objetos criados pela humanidade.
Ao lidar com o ensino, as questões do belo necessariamente insistem em aparecer, principalmente porque durante séculos, a arte era concebida como a habilidade de representar o belo, a perfeição. Felizmente, o paradigma moderno de beleza, de estética, vem sendo contestado e vários profissionais já conseguiram derrubá-lo em suas produções, fazendo da arte um instrumento para denunciar as mazelas e as injustiças da vida.
Ainda é possível encontrar educadores que ficam perplexos diante da tarefa de educar esteticamente seus alunos e acabam perpetuando as mesmas práticas equivocadas que tiveram durante sua vida escolar. É também verdade que uma parcela generosa desses mesmos educadores envida grandes esforços na tentativa de construir uma prática educativa mais crítica e emancipadora.
Uma educação calcada no belo como a busca da felicidade não é partidária de contemplações irreais, nem tampouco se dedica à formação de indivíduos que vivem sonhando com um ideal de perfeição. Ao contrário, resgatar o belo na educação requer o enfrentamento de muitos desafios, o maior deles é o de resgatar a beleza da própria vida em todas as suas dimensões.
Fazer do belo algo intrínseco à própria educação, é o sonho possível de cada educador. Viabilizar a permanência do belo nas relações sociais fará do mundo um lugar melhor, visto que a beleza perpassa pelo amor e respeito a todas as formas de vida.

(Márcia Carvalho, pedagoga, psicopedagoga, mestra em Sociedade, Políticas Públicas e Meio Ambiente e diretora secretária da Fundação Ulysses Guimarães)

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