Opinião

Alergia ao látex

diario da manha

Francisco Geraldo Sarti ,Especial para Opinião Pública

Atualmente há uma grande produção de pesquisas e publicações científicas nacionais e internacionais no meio médico especializado sobre a alergia ao látex. O tema surgiu nas áreas acadêmicas como um importante problema de saúde, principalmente relacionado com aspectos ocupacionais e cirúrgicos. Foram detectados agravos em médicos, enfermeiros e diversos profissionais de saúde, como também, em pacientes com múltiplas cirurgias, principalmente crianças com espinha bífida ou outras malformações urológicas ou gastrointestinais.

Em 1979, Nutter fez a primeira descrição científica da hipersensibilidade imediata ao látex, ao estudar o caso de uma paciente com episódios repetidos de urticária. Nos anos 1980 as atenções se voltaram à alergia ao látex e vários trabalhos foram publicados relatando quadros de urticária, rinite, conjuntivite, asma e anafilaxia (choque anafilático).

Na maioria dos casos, os sintomas são leves, mas podem ocorrer reações graves e potencialmente fatais, particularmente durante intervenções cirúrgicas ou procedimentos que envolvem a exposição das mucosas aos produtos com látex.

É importante destacar que as reações leves ou graves também podem acontecer em crianças e adultos sensibilizados ao látex após exposição aos balões de festas, brinquedos de borrachas e vários outros objetos que contém o referido alérgeno.

O látex é extraído da árvore da seringueira (Hevea brasiliensis) e processado para obter as propriedades específicas de elasticidade, resistência e proteção de barreira. Com a descoberta da vulcanização por Charles Goodyear, no século XIX, o látex natural foi industrializado e entrou na fabricação dos pneus e outros produtos em vários ramos de atividades. Na atualidade, há uma estimativa que o látex participa da composição de mais de 40.000 produtos, os quais tem contato direto com o ser humano por via cutânea, mucosa ou percutânea, com destaque também para a via respiratória.

Após a constatação dessa importante questão de saúde, em vários países foram adotadas medidas preventivas, ambientais e individuais, ocupacionais e domiciliares, com ênfase na observação dos grupos de risco mais afetados. Houve uma relativa diminuição da incidência internacional dos agravos provocados pelo látex, entretanto, ainda há necessidade de realização de diversas iniciativas, epidemiológicas e clínicas, especialmente no Brasil, para o adequado controle.

 

(Francisco Geraldo Sarti de Carvalho, médico alergista e imunologista)

Comentários

Mais de Opinião

27 de outubro de 2018 as 21:44

A estratégia de Pedro

27 de outubro de 2018 as 21:18

Bom dia, Brasil

26 de outubro de 2018 as 21:35

As propostas de Bolsonaro

26 de outubro de 2018 as 21:34

Ensaio sobre a criação do espaço

26 de outubro de 2018 as 21:33

Um amor de Goiânia

26 de outubro de 2018 as 21:32

Brasil e totalitarismo

26 de outubro de 2018 as 21:07

Esses corregedores do CNJ são uma piada

26 de outubro de 2018 as 21:00

O voo do DM

26 de outubro de 2018 as 20:57

Casos de câncer de mama sobem no País

26 de outubro de 2018 as 20:53

O Brasil pede socorro à CNBB!

26 de outubro de 2018 as 20:49

O direito de sonhar

26 de outubro de 2018 as 20:47

O STF legisla demais