Opinião

As abóboras do José Eliton

diario da manha

Px Silveira ,Especial para Opinião Pública

Governador em exercício já por duas vezes neste ano, 12 vezes governador no governo passado, ex-presidente da Celg, atual secretário de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecnológico e de Agricultura, Pecuária e Irrigação, o vice-governador, José Eliton, advogado, tem muitas histórias para contar.

Uma delas é sobre abóboras. “Lá na minha terra a gente costuma dizer que as abóboras se ajeitam com os sacolejos do caminho”, costuma dizer.

Trata-se, a bem da verdade, de uma experiência universal, as abóboras e os sacolejos. Mas que, na fala do bem preparado José Eliton, assume a amplitude de uma potente metáfora que deve ser digerida em nossas vidas de cidadão goiano.

No caso, ele assim se expressou em reunião com diversos dirigentes e outros tantos luminares da classe cultural, por ocasião de início dos protestos que marcaram o anúncio da incorporação da Secretaria da Cultura às secretarias de Educação e de Esporte e Lazer, formando mais uma das super-secretarias deste governo.

Fui a favor da decisão governamental de fundir as secretarias porque entendo que a cultura não está alheia ao contexto político e sócio-econômico no qual está inserida. Pelo contrário, ela deve ser participativa, com exemplos e ciências que só ela pode expressar. E penso que o esforço de todos neste momento fortalece a tentativa de agilizar a gestão pública e de torná-la mais enxuta, mais eficiente. E, necessariamente, mais discernida.

Outra argumentação a respeito da mudança de status administrativo da cultura no governo veio com as palavras do artista e mestre Amaury Menezes, beirando seus 85 anos de vida inteiramente entregue à arte: “Eu já vi o órgão de cultura do Estado ser chamado de assessoria, departamento, secretaria, fundação, agência, secretaria de novo e, enfim, aprendi que o que importa é se ele vai ter ou não alguma função, se vai ter ou não orçamento e respaldo do governador. O nome é o de menos”.

Pois esta abóbora, a da cultura, está na carroceria se ajeitando como pode, enquanto o governo avança com seu remodelamento, suas contenções, seu novo desenho de prioridades.

Até aqui tudo bem, muito embora os sacolejos. Mas uma coisa que não se espera é que se arranque pedaços das abóboras, que assim seriam alteradas em sua essência, peso e valor.

Em outras palavras (que assim como as abóboras, devem se ajeitar no discurso), a cultura não pode perder as suas conquistas já acomodadas em leis. Agir dessa maneira seria desqualificar o jogo democrático e retroceder em direitos adquiridos. Se ultrapassado esse limiar, o de não cumprimento de disposições legais, perdem-se todas as garantias e, com elas, a confiança no carreteiro.

Naquele momento reunido, o então governador em exercício José Eliton assumiu categoricamente, perante mais de duas dezenas de representantes de diversos setores culturais, o compromisso de que nenhuma das conquistas da cultura sofreria qualquer arranhão neste governo.

Explicitamente, foram citadas (e garantidas) a Lei Goyazes, com R$ 10 milhões anuais, e o Fundo Estadual de Cultura, com percentual anual de 0,5% do orçamento estadual, sendo que para o ano corrente estima-se algo em torno de R$ 35 milhões a serem repartidos por meio de editais contemplando as diversas áreas fins do setor.

Ainda pendente, a título de esperados e necessários novos avanços, fica o prometido na campanha eleitoral de que, além da Lei Goyazes e do Fundo, a Cultura passará a ter seu orçamento atrelado a um percentual fixo do tesouro estadual, evitando assim que sofra reveses ao sabor dos próximos governos.

É de se esperar – e este é um dever dos que as conduzem, que as abóboras cheguem inteiras a seus destinos e cumpram com os seus objetivos, garantindo as bases de um futuro cada vez melhor. E como diz o sábio Amaury, o nome é o de menos.

 

(Px Silveira, Instituto ArteCidadania, [email protected])

Comentários

Mais de Opinião

27 de outubro de 2018 as 21:44

A estratégia de Pedro

27 de outubro de 2018 as 21:18

Bom dia, Brasil

26 de outubro de 2018 as 21:35

As propostas de Bolsonaro

26 de outubro de 2018 as 21:34

Ensaio sobre a criação do espaço

26 de outubro de 2018 as 21:33

Um amor de Goiânia

26 de outubro de 2018 as 21:32

Brasil e totalitarismo

26 de outubro de 2018 as 21:07

Esses corregedores do CNJ são uma piada

26 de outubro de 2018 as 21:00

O voo do DM

26 de outubro de 2018 as 20:57

Casos de câncer de mama sobem no País

26 de outubro de 2018 as 20:53

O Brasil pede socorro à CNBB!

26 de outubro de 2018 as 20:49

O direito de sonhar

26 de outubro de 2018 as 20:47

O STF legisla demais