Opinião

As usinas termoelétricas e o bolso dos consumidores

diario da manha

Salatiel Soares Correia Especial para  Opiniãopública

Em tempos como este, em que o fantasma do apagão volta a rondar a vida dos brasileiros, creio ser oportuno tecer alguns comentários a respeito de um tipo de usina considerada como uma espécie de “patinho feio” na matriz energética brasileira: as termoelétricas.
O lado “patinho feio” desse tipo de usina muito se deve a duas grandes desvantagens que as termoelétricas apresentam quando comparadas a outras fontes de energia mais limpas como é o caso das usinas hidroelétricas. Ou seja, além do custo operacional consideravelmente mais elevado, esse tipo de usina provoca consideráveis danos ao meio ambiente, e, por essa razão, grupos de elevada articulação política, como é o caso dos ambientalistas, opõem-se com veemência à construção de usinas termoelétricas.
Pela rapidez com que são construídas, aliada ao fato de não dependerem do humor das chuvas, o uso de térmicas vem sendo mais crescente nestes tempos em que o apagão se tornou uma visível ameaça. Por isso, as termoelétricas, outrora, tão amaldiçoadas, vivem seu período de redenção pelo fato da combinação de crescimento da demanda de eletricidade e a queda na capacidade de acumular água nos reservatórios sinalizarem uma nova realidade: a de que agora em diante muito se dependerá de usinas térmicas para gerar eletricidade.
Em 2013, 30% da energia gerada no país teve sua origem nesse tipo de fonte energética. Quer dizer: se, antes, as termoelétricas eram usadas para socorrer o sistema nos períodos de maior congestionamento no chamado horário de ponta – das 18 às 21 horas -, hoje, elas são usadas na base do sistema. Ou seja, não são ligadas só em determinadas horas do dia, mas durante as 24 horas.
“Um sistema com os contrastes do nosso não pode abrir mão das termoelétricas, que são o caminho para expansão da matriz energética”, assim entende o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp. Creio que os empresários concordem com ele, mas os ambientalistas, não.
Diz-se que a melhor economia de energia é aquela que se sente no bolso! Nesse sentido, para atender às exigências da crescente demanda de eletricidade em tempos de hidraulicidade severa (pouca chuva)e de atraso no cronograma de entrada das novas usinas hidroelétricas no sistema, manter as usinas termoelétricas, não mais como energia de reserva para atender emergências, mas, sim, para atender ao sistema dia e noite, custará caro. As bandeiras vermelhas continuarão vermelhas, a prática do realismo tarifário significará tarifas mais altas e contas cada vez mais salgadas para os consumidores. Muito disso se deve, sem dúvida, ao elevado custo operacional das Usinas Termoelétricas.

(Salatiel Soares Correia, engenheiro, bacharel em Administração de Empresas, mestre em Planejamento Energético. É autor, entre outras obras, do livro Tarifas e a Demanda de Energia Elétrica)

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