Opinião

Autoestima

diario da manha

Jorge Lima, Especial para Diário da Manhã

 

“É que narciso acha feio o que não é espelho”… cantarolou um dia Caetano em Sampa. Inicio a problemática da autoestima com o canto do gostar. O amor que em flecha é destinado ao universo, a aquela pessoa que pelo elo do destino fica querida. Encantamento, vontade, quem sabe… este gostar que um dia seguiu a flecha de Eros e que ganhou o rumo da rua exigiu que o arqueiro treinasse muita pontaria, dias, semanas, meses, errando, tentando cansando a mão, braço, língua, andando, indo e voltando pra pegar as flechas que erraram o alvo, no jogo de paciência para quem sabe em algum momento acertar o alvo…

Quando indagado sobre quais seriam os principais mandamentos, Jesus, em profunda sabedoria, disse: “Ama a teu Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo.” Este é o ponto central em minha percepção da ideia de autoestima. Por isto evoquei Narciso no iniício deste artigo porque existe uma falta imensa em nossa sociedade de um movimento de introspecção sadia, de reflexão, de autocuidado, de amor próprio. Falta em boa parte das pessoas vontade de viver. São tantos estereótipos, tipos copiados, tanta existência plastificada que a alma entediada grita. Hoje convivemos com vários personagens e com poucas pessoas reais.

E isto é um dos maiores indicativos em nossa sociedade da crise de identidade de nossa pós-modernidade. É muita persona pra pouco self e com isto a identidade vivencia uma profunda crise que se reflete na autoestima. Existe uma ausência de percepção do amor doado a outrem.

Para encontrar sua auto-estima, o primeiro passo é perguntar o que realmente é seu e o que pertence ao mundo. Uma temática simples, mas extremamente complexa. Ao longo da existência por nossa educação bancária, pela ruptura com a criatividade existente neste mercado de consumo de identidades, existe um distanciamento progressivo da real essência, dos dons naturais, do desejo, da vontade de viver. Há muita jaula para pouco bicho. Muito casulo pra pouco ar.

Encontrar o que é o sentido de vida é essencial e, ao encontrar, persistir, ter obstinação, dedicar.

O segundo ponto ter auto-estima é bem diferente de ser egoísta ou ser vaidoso ao extremo. Não devemos confundir a imbecilidade. A autoestima, estar bem contigo mesmo, implica em ser solidário, gentil, alegre, educado e amável. Quem se gosta vai respeitar os outros naturalmente.

Autoestima implica em ruptura com a busca desenfreada de poder. Isto faz parte do caminho de individuação. Quem se ama, se respeita e consequentemente o faz com quem está próximo.

Dou ainda uma última dica questionando: você se namoraria? Se você um dia se encontrasse na rua teria interesse em sua própria pessoa? O que você tem de interessante pra oferecer a outra pessoa? O que você pode oferecer para fazer alguém feliz? São questionamentos que vão falar a fundo de como você está com sua autoestima. Espero que você queira se curtir ou que ao menos se ache interessante…

 

(Jorge Antônio Monteiro de

Lima, analista, pesquisador em Saúde Mental, psicólogo)

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