Opinião

Democracia sem anágua

diario da manha

Antônio  Lopes,Especial para Diário da Manhã

Uma das maiores revistas em circulação no Brasil denuncia, esta semana, a corrupção de gestões, poderes e homens. É a guerrilha midiática de baixo nível no vale-tudo por representação de força, disputa de cargos e interesses monetários no País, da janela de informação impressa malfadada a qual expõe santos de barro oriundos do altar de templos financiados na mentira e hipocrisia humanas.

Nada de novo, não fosse a figura do presidente da Câmara do Retrocesso, cunhada no senso comum enquanto senhor idôneo no reino de Cabral. Abençoado na virtude e franchising de reinos organizados, ideologia cristã e partidos políticos atrelados ao denuncismo, tripé de mentes quadradas, editoriais umbilicalmente ligados a correntes ideológicas reacionárias de raízes na dominação burguesa.

Os pecadores comuns relegados à periferia – classe trabalhadora -, hoje, “mais que nunca na história deste País”, representam pilares do mercado capitalista tupiniquim sob o crivo excludente e mundializado da divisão de classes. A batuta do sistema financeiro atribui-lhe o status social de categoria consumista Classe C.

A capa da revista mostra a face real, poderosa e organizada do retrocesso e pobreza de espírito milionário de um Congresso montado a cavalo, armado em coltre no pasto largo e latifundiário do País continental, abençoado por Deus e saqueado por ilustres engravatados sanguessugas do poder.

A força de São Cifrão expõe incontáveis santos de barro os quais empunham a bandeira da hipocrisia política homofóbica. Filhos e apadrinhados dos deuses e com poder de polícia, propõem a redução da maioridade penal, elevam seus salários da noite para o dia e recebem uma “ajudinha no aluguel”, atravancando quaisquer possibilidades de emancipação decente da Nação, por hora, indecente.

Discursos e propostas políticas se apresentam envoltos na “Era das Anáguas e da gente de bem, ordeira, cheia de fé e fundamentada na família”. Esta não se mistura nem aceita, sendo incapaz de compreender o planeta redondo, azul e sem água. A realidade nua e crua ainda se enfrenta, se vende ou se compra com moeda, egos e almas. A labuta pela sobrevivência, globalizada, é uma verdadeira denúncia do ser humano fadado a disputar míseras fatias do bolo da política pública do bem-estar social presa ao globo da morte banalizado, pós-modernista de uma sociedade moderna e relativizada.

Em cada letra da palavra pessoa, cada reinvenção da revolução, a cada segundo e figura de um sonho, de alguma forma e sem forma, a mediocridade humana anda, avalizada por interesses escusos. Afunilam-se nas telas dos IPhones os parâmetros da ética, onde a comodidade imediatista, processo histórico dinâmico pós-moderno, isola o sujeito à palma da própria mão. O mundo real, lá fora e apesar de lento, construiu a cada segundo do segundo e, durante séculos, a evolução.

A cada capa de magazine ou promessa dos salvadores da Pátria, nas manifestações em que o jargão “Vem pra Rua” se organiza e arrecada propondo-se enquanto mais um partido político, (sem prestar contas dos recursos, tampouco expor a face de seus “articuladores e financiadores”), a trincheira da História segue arquivada enquanto luta, sangue e suor de personagens da militância, os quais lutaram pela liberdade democrática no Brasil. Pilar da democracia, a ética brasileira passa por uma espécie de depressão nos últimos governos sem perder o brilho da liberdade de expressão.

Se “a corrupção, no Brasil, é uma velha senhora”, de acordo com a presidenta Dilma Rousseff, Nelson Rodrigues, durante os anos 1950, a época de ouro, deixou escrito que “a mulher de idade, sem combinação, não parece uma mulher séria.”

E o pulso… ainda pulsa!

 

(Antônio Lopes, assistente social, mestrando em Serviço Social/PUC-GO)

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