Opinião

Dia Nacional da Escola

diario da manha

Uma esperança para o Brasil

Edergênio Vieira ,Especial para Opinião Pública

Quando tinha em mente escrever um artigo sobre escola, já sabia que a data coincidiria com o movimento que tomará as ruas no país no domingo. Refleti sobre a simbologia desse ato, e de que forma a escola poderia, ou pode, ajudar nos a superar esse momento de crise, onde tudo parece que está prestes a ruir, onde as relações se esgarçam, as tarifas públicas aumentam, a carestia mostra a sua cara e o ajuste salarial sufoca os da parte de baixo da pirâmide: Os que não andam de porsche, nem tem auxílio moradia, e nem recebem o bolsa cônjuge de deputado/a. Aqueles que pegam o transporte público caro e que vem lotado e sempre atrasado.

Pois bem, no mesmo dia 15, em que algumas centenas ou milhares de pessoas, acredito eu, tomarão as ruas para pedir o impeachment da presidenta Dilma, o que por si só configura uma tremenda ironia, afinal, Dilma e seu partido, o PT (Partido dos Trabalhadores), têm sistematicamente feito o jogo do establishment político ( um amigo falou do ovo da serpente, o PT gestou durante anos serpentes que agora podem lhe comer. É vidente que o PT de outrora não existem mais, e em seu lugar ficou um outro PT, longe de suas bases históricas, ao que parece o partido optou por comprar apoios aos invés de conquistá-los no debate e no convencimento. Semelhante aquele que nunca comeu doce, quando comeu pela primeira vez se lambuzou, parece que o PT, tomou gosto pela corrupção. Que diga-se de passagem é se mostra até o momento suprapartidária) e podem agora ser defenestrados do poder justamente por aqueles aquém insistem em afagar. Contudo, retomando neste mesmo dia 15 de março é comemorado o dia Nacional da Escola no Brasil.

A escola, como a conhecemos, tem longínqua origem. A palavra, é bom que se diga, tem etimologicamente duas origens, no geral com sentidos semelhantes. Do Latim e do Grego, temos respectivamente: SCHOLA, “discussão, conferência, escola”, e também “folga, tempo ocioso”. Como era nesses momentos que as pessoas conversavam e discutiam sobre os mais diversos assuntos, a palavra acabou tendo o significado de “lugar onde se estuda”.

No Brasil, as primeiras escolas chegaram com os jesuítas e tinham o caráter confessional. Era ensinada a doutrina católica e a missão era a catequização dos Índios. Com a ascensão do iluminista, Marquês de Pombal, ao cargo de Secretário de Estado dos Negócios Interiores do então Reino de Portugal, (uma espécie de primeiro ministro) este promoveu uma grande reforma que visava a laicização das instituições de ensino no país. A reforma fracassou e o que observou-se foi um verdadeiro desmonte da estrutura escolar dos jesuítas. Fato que já evidenciava a histórica propensão ao não seguimento de políticas de Estado para com a educação, mas sim políticas de governos, sempre marcadas pela descontinuidade, pelo não planejamento e etc. Samba que nos conhecemos de cor e salteado no país Tupiniquim.

Os ano passaram, a monarquia acabou, o império acabou, república chegou, passado algum tempo, a ditadura, a abertura democrática e nossa escola, sofreu mais uma vez com o de sabor da falta de planejamento e de um projeto de nação consistente que a valorizasse pela grandeza que ela merece. Parafraseando o poeta de Itabira: E agora José? E agora Dilma? E agora você?

A escola contemporânea brasileira agoniza e padece. As que não estão caindo aos pedaços, sofrem com o descaso e a falta de estrutura básica para o funcionamento. Algumas são tão arcaicas quantos as dos início da colonização portuguesa. E o que dizer da estética das nossas escolas? Ou são prédios sem nenhuma qualidade arquitetônica, nem mesmo quanto a cor, pois no geral são cinzas, ou levam a cor do partido da vez. Mas nunca a cor do povo, nunca multicolorida, multiétnica, multi-viva, múltipla.

Entretanto, a escola, é bom que se diga, não é feita de prédios, programas, salas, quadros, conceitos como dizia o nosso grande educador Paulo Freire. Escola é feita de gente, penso que o melhor de nossas escolas ainda é a nossa gente. Povo que trabalha, estuda e que acredita no valor da educação.

Espero que nesse dia 15 de março, Dia Nacional da Escola no Brasil, nós, todos nós, possamos valorizar e acreditar mais na escola. Pois, acreditar na escola é acreditar na educação, nas pessoas, nas vida, nas esperança de que é possível ter esperança.

Todavia é sempre bom lembrar uma vez mais o bom e velho Paulo Freire, “a educação bem como a escola não muda o mundo, a educação muda as pessoas, e pessoas mudam o mundo”. Precisamos de pessoas que mudem o mundo. Oxalá que isso possa acontecer, que a escola seja o lugar de diversão, alegria e transformação, de novos laços de amizade e camaradas…De um projeto de país novo e capaz de superar qualquer crise, mesmo as endêmicas do capitalismo, sem ufanismo, sem soluções milagrosos. Viva o Brasil, viva a educação e sobretudo vida a Escola Pública Brasileira.

 

(Edergênio Vieira, escritor, poeta, professor e mestrando em Educação. @edergenio [email protected])

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