Opinião

Escapei de um anjo e caí nos braços do demônio 

diario da manha

A história do menino sonhador começa numa noite de lua cheia. O nome dele é Fredy, mas carinhosamente seus colegas o chamavam de Sonâmbulo, pois ele vivia no mundo da lua e sonhando.

Com quê? Ninguém sabia. Só era sabido que ele acordava cedinho e ficava olhando para o tempo, para o nada, às vezes para o céu, outras horas para o chão.

Era danado de esquisito! Mas era muito querido pelos seus colegas, principalmente os colegas do setor em que ele morava.

Certo dia, Ricardinho, um colega, talvez o mais próximo do Sonâmbulo, resolveu colocar tudo em pratos limpos e tentar descobrir o que ele tanto pensava e, claro, com o que ele tanto sonhava.

Começou pelo jeito bem convencional, questionando o Sonâmbulo, mas não deu certo.

Sonâmbulo mudava de assunto e, às vezes, se esquecia das coisas até o que o Ricardinho lhe perguntava novamente. Então, Ricardinho resolveu conversar com as pessoas mais próximas do Sonâmbulo, começou por um primo do Sonâmbulo. Queria aprofundar em suas descobertas. Se fosse preciso, iria conversar até com o pai dele.

Tomaria cuidado, pois a família do Sonâmbulo tinha fama de ser uma família estranha, uma família onde havia muito mistério no ar! Mesmo assim, Ricardinho saiu em busca das respostas.

Já era tarde da noite, mas a lua cheia iluminava as ruelas por onde Ricardinho passava. Até que ele se deparou com um rapaz que estava vestido de anjo e cantando Ave-Maria. Logo que Ricardinho olhou em direção ao som, o tal anjo parou de cantar e começou a declamar a letra da música e disse com a voz rouca.

– Olá, amigo Ricardinho!

Foi o suficiente para Ricardinho quase bater o recorde mundial de atletismo dos 1.500 metros com barreiras, pois Ricardinho, além de correr muito, ainda saltou várias lixeiras no momento da fuga. Correu feito maluco pelas ruas de Campinas.

Não demorou, ele já estava na varanda da casa do Sonâmbulo. Tocou a campainha por duas vezes, e não parava de olhar pra trás com medo do Anjo cantador da ruela de Campinas. Enfim, alguém gritou do outro lado da porta.

– Quem é que está aí fora, essa hora da noite?

– Sou Ricardinho, amigo do Fredy. Ele está?

– Ele não está, e não abrimos a porta pra desconhecidos. Pode seguir seu caminho, se quiser volte amanhã.

– Moço, abra a porta há um anjo cantarolando e me seguindo desde o cruzamento da Avenida 24 de Outubro com a Avenida Independência. Estou com muito medo!

– O anjo seguiu você até aqui?

– Acho que sim, ainda estou escutando a canção e está cada vez mais alto o som, abra a porta!

Enfim, o homem abriu a porta e Ricardinho quase saiu correndo de novo. Ricardinho só viu o nariz do homem, o resto era só pelo. A barba do homem era gigantesca e o cabelo estava abaixo dos ombros. Ricardinho ficou imóvel naquele momento, não conseguia mover um dedo sequer. Ficou muito assustado com o aspecto tenebroso do homem que o atendeu.

Escapei de um anjo e caí nos braços do demônio!, pensou Ricardinho, diante aquele homem estranho e repugnante.

Estando entre o céu e o inferno, teve que fazer uma escolha. E rezou para o anjo chegar logo e salvá-lo das garras daquele ser horrível.

Foi rapidamente atendido. O anjo chegou cantarolando e foi logo entrando casa adentro. Não falou com Ricardinho e muito menos com o tal homem da barba grande. Ricardinho ficou mais assustado com a situação. Não sabia mais o que fazer ou a quem pedir ajuda.

– Afinal, quem são vocês?

O homem peludo respondeu!

– Sou o pai do Fredy. Ele acabou de entrar, você o viu?

– Sim senhor. Vi um rapaz vestido de anjo, é o Fredy?

– Sim, ele mesmo. Nas noites de lua cheia, ele se veste de anjo e sai cantando pelas ruelas de Campinas. Os ataques de sonambulismos aparecem frequentemente nos períodos de lua cheia!

– Mas há algum tratamento para esse mal?

– Não há mal algum nisso, e também a maioria das pessoas já o conhece e sabe que o Ricardinho é um anjo, e um anjo todos os dias, não só no período de lua cheia!

Mas e sua….. cabeleira?

– Foi um voto que fiz ao padre Pelágio. Vou sempre às novenas na Matriz de Campinas, e peço proteção para meu anjinho Fredy.

– Mas, senhor, você acha que não cortando o cabelo o senhor vai agradar ao santo padre Pelágio?

– Não é isso, tenho medo de perder minhas forças. Já estou com mais de 50 anos e não quero perder minhas forças. Sansão foi assim, possuía toda sua força física nos seus poderosos cabelos. Então fiz um trato com padre Pelágio, o padre vigia o Fredy nas ruelas daqui do Setor Campinas e fico sem cortar o cabelo pra ter energia suficiente pra encontrar o Fredy quando o padre Pelágio não tiver tempo pra trazê-lo de volta!

Ricardinho agradeceu pela atenção e se despediu. Disse que outro dia voltaria pra visitar o seu amigo Fredy.

No dia seguinte se encontrou com o Fredy na escola, mas não tocou no assunto, e também não comentou nada do acontecido com nenhum de seus amigos. Estava decidido que era um segredo que ele guardaria pra sempre.

Desse dia em diante Ricardinho frequenta as missas na Matriz de Campinas e, sempre quando está em apuros, pede socorro ao padre Pelágio!

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