Opinião

Quem gasta água, realmente, no Brasil?

diario da manha

Henrique G. Dias ,Especial para Opinião Pública

A água não é insípida, incolor e nem inodora como é ensinado nas escolas. A água é a maior substancia do planeta, constitui o nosso corpo e, por culpa do homem e a sua ambiciosa pretensão, ainda não conquistada – diga-se de passagem –, de desenvolvimento econômico e social, constituísse, concomitantemente,  – a água, claro – no mais complexo problema humano hodierno. Mais de 2.000.000 – dois milhões de pessoas – morrem por falta d’água e, a maioria pensa que não, mas defecamos, ou melhor, cagamos nela, literalmente, todos os dias e, como mencionei em diversos artigos – e o misericordioso leitor assíduo haverá de recordar, espero –  que depois da disseminação do tal do vaso sanitário, na “segunda metade” do século “passado”, passamos a chamar o tal vaso de “trono”, como se fossemos deuses ou deusas, reis ou rainhas e, ainda mais, detentores dos poderes que nos foram outorgados pelos “produtos” da industrialização, com um simples acionamento dum botão, ou o puxamento duma cordinha, podemos ver os nossos dejetos, nossos “cocôs”, centrifugando numa água outrora límpida, que fervida, ou tratada, com uma gotícula de cloro, por exemplo, “salvaria” a vida de pelo menos meia dúzia de pessoas que morreram em algum lugar do planeta, inclusive no “nosso país”, em decorrência da falta do precioso líquido. Mas este, realmente, não é o cerne do problema, afinal, já estão em pleno funcionamento usinas que reciclam tal água, separando-a do “chorume”, que é transformado em biocombustível.

O problema da escassez de água no Brasil decorre do fato do setor agroindustrial consumir mais de 80% – oitenta por cento – da água concorrendo de longe com o consumo de água dos seres humanos nas cidades, que não chega a 10% – dez por cento. Bem isto demonstra para qualquer idiota em matemática, ou cálculos, como eu, que a redução do consumo humano pouco contribuirá para a resolução do problema, Só um exemplo. O setor agropecuário consome, “arredondando para menos”, 70% – setenta por cento – da água e desperdiça, deste total imenso, 60% – sessenta por cento! É o mesmo que você dividir 10 maçãs ficando com 3 e o sujeito que fica com as 7 deixar 4 apodrecerem. Imaginaram os bilhões e bilhões, aliás, trilhões de litros de água que são jogados fora. Ah, mas na natureza ela recicla, se transforma, sei lá, dirão alguns. Bobagem. Estamos falando de água tratada, água potável. Mais exemplos? No próximo e derradeiro parágrafo.

Eu fiquei estupefato, impressionado, embasbacado e muitos “ados”, quando soube que para se produzir uma folha de papel “A4” são gastos 10 litros de água. Um quilo de açúcar 1500 litros. 5000 um quilo de queijo e 1800 litros um quilo de soja e, finalmente, para apenas um quilo de carne de boi, ou de vaca, são necessários 15.000 – quinze mil – litros de água! Quer dizer, somos um dos maiores exportadores de carne e soja do planeta – o que nos coloca entre as dez maiores economias – entretanto, estamos exportando água, sim, água em forma de grãos e carne. Como fazer para que as nossas exportações tornem-se, de fato, vantajosas em todos os aspectos. É bom lembrar que os vegetais também exigem muita irrigação, pois são constituídos de uma porcentagem enorme de água. A alface, 95%, tomate 94%, melancia 92%, abacaxi 87%, goiaba 86% e a banana 74%, entre alguns produtos que pesquisei na revista “Superinteressante”. O Brasil sediou em 1992 a “ECO-92”, quando o Rio de Janeiro voltou a ser a Capital Federativa do Brasil. Todos os órgãos governamentais, ONGs e a imprensa contribuíram para a criação da “Agenda 21”. Claro que a “Agenda 21” seria cumprida no “Século XXI”. Será? Por que andam roubando água no Amazonas? Será o nosso próximo tema, espero. Até.

 

(Henrique G. Dias, jornalista)

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