Opinião

Sociedade dos ratos no trânsito engarrafado

diario da manha

Leonardo Teixeira,Especial para Diário da Manhã

Para explicar fatos como o aumento de criminalidade e caos no trânsito, muita gente tem se contorcido em esdrúxulas explicações. Entre a ficção literária e a realidade há um liame ínfimo que ostenta várias capacidades de múltiplos enfoques. Nesta oportunidade o leitor provará um sabor diferenciado neste texto. Qual a razão para tanta criminalidade e o caos no trânsito? Essas perguntas serão respondidas neste texto. Se a solução não for apontada, ao menos a viagem na escaldante maionese estará garantida. Quiçá um vôo de maior amplitude! Garantia essa que a literatura abrange facilmente, ao contrário do jornalismo tradicional.

Muitos cientistas tentaram explicar o mundo descobrindo suas leis naturais tidas como “deterministas”, isto no tempo em que a física de Galileu e de Newton substituiu a física filosófica de Aristóteles. Depois, a física quântica de Bohr e de Heisenberg se mostrou mais avançada, sendo necessário suplementar essas leis naturais deterministas, considerando os processos de “casualidade e necessidade” (segundo Jacques Monod) nas explicações de nosso universo.

O problema é que a ciência deve ser mais exata, e casualidade ou necessidade é insuficiente para explicar os fenômenos científicos. Outra explicação mais moderna é a teoria do Desígnio Inteligente (DI), um desenho linear de mutações conforme a interação do ambiente, da sociedade, dos fatos e fatores ordenados e ocorridos. Trocando em miúdos, a inteligência da ciência deve compreender toda complexidade de fatos e mudanças ocorridas, como um mundo todo se interagindo.

O que isso tudo tem em comum com a criminalidade e o caos no trânsito? É que vivemos numa sociedade de ratos. Os homens ratos se dividem em castas, se tumultuam em esgotos, sujando os lugares por onde que passam, destruindo o meio ambiente, sendo vis e algozes de sua própria espécie; na corrupção de seus governos, camuflam-se manifestos de ordem, punição (impunidade), medo e sofrimento, tudo amenizado por alegrias gratuitas e baratas, na velha política do pão e circo.

É notória a experiência de colocar ratos nos labirintos. A descoberta fascinante de como se interagem ainda que enclausurados em labirintos com queijos. A sociedade dos ratos cresce e anda muito bem quando todos têm suficiente espaço e fartura de alimentos. No entanto, a população aumenta, e, como a ninhada de ratos é numerosa, os labirintos tornam-se um grande enfado. Se os alimentos não forem suficientes, isto é, com a falta de economia sustentável e pequeno espaço, os seres famintos e enfurecidos começam a se matar, um canibalismo inexistente torna-se costumeiro.

Nossa cidade é justamente um labirinto, repleto de caminhos, ruas, curvas, cujos veículos são vomitados no mercado numa quantidade impraticável, à contramão de seus sentidos. O congestionamento é um transtorno: deixa motoristas violentos. A pobreza e falta de emprego, por outro lado, é causa de mais violência. Pouco espaço e pouca comida são iguais a aumento de mortes. É lógica matemática e científica.

Há recordes de mortes e outras violências, há recordes de carros vendidos, não há aumentos de ruas – pelo contrário –, transtornos e obras, lembrando do slogan: “os transtornos passam, os benefícios ficam”. Os entraves já são travados durante os transtornos. Gladiadores da violência se justificam pela impunidade e falta de condições mínimas para viver no arrocho apertado da vida cotidiana.

Vivemos numa sociedade de ratos, entremeio aos berros sôfregos, vicissitudes repentinas, com trânsitos engarrafados, verdadeiro labirinto onde não são mais vistos os inícios e fins de todas as estradas. Lugares onde o homem vira bicho, e a vice-versa é característica da nova sociedade. Até a próxima página!

 

(Leonardo Teixeira, escritor, tem sete livros publicados, entre eles: Afinadores de Piano, As Sombras do Dia e Poeira Vermelha – [email protected])

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