Opinião

Uma surra de criar bicheira

diario da manha

José Moraes ,Especial para Opinião Pública

Inicio confessando que o título acima é plágio de uma frase pronunciada pelo grande jornalista e eloquente orador Alfredo Nasser, grande líder das oposições em Goiás, em comício na histórica Praça dos Bandeirantes, prenunciando a derrota do situacionismo da época. Qualquer semelhança é pura coincidência.

A invenção, inicialmente, foi recebida como coisa de tuiteiros. Sem muita credibilidade, em seu sucesso. Uma marolinha. As lideranças oposicionistas, (com pouquíssimas exceções), como sempre tímidas, preocupadas em não serem carimbadas, pelas esquerdas, de conservadoras ou direitistas – conceitos tão vulgarizados, que perderam todo conteúdo – preferiram não encampar a ideia. Ainda mais, porque trazia um ingrediente fogoso: impeachment.

O governismo comuno-petista, em seu autoritarismo jeca – debilitado pela crise econômica, maquiada no primeiro mandato da presidente(a) Dilma, mas tornada pública no início de seu novo e já envelhecido mandato – resolveu matar a cobra e mostrar o pau. Passou a desqualificar e demonizar os evidentes descontentamentos vindos da rua, como coisa da elite-rica-branca, ante povo, terceiro turno, golpismo da mídia e da oposição.

Essa onda terminou surfada por cientistas políticos, e até por alguns influentes políticos da oposição. O próprio ex-Presidente Lula, que assistia “imexível” a fritura de sua criatura, animou-se e até realizou manobras arriscadas. Proclamou não ter medo de briga e até ameaçou com o “exército” de seu fiel escudeiro, João Stédile, comandante em chefe do MST. Me faz lembrar as bravatas de Francisco Julião, que nos arriscados anos de sessenta, ao proclamar que levaria milhares de camponeses para a guerra, não fez mais que levar lenha para a fogueira dos militares golpistas. Ainda bem que os tempos são outros e os ditos de nosso Guia Genial, já não causam tanto impacto. Mas serviram para assanhar seus partidários e comandados. Rui Falcão reuniu o comando geral do PT. Mobilizou a CUT, o MST, o MTST e outros MSs. Ministros de Estado, tendo à frente a triste figura do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, entraram na pauta e arrastaram para ela a própria Presidente Dilma, que sabiamente vinha se mantendo calada.

Atacada, a cobra virou sucuri. Panelaço, Dilma vaiada em público. A luz vermelha acendeu no Planalto. O que fazer? Dar um passo atrás? Deixar o barco correr, as coisas acontecerem? Os maus conselheiros decidiram seguir o exemplo do Mestre, que nunca abaixou a cabeça.

Se o marketing mistificador de João Santana não estava funcionando, os estrategistas palacianos resolveram pelo ensinamento de que a melhor defesa é o ataque. O 15 de março seria surpreendido pelo 13 de março. A tropa, sob a bandeira vermelha ocuparia as ruas, as praças. Afinal, quem são os heróis do povo? Seus defensores? E a hegemonia?

Deu no que deu. Uma sexta-feira 13. Um mico.

O domingo 15, chegou como um tsunami. Gente de todas as classes sociais, pessoas de todas as cores na pele e nos olhos, sem bandeiras partidárias, signos ideológicos ou religiosos, inundou ruas e praças. Homens, mulheres, jovens, adultos, crianças, bebês. Um colorido de verde-amarelo, cobrindo e unindo o país inteiro em uma manifestação espontânea, ordeira e pacífica. Mas com um propósito, um sentimento preponderante e unânime, que não pode ser escamoteado:

– Fora Dilma e o PT. Fora a corrupção. Contra o assalto à Petrobras. Impeachment.

Uma manifestação histórica. Uma lição de democracia e cidadania. Uma surra de criar bicheira, em cientistas políticos e aprendizes de alquimia social. Mais ainda, nos governantes de plantão, que não querem ouvir os clamores da sociedade.

 

(José Moraes, tipografo e linotipista aposentado. E-mail: [email protected])

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