Opinião

A porta falsa do suicídio

Jávier Godinho,Especial para Diário da Manhã

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O materialismo é a causa principal do suicídio. Quem o propaga assume terrível responsabilidade. A morte não é o fim da vida. Assim, uma das mais realistas definições que se pode dar ao suicídio é de porta falsa. Atrás dela aguardam o infeliz sofrimentos que ele jamais imaginou.

O suicida é qual prisioneiro que foge da prisão, antes de cumprida a pena. Recapturado, passa a ser tratado com severidade maior. Ocorre com o suicida o mesmo que acontece com o fugitivo: imaginando escapar às misérias do presente, mergulha em desgraças muito piores. Isso acontece porque o homem não tem jamais o direito de dispor da própria vida, que só a Deus pertence. Ao Senhor e a mais ninguém compete livrá-lo do cativeiro terrestre, quando, na Sua sabedoria, concluir que chegou a hora da libertação. A Justiça Divina pode abrandar seus rigores em favor das circunstâncias que levaram o homem a se autoeliminar, mas é implacável com aquele que desertou das provas da vida.

Esses conceitos, de Allan Kardec, expressos no capítulo 28, item 71, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, são antecedidos, na mesma obra – capítulo 5, itens 14 a 17 -, pelo posicionamento da Doutrina Espírita sobre o mais grave crime que o ser humano pode cometer contra si mesmo. Kardec o relaciona com a loucura e entende que o melhor preservativo contra ele está na calma e na resignação, obtidas na maneira de encarar a vida terrestre com fé no futuro. Convencida de que as desditas são passageiras e o futuro lhe será melhor, pois ninguém neste mundo está perdido ou abandonado, a pessoa não se desespera. A Doutrina Espírita é uma couraça nessas horas terríveis, porque lhe preserva a razão, com seus ensinamentos lógicos e seguros, garantindo-lhe a paciência.

 

Volta terrível em novo corpo

Yvonne Pereira, a lavadeira médium famosa de uma favela carioca, registra em uma de suas mais apreciadas obras – Memórias de Um Suicida, que o suicida se vê obrigado a repetir a experiência na Terra, tomando corpo novo, uma vez que destruiu aquele que a Lei lhe confiara para instrumento de auxílio na conquista do próprio aperfeiçoamento. O espírito de um suicida voltará a novo corpo terreno em condições muito mais penosas de sofrimento, agravadas pelas resultantes do grande desequilíbrio que o desesperado gesto provocou no seu corpo astral, seu perispírito.

Divaldo Pereira Franco se preocupa com os entes queridos brutalmente atingidos pelo desespero e que não são levados em conta pelo suicida. Em Loucura e Obsessão, ele frisa que o suicídio é a culminância de um estado de alienação que se instala sutilmente, O candidato não pensa com equilíbrio, não se dá conta dos males que o seu gesto produz naqueles que o amam. Como perde a capacidade de discernimento, apega-se-lhe como única solução, esquecido de que o tempo equaciona sempre todos os problemas, não raro melhor do que a precipitação. A pressa nervosa por fugir e o desespero que se instala no íntimo empurram o enfermo para a saída sem retorno.

Para Francisco Cândido Xavier, todo suicídio traz consequências muito graves nas estruturas do corpo espiritual. O estudo futuro da origem da criança excepcional, por exemplo, vai abrir um campo imenso de pesquisas altamente proveitosas sobre essas repercussões.

“Temos visto, muitas vezes, o câncer infantil como consequência do suicídio em vida anterior. Nosso benfeitor Emmanuel teve oportunidade de analisar o assunto em vários livros, dentre eles Religião dos Espíritos”– disse uma vez o médium de Uberaba, em matéria publicada pela Folha Espírita, de São Paulo.

 

Suicida em dez reencarnações

Entrevistado num programa especial de Hebe Camargo na televisão, em dezembro de 1985, Chico Xavier respondeu que os excepcionais, em geral, são reencarnações de espíritos suicidas. A forma como se mataram tem muito a ver com as deficiências atuais. Se o projétil, no caso de morte por arma de fogo, alojou-se no centro da fala, a criança renasce muda. Se atingiu os centros da visão, será cega e assim por diante. No caso de morte por enforcamento, aparecem as hemiplegias e, por afogamento, os enfisemas. Há também a tragédia dos homicidas que se suicidam em seguida e que voltam acometidos de esquizofrenia.

Muitos livros sobre Chico Xavier relatam o fato ocorrido ainda em Pedro Leopoldo, no Centro Espírita Luiz Gonzaga, onde uma senhora desesperada mostrou-lhe o filho e relatou:

– Meu filho nasceu surdo, mudo, cego e sem os dois braços. Agora, está com uma doença nas pernas e os médicos querem amputar as duas para lhe salvar a vida.

O médium não sabia o que responder quando ouviu o esclarecimento de Emmanuel, seu guia espiritual:

– Explique à nossa irmã que este nosso irmão em seus braços suicidou-se nas 10 últimas encarnações e pediu, antes de nascer, que lhe fossem retiradas todas as possibilidades de se matar novamente. Estando hoje com aproximadamente cinco anos, procura um rio, um precipício, para ali se atirar. Avise que os médicos estão com a razão. As duas pernas dele serão amputadas, em seu próprio benefício…

 

(Jávier Godinho, jornalista)

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