Opinião

Aleitamento materno: mais que nutrir... um ato de amor

Maria Cristina Gomes ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

“Amamentar é muito mais do que nutrir a criança. É um processo que envolve interação profunda entre mãe e filho, repercutindo no estado nutricional da criança, em sua habilidade de se defender de infecções, em sua fisiologia e no seu desenvolvimento cognitivo e emocional, além de ter implicações na saúde física e psíquica da mãe.”

Ainda na gravidez, o corpo se prepara para uma das tarefas mais importantes da mulher: a amamentação. Quando o bebê nasce, o organismo feminino está pronto para lhe oferecer o mais completo alimento. Nos primeiros dias, essa atividade pode ser difícil, mas aos poucos se torna prazerosa, sendo uma demonstração de afeto, com vantagens imensas tanto para a mãe quanto para o bebê. A amamentação leva ao desenvolvimento de laços emocionais mais fortes entre mãe e filho, promovendo sentimento de segurança e menor ansiedade; exerce papel fundamental na prevenção da desnutrição; facilita o desenvolvimento oral da criança contribuindo para o desenvolvimento correto da fala; evita a obesidade da mãe e favorece a perda gradual de peso; diminui risco de hemorragia no pós-parto; protege contra o câncer mamário, pela passagem de anticorpos do leite; favorece a involução mais rápida do útero, pela liberação de ocitocina (hormônio responsável pela descida do leite), além de possuir vantagens técnicas e econômicas, pela praticidade e por não haver desperdício e gastos adicionais com compra de mamadeiras, fórmulas lácteas e demais utensílios.

O leite materno é um líquido rico em gordura, água, lactose (açúcar), proteína, minerais, vitaminas, enzimas e anticorpos, sendo de fácil digestão. É o único alimento que contém todos os nutrientes de que uma criança necessita até os seis meses de vida. Nem mesmo água ou chazinhos devem ser dados até essa idade. O primeiro leite, produzido logo após o parto, é chamado de colostro. Grosso e amarelo, é tido como a “primeira vacina” dos recém-nascidos, por possuir um grande número de anticorpos que protege o bebê de várias doenças, como gripes, infecções diversas, sarampo, diarreia, asma e outras doenças alérgicas e respiratórias. Depois do colostro, a produção de leite aumenta gradativamente e o líquido começa a ficar mais branco e ralo. No início da mamada, o leite é mais aguado e possui menos gordura; já no final, é rico em gorduras e calorias; é importante lembrar que não existe leite fraco e quanto mais o bebê suga, mais leite é produzido.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o aleitamento materno deve ocorrer até dois anos de idade, sendo exclusivo até os seis meses, seguido da introdução de alimentos complementares após esta idade. A introdução precoce, principalmente do leite de vaca integral, está associada a menor duração do aleitamento materno, maior número de episódios de diarreia, risco de desnutrição, deficiências ou excessos de certos micronutrientes, com manifestações a curto ou longo prazo e menor eficácia da lactação como método anticoncepcional. Porém, em algumas situações, pode haver a necessidade de introdução de outro leite que não o materno, ou a complementação deste, tais como:

– Alguns erros inatos do metabolismo;

– Filhos de mães portadoras do HIV;

– Mães que usam drogas que contra indiquem o aleitamento materno.

– Mães que devem retornar precocemente ao trabalho e com dificuldades para continuar amamentando durante este período;

– Mães que não conseguem amamentar, por razões diversas, apesar das orientações do pediatra;

– Lactente menor de seis meses que não está crescendo e se desenvolvendo adequadamente, apesar da técnica de amamentação estar correta e das investigações e orientações já feitas.

Nestas situações, as fórmulas infantis são as mais apropriadas para substituir o leite materno no primeiro ano de vida da criança, uma vez que, de acordo com as recomendações do Codex Alimentarius da FAO/OMS (1994), satisfazem as necessidades nutricionais deste grupo etário (Portaria 977/98 SVS/MS). Por serem nutricionalmente equilibradas e balanceadas, previnem o aparecimento de doenças relacionadas ao excesso e à deficiência de nutrientes, proporcionando crescimento e desenvolvimento adequados aos lactentes.

 

COMO AMAMENTAR

O aleitamento natural deve ser iniciado imediatamente após o parto, sob o regime de livre demanda e sem horários pré-fixados, estando a mãe em boas condições e o recém-nascido com manifestação ativa de sucção e choro. Antes de tudo, é preciso manter a higiene dos seios e das mãos. O ambiente deve ser de tranquilidade e a mãe deve posicionar-se de forma confortável, com braços e costas bem apoiados, enquanto o bebê é apoiado por trás dos ombros e não pela cabeça, que permanece livre. Inicialmente, é preciso apertar o seio e passar o primeiro leite por toda a aréola; para estimular o reflexo, deve-se roçar o mamilo na boca da criança, para que ela abocanhe o seio adequadamente, de forma que seus lábios fiquem voltados para fora e seu queixo toque o seio, para que o nariz fique livre e ela consiga respirar normalmente. Depois da mamada, é preciso segurar a criança em posição ereta por cinco ou dez minutos, até que ela arrote.

 

ALIMENTAÇÃO DA

LACTANTE

A lactante (mãe) deve dar atenção à própria alimentação para garantir a boa nutrição do filho. Precisa de 300 a 500 calorias extras diariamente, sendo maior a necessidade durante os três primeiros meses. A mulher que amamenta precisa de dose extra de proteína (em média 19,0 g/dia no primeiro semestre e 12,5 g/dia no segundo semestre). Para isso, deve comer porções maiores de carnes, aves, iogurte, leite, ovos, peixes, ervilha, feijão, grão-de-bico e lentilha, que também suprem as necessidades de zinco e fósforo. A necessidade de cálcio das lactantes também é maior do que de outras pessoas. Para obter esse mineral na dose certa, basta ingerir leite, iogurte, bebidas à base de soja ou queijo de três a quatro vezes por dia. Para suprir as necessidades de vitaminas A e C, deve ingerir frutas como laranja, caju, acerola, goiaba, mamão, vegetais vermelhos e alaranjados, bem como de folhas verde-escuras. Durante essa fase, algumas mulheres tendem a se tornar anêmicas se a ingestão de ferro for insuficiente. O consumo de carnes, particularmente vísceras, como fígado, rim e coração e de outros alimentos ricos nesse mineral, como os folhosos verde-escuros, feijões, ervilha, lentilha e melado da cana-de-açúcar, deve ser estimulado.

Não há proibições específicas em relação à alimentação da lactante, mas alguns alimentos podem estar relacionados com o risco de alergenicidade e formação de gases no bebê. Por isso, o consumo deve ser moderado. É o caso de frutos do mar, carne de porco, carnes gordas, embutidos, linguiças, amendoim, queijos gordurosos, ovo cozido e frito, batata doce, repolho e bebidas gasosas. Alguns alimentos como alho, alcachofra, couve-flor, cebola, pimenta e outros temperos podem alterar o sabor e cheiro do leite materno; porém, só devem ser evitados se a mãe perceber que a criança demonstra insatisfação. Café, chocolate, chás e refrigerantes podem deixar a criança mais agitada. Bebidas alcoólicas, fumo e drogas devem ser eliminados, e finalmente, medicamentos só podem ser usados com indicação médica.

 

(Maria Cristina Gomes Rosa do Prado, nutricionista graduada pela PUC-GO. Pós-graduada em Nutrição Clínica pela Universidade Gama Filho-RJ. Contato: [email protected])

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