Opinião

As causas de nosso baixo crescimento econômico

Josias Luiz Guimarães ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

São várias as causas, no entanto, a principal, a política, política como a arte de promover o bem estar do povo, buscar a excelência, alijando o seu anverso, corrente maquiavélica, usual, arte da velhacaria, lobo em pele de cordeiro, tapear para governar, pode ser comparada com a lição do binômio de forças que aprendemos, nas aulas de física do curso secundário. Os vetores, quando alinhados, bem alinhados dão uma resultante generosa, excelente, constituída pela soma dos vetores alinhados (corrente política aristotélica, verdadeira), todavia, quando desalinhados, acontece o contrário, uma resultante medíocre, nula ou mesmo negativa (corrente política maquiavélica, falsa).

Por causa dela, nosso crescimento no último ano, 2014, foi zero, ou quase zero, o que significa que os vetores imaginários, virtuais, estavam desalinhados, cada qual, fazendo força ou puxando por rumos diferentes, ou mesmo, chocando uns com os outros, oferecendo resultante abaixo do sofrível, quase nula. O mesmo acontece com o orçamento do país quando mal administrado: vetores desalinhados, binômio de força arruinado. A atenção atual do público está focada na esfera pública federal, no escândalo corruptivo apelidado, pelo jargão popular, de “Petrolão”, porém, enquanto a atenção se concentra na roubalheira da Petrobras, na realidade, o maior escândalo financeiro de todos os tempos, alcançando, consoante noticiário, do dia a dia, mais de seis bilhões de dólares, houvesse, como manda a lei, interação: União, Estado Municípios, planejamento exemplar, na aplicação do orçamento, transparência, ordenação, boa intenção – vetores alinhados – não haveria superfaturamento, o PIB seria outro, com vetores alinhados puxando o cambão, o crescimento estaria entre os maiores da América.

Pense bem leitor! Você trabalha, duramente na sua empresa, emprego, produzindo bens, riqueza, para manter o seu sustento, o bem estar de sua família e a grandeza nacional, tudo que produz ou consome paga impostos, parcela considerável destes impostos, é abocanhada, ou foi abocanhada pela corrupção como no Petrolão, mas não é só ela não! Subsiste miríade de outras carcomendo as finanças públicas, como a denunciada pelo fantástico, na câmara municipal de Roraima, aonde, ao salário polpudo do vereador, de trinta e dois mil reais, para ir à reunião, duas vezes por semana, se ajunta outras despesas, pelo visto, superfaturadas, de mais ou menos, sessenta mil reais, somando, no topo, noventa mil reais, ou coisa igual, agregada as dos outros vereadores, pelo noticiado, mais 21 membros, quanto custará, no global, ao orçamento municipal? O que fazia o Tribunal de Contas, antes da denuncia feita pela imprensa? O que acontece em surdina, nos outros cinco mil e seiscentos municípios brasileiros, embora, maioria pequenos? Não será algazarra geral dos vetores do binômio de forças, uns chocando contra os outros, redundando em crescimento nulo, quase nulo, ou mesmo negativo? Segundo Samuel Pessoa, doutor em economia pela USP, colunista domingueiro da Folha de São Paulo, enquanto a corrupção gera rendas a indivíduos sem aumentar a produção da sociedade, ao contrário, subtrai, pois, o dinheiro fica escondido, mormente em paraísos fiscais. Fossem investidas, aplicadas em boas instituições, tais verbas poderiam gerar conhecimento alargando o saber da juventude, incentivando a educação, que por sua vez, desestimularia a corrupção, trocando a subserviência pela consciência, levando luz onde medra trevas, trevas do atraso, a ignorância asfixiada pela sabedoria. Continuando aquele pensamento, ir para a escola produz elevado retorno social, social e, também, econômico, pois emancipa, de fato, as pessoas, melhorando sua qualidade de vida, integrando-as na corrente de progresso da comunidade, diferente, portanto, do paternalismo eleitoreiro da cesta básica, cheque reforma, comunal, na atual conjuntura. Pena que os sucessivos governantes, marginalizaram, sempre, à sociedade, mesmo agora, na aurora do terceiro milênio, com a constituinte de 1988, quando a república passou a ter educação quantidade, mais pecou, continua pecando em qualidade, ao negar a oportunidade de um lugar ao sol a milhões de estudantes, com a falta de qualidade no ensino, induzindo, a metade deles, a deixar a escola no curso médio.

Consoante meu artigo do último sábado, promovendo o controle externo dos governantes, nas três esferas: município, estado e união, interagindo, com o controle interno: ministério público, tribunais, fechando o cerco, como na operação, “Mãos Limpas na Itália”, contra corruptos e corruptores que assolam a nação, isto aí leitor, atrelado ao que se convencionou chamar de bônus da estabilização (Meireles), como seja estabilização da inflação, melhoria do perfil da dívida interna, ora monstrengo, mais de dois trilhões e o acúmulo de divisas externas, no momento, na extrema unção, pode-se romper a estagnação, subsidiando novo surto de crescimento.

Outra causa que asfixia o crescimento econômico duradouro é a baixa taxa de matrícula no ensino superior, a nossa atualmente é de 32%, nos países de primeiro mundo é de 76%. O país sem um bom desempenho educacional na universidade tem chance limitada, lenta, de desenvolvimento. No que diz respeito à punição dos corruptos, esse atual processo tradicional de prisão está a carecer de mudança substancial, substituindo as celas tradicionais, pela prestação de serviços à comunidade, como fez recentemente a justiça Italiana, comutando a pena do ex-primeiro ministro Berlusconi, no lugar da cela, a prestação de serviços a uma instituição beneficente, em vez de despesas a mais, onerando à sociedade, impondo trabalho, quem sabe até ajudando o PIB, ora, nanico.

Acresceria ainda, inscrição na vestimenta, bem visível, alusiva ao motivo que o levou a prestar serviço à comunidade, embora condenado por crime hediondo, prevaricação pública, não é ele perigoso à sociedade, como no banditismo organizado.

Além dessas, leitor, outra causa que emperra nosso crescimento é a desconfiança dos investidores, o país, por culpa da presidenta e seu ex-ministro Mantega passou a gastar mais do que arrecada, com isto, a falta de divisas lá fora, importação maior do que exportação gerou estagnação, a estagnação, imagem negativa aos investidores daqui e lá de fora. Outra causa, inflação acima da prevista, gerando instabilidade, baixa poupança, baixo investimento, baixo crescimento econômico.

Além disso, a alta do dólar desfavorece o agronegócio na exportação, logo ele, nosso sustentáculo na capitação de divisas, quanto maior o superávit lá fora, mais fácil à busca de investimentos. A inflação, além de afugentar investidores, desencadeia, por natureza, redistribuição de renda as avessas, extorquindo, como aves de rapina, no caso, os cartéis camuflados do leite, e, de uns tempos para cá, também, os de pneus, os pequenos produtores de leite e de borracha natural, impondo, com sua políticalha de terra arrasada, preços aviltantes. Atos insanos e impunes, dessa natureza descapitalizam, empobrecem as fontes produtoras, atuando de forma maquiavélica, em sua maioria cartéis camuflados, doando polpudas contribuições financeiras às campanhas eleitorais fraudulentas, acabam remetendo para o exterior, como se lucros fossem, o que surrupiam ardilosamente dos produtores, lesando, de igual forma, o país.

Para voltar a crescer leitor, é preciso enxugar a máquina do estado, máquina pública, exorcizar a podridão, amarrando ética à política, moralizando costumes, sublimando valores, uma sociedade aberta, pluralista como a nossa, tem desvantagens, mas as vantagens superam, em muito, aquelas, para tanto, você tem que participar, construindo sua história e a do país, com isso o crescimento, desafiando doutos e “indoutos”, ou seja, incultos, brotará viçoso, liderando o PIB, nas Américas.

 

(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em filosofia política pela PUC-GO, produtor rural)

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