Opinião

Crônica do menino do Pé Perebento e a Tolha de Linho – Extrato XIII

  João José,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

Minha incessante peregrinação, considero como: “Assim mais pensante vou caminhando, pois entendo que caminhar é, certamente, uma das mais profundas experiências humanas e estar a caminho significa possuir, ante os olhos esperançosos de Deus, uma referência de chegada um objetivo procurado, um endereço apontado, um além, um amanha venturoso. Numa palavra: dispor de vasto horizonte colorido, de novas e radiosas manhãs, de tudo capaz de quebrar a muralha do medo, certo de quê, cada passo dado é uma aceitação de propostas e constante retomada de um desafio eterno.” (Autoria anônima).

Seguindo à risca toda esta variedade de crônicas sobre minha pregressa “infância venturosa” (priscas eras), tenho comigo que tudo o que o Prêmio Nobel, Jorge Luís Borges, queria praticar, minha “clã” de moleques de rua era eximia em aprontar, pois, vivia se refestelando no dia a dia, arriscando-se mais; muito mais em aventuras que hoje não mais se pratica na infancia, tais como acompanhar enterros, atrás do “bererê” (carro funebre);: brincar descalço na chuva e enxurrada; pegar mais e mais resfriados; amar mais; ser irracionais ao extremo; roubando frutas e galinhas nos quintais alheios; correndo o risco de levar tiro de sal na bunda ao roubar (“maiar”) frutas na Chácara dos Padres”, fazer fila no mato para pegar a Zica, a Dora e a Mudinha, correr pelas matas e relvas molhadas, dentre outras macaquices do genêro que praticávamos, tais como coletar “sabão de macaco”, engraxar sapato com flor vermelha (“beija”); fumar “talo de chuchu”, manchar a boca com jambolão e jambo, etc. Inclusive tomávamos banho no Rio Uberaba onde em muitos locais ocorriam afogamentos em buracos submersos com redemoinhos, quando o “Paderão”, de 120 kg, maior nadador de Uberaba, era o único e sempre convocado a dar socorro, já que naquela época ainda não existia em Uberaba Brigada ou o Corpo de Bombeiros.

Era muito comum salutar mesmo e da alegria geral da molecada quando as pesadas nuvens negras e os primeiros pingos d’águas começavam a desabar. A rua se enchia de moleques “traquinas”, muitas vezes saboreando o geladinho dos pedriscos de granizos que desabavam torrencialmente das nuvens negras trazendo dos lados das Tutunas e Fazenda Modelo à Norte, trovões estrondosos e relâmpagos reluzentes. Dava medo, mas também aguçava nossa incrivel curiosidade.

A natureza se manifestava também nos redemoinhos de terra, quando o vento paulatinamente embiroscava-se levantando muita poeira para nossa fantástica alegria. O “Arco Íris” (fenomenal) denotava sempre possuir um pote de ouro em suas bases. As revoadas de borboletas de diversos matizes e cores eram de um só esplendor. Como dava vontade de colecioná-las, a exemplo de outros bens materiais colecionáveis. Soltei muito “papagaio (pipa)”, construindo-os precáriamente, com bambu coletado nas redondezas, papel de seda e goma arábica. Quando faltava goma arábica que era comprada, fazíamos “grude de polvilho”. Os jogos de bolinha de gude (biloca); rodar peão; pular corda; corrida de sacos; troca de gibis; peladas de futebol (usavamos bola ou meia cheia de jornal com capim); banhos em córregos e riachos; preencher álbum de figurinhas (a maioria trocada); pesca de lambaris, traíras e cascudo; caçar passarinho; além de muito outros divertimentos que não existem hoje faziam nossa cotidiana alegria do dia a dia.

“Pés de moleque” (calcamento de basalto irregular) feria-nos os pés, dando muitas “perebas e acabando com os nossos calçados rústicos, prejudicando o pouco que possuíamos. Apreciávamos muito, além da lua e estrelas, o nascer e o pôr do sol, sempre observando os raios solares penetrando nas formações das nuvens, que nos causavam muita curiosidade com suas estranhas formas de anões, bichos fantasiosos e diversos: gigantes, touros, elefantes, dragões, cavalos; cachorro etc. Estranhávamos muito o sumiço do sol no horizonte, e logo após, o surgimento da lua que se mostrava sob as mais diversas formas sempre com o São Jorge enfiando a Lança no Dragão.  Estava aí minhas fontes de intuição, motivação e inspiração, levando-me às profundas meditações introspectivas,  minha verdadeira “antena telepática” proporcionada pelas Musas Inspiradoras que comigo se comunicavam e até hoje se comunicam, principalmente através de intuiçôes e inspirações motivadoras e alavancadoras de ações espontâneas.

As brincadeiras noturnas, a coleta de frutos nativos, como a “mangaba”, “baco pari”, cajuzinho”, angá”, “gabiroba” além de caçar passarinhos, cigarras e vaga-lumes, “maiar” (roubar) frutas nos quintais alheios, tenho certeza, também faria inveja ao Prêmio Nobel, Jorge Luis Borges.

“Às vezes, ao dobrar uma semana ou quinzena, às vezes dá uma aragem, Dá, sim; dá e com água fresca. E quem vo-lo diz é quem já pegou muito sol nos desertos e muito mormaço nas charnecas da existência.”

Rubem Braga

“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus.” – Jesus (MATEUS, 5:16.)

“Por isso te lembro despertes o dom de Deus que existe em ti.” – Paulo. (II TIMÓTEO, 1:6.)

“Porfiai por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão.” – Jesus. (LUCAS, 13:24.)

 

(João José, Geol. da Amazônia, comendador do Araguaia, servidor do Radam Brasil / IBGE, ex-professor da UFMG, articulista e cronista do DM, ex-diretor da Femago e Metago, ex-assessor do Governo do Estado e da Prefeitura de Goiânia, detentor do Prêmio de Meio Ambiente Altamiro Moura Pacheco 2014. consultor de empresas ([email protected]); ex-garimpeiro de esmeraldas em Campos Verdes e assessor do promotor Sullivan Silvestre na questão do Garimpo Racional; professor esporádico de Ecologia no Hotel Fazenda Mestre D’Armas (Antonio Fábio Ribeiro); autor da Proposição Caldas Novas / Rio Quente Patrimônio Natural da Humanidade (1º Simpósio de Defesa do Aquífero Termal em 1995))

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