Opinião

Da cor da Xuxa ou do Pelé, cada um é o que é

Natal Alves França ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

A população brasileira é formada por um povo colorido, alguns de pele mais clara e outros de pele mais escuras, entretanto, poucos de nós não possui um pouco de sangue europeu, africano e indígena. No dia treze de maio relembramos a lei que concedeu a libertação dos escravos no Brasil. Sendo eu um negro, não vou negar que já sofri muito com preconceitos e discriminações desde a minha infância, felizmente não trago comigo nenhum trauma, porque, graças à Deus, recebi e recebo apoio, gozo da amizade e respeito de todos que conviveram e convivem comigo, independente da cor da pele, tudo foi superado e agora, são apenas tristes lembranças.

Muitos brasileiros se acham brancos, mas, não o são, pouquíssimos são verdadeiramente brancos, o que existem são aqueles que não querem assumir suas verdadeiras origens.  Somos todos iguais perante Deus, ninguém pode ser considerado melhor ou pior somente pela cor da pele. Um dos fenômenos mais estudados e também mais complexos da biologia e da psicologia é o de saber como é que as pessoas se desenvolvem mentalmente, e quais são os fatores que mais contribuem para o desenvolvimento mental do indivíduo. Embora não seja único e nem uma verdade absoluta, o ambiente onde uma pessoa foi criada e onde ela convive é preponderante na formação do caráter de um cidadão. Os segredos da mente humana, ao que parece, não revelam como é que os indivíduos desenvolvem a capacidade para a aprendizagem, a memória, a inteligência, e a personalidade. Certamente, o ambiente/cultura em que uma pessoa é criada contribui para a formação integral da sua personalidade e inteligência, mas, existem também os fatores genéticos, a forma de aprendizagem, linguagem, cultura e instrução.  Conforme alguns pesquisadores, não existe um único fator definitivo que influencia diretamente e de forma única a inteligência, contudo, ela pode ser influenciada e melhorada pelo ambiente moral, político, ético, educacional e social de convivência do indivíduo. E isso, não tem nada a ver com a cútis. Se temos a mesma origem e somos iguais, não faz sentido alguns se acharem superiores a outros, qualquer preconceito é mediocridade. Toda a forma de preconceito tem que acabar, o caráter não é determinado pela cor da pele.  Em uma sociedade mais justa e humana é preciso ter consciência para se ter à clara compreensão do racismo como uma forma desumana e cruel contra uma determinada raça e banir a falsa idéia da existência de raças superiores e inferiores, precisa da solidariedade para perceber que a discriminação racial, quando atinge a pessoa negra, indígena ou pobre, por extensão, atinge toda a humanidade, independente da cor ou raça. De acordo com a nossa constituição, é crime praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência. Diferença não é defeito. Não é a cor da pele, nem o lugar de nascimento, que determina o nível de inteligência e o caráter de um cidadão.

Sabendo das injustiças e da dívida histórica para com os povos negros e indígenas, bem como, da falta de igualdade de condições para com os menos favorecidos (nesta lista estão incluídos os desempregados, os favelados, os mendigos, os menores e maiores abandonados, os trabalhadores de baixa renda, etc.), da falta de políticas públicas capazes de melhorar as condições de moradia; segurança; assistência educacional e à saúde, é compreensível a prática inclusiva custeada com dinheiro do povo e administrado pelo poder público, entretanto, uma nação não será grande enquanto for necessário disponibilizar: cotas nas universidades; apoios financeiros e habitacionais pelo poder público e ainda forem precisos movimentos sociais cobrando, o que é dever de todos, consciência (negra, contra violência doméstica, contra violência infantil, pelo respeito e contra violência com as mulheres, etc.). Concluindo, “da cor da Xuxa ou do Pelé, cada um é o que é”.

 

(Natal Alves França Pereira, servidor público, graduado em Ciências Contábeis, filiado à Associação Goiana de Imprensa)

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