Opinião

É só o começo: o possível legado dos Jogos Olímpicos no Brasil

Roger Tondeur,Especial para Diário da Manhã

diario da manha

 

Em 15 meses, o Rio de Janeiro será palco de um dos eventos esportivos mais importantes do mundo. Quem anda pela cidade, pode ver obras acontecendo, pessoas se preparando, o comércio e a indústria hoteleira com grandes expectativas, mas também muitas preocupações quanto às Olimpíadas 2016. O principal desafio é que, com o término dos jogos, a cidade continue sendo um polo de atração de eventos Meetings, Incentives, Conventions&Exhibitions (Mice).

Entre os tantos preparativos para o evento, chama a atenção o aumento significativo na necessidade de acomodações para os visitantes. A estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio (Abih – RJ) é de que até o final no ano de 2015 o Rio conte com 48 mil acomodações para os jogos, com previsão de 51,1 mil quartos para o ano seguinte – hoje são cerca de 34 mil. Mas o que acontece com tudo isso depois da festa de encerramento?

Grande parte desses quartos será preenchida com encontros e eventos corporativos, se for feito um bom trabalho. Tomando como exemplo os Jogos Olímpicos de cidades como Barcelona e Londres, é possível ver que a melhor saída é, a médio e longo prazo, se consolidar como palco para eventos relevantes, já que não é do dia para a noite que o número de famílias que decidem viajar para o destino acontece, nem com a melhor das campanhas.

Os jogos podem servir como catalisadores para o crescimento econômico e modernização urbana, legitimando investimentos que poderiam trazer benefícios à população. Além de que, quando bem executados, resultam em uma melhora da imagem da cidade. Nesse cenário de melhorias potencializadas, o mercado de encontros funciona como verdadeiro motor econômico.

No recente evento para debater o assunto, “Rio 2017 – Um futuro de oportunidades”, que aconteceu na última semana, no Rio de Janeiro, cheguei a sugerir que o evento se chamasse Rio 2027 – afinal, as mudanças e a consolidação de uma cidade não acontecem de uma hora para a outra. É necessário planejamento. Um dos principais passos para aquecer essa demanda é pensar de forma estruturada. Quais eventos não viriam antes para o Rio e que podem vir agora? A quais públicos a estratégia deve ser direcionada?

 

Encontros

Como qualquer lugar, o Rio de Janeiro tem prós e contras, assim como Barcelona e Londres, acreditem. Em um estudo realizado com os países “Top 20 future brands” da Country Brand Index, o Brasil aparece em 43º lugar e o dado faz muitos desanimarem. Ao mesmo tempo, na “Visão Americana de outros países”, da PewResearch Center, o Brasil aparece em 5º lugar da lista dos mais favoráveis. Com o dólar em alta e com a proximidade geográfica, esse pode ser um ótimo ponto de atração.

Outro ponto positivo do Brasil é a alta densidade demográfica, o que também favorece eventos nacionais. Além disso na projeção de 2025 da ascensão da classe média o Brasil também aparece em 5º lugar, isso significa que com a classe média crescendo maior se torna o público potencial que investe em eventos de entretenimento, por exemplo. O aumento da classe também vem atrelado a outros fatores, como uma melhora econômica – a verba destinada a eventos e encontros corporativos provem do planejamento de marketing, que dependem do desempenho econômico das empresas, da economia do país e também global. Segundo pesquisa do ITSMA 2014, 51% das empresas pesquisadas já planejavam o aumento em seus investimentos em marketing naquele ano fiscal.

Outra boa alternativa a ser considerada são as alianças entre países para receberem eventos de um determinado segmento. É preciso olhar para além de si mesmo, com cuidado. Não é só sobre o Rio, é sobre a região, sobre o Brasil.

Com uma boa ativação da campanha dos Jogos, muito além da infraestrutura construída, as possibilidades criadas com a exposição da cidade são imensas. O meu conselho para o Brasil é: construam um plano de negócios real e apropriado, dividam-no em ações, quantifiquem-nas, determinem responsáveis e prazos. Existem ações que sequer precisam de budget, desde que se tenham as pessoas certas envolvidas.

O Brasil está sim atrás do seu planejamento, mas antes agora do que nunca, ainda é possível tirar o melhor que esse evento pode oferecer, com tantos outros que podem segui-lo.

É preciso saber conduzir a onda formada pelo movimento das Olimpíadas, usar os Jogos Olímpicos e não deixar que eles os usem. Este é um trabalho de força, de equipe e em tempo integral, mas que quando bem feito, pode gerar décadas de resultados satisfatórios. Boa sorte!

 

(Roger Tondeur, fundador, chairman e presidente da MCI. Roger fundou a MCI, em Genebra, na Suíça, em 1987)

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