Opinião

Entre o agir como ser humano e como animal, uma tênue linha

José Domingos,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

No processo evolutivo da humanidade, milhares e milhares de anos foi preciso para que a hoje conhecida e atribuída civilidade de cada ser alcançasse o atual estágio, porém ainda não totalmente o adequado para as convivências sociais, pois o que cotidianamente se vê, é uma degeneração de tudo o que foi conquistado, já que a pressa, a falta de educação, o individualismo e vaidade de quase todos, tem levado a uma situação em que está a se predominar o “eu primeiro”.

Assim o é, que regras mais do que conhecidas, se não escritas, mas outrora entendidas como uma, até mesmo pela necessidade de que assim o fosse, como a de que, quem está trafegando em uma subida tem a preferencia em relação a quem faz o caminho inverso, até mesmo por que o primeiro está desenvolver uma marcha mais forte e, sua interrupção numa ladeira pode acarretar grande dificuldades para chegar ao topo, principalmente se estiver pesado, hoje quase que por ninguém mais é observada, pois o que se vê hoje em todas as situações é o que já foi citado no fim do parágrafo anterior, já que o que a quase totalidade dos mal educados condutores de veículos sejam eles de duas, quatro, oito ou mais rodas, é de que eu tenho que passar primeiro, o outro que se vire.

Mas se esse tipo de falta de educação já deixa, a quem por ele passa, descrente com essa crescente animalização das pessoas, mais ainda isso se patenteia quando se, se depara com algum tipo de acidente nas estradas. A quase totalidade de condutores, mesmo antes de visualizar que ocorreu algo de anormal, de longe a isso eles já deduzem ante o aglomerado de veículos de curiosos, e por que não dizer sádicos, que simplesmente vão estacionando às margens da rodovia para ver “in loco”, presencialmente, o que foi que ocorreu, se houve feridos e/ou óbitos, sabe se lá, para atender a qual o tipo de sentimento.

Esse comportamento anormal, imprudente, portanto desaconselhável salvo se for para prestar os primeiros socorros, não poucas vezes acarretam novos acidentes até mesmo com vítimas fatais, o que em alguns casos com “xeretas” que  pararem, é que ocorre mortes e/ou danos materiais até bem superiores àquele que motivaram suas curiosidades.

Entretanto, se na maioria das vezes que se depara com essa situação, o que predominou foi tão somente a vontade de visualizar um acidente e a isso poder alardear para os seus conhecidos, como se vantagem fosse.

Outras ocorrências ainda mais tétricas se dão, como quando o veiculo acidentado era transportador de cargas que são, de pronto, saqueadas animalescamente como que por abutres que perdem qualquer sentido de humanidade, tanto que em um desses assaltos que estando e continuando passando, ainda pude ver o condutor da carreta tombado dentro do caminhão e a chusma de saqueadores, tal e qual urubus na carniça, a praticar a rapinagem sem se preocupar se o pobre do condutor estava ferido, vivo ou morto, numa cena para lá de  que degradante para qualquer ser que pense ser humano.

Em tal situação só me coube, não tendo parado e não compactuando jamais com essa lamentável e reprimível conduta, avisar ao primeiro posto de policia rodoviária, muito embora quando lá cheguei, do acidente já se tivesse conhecimento e já tendo sido deslocada uma equipe para os devidos atendimentos.

Realmente para qualquer cristão isso dói, dói bastante, ver que pessoas que não estão passando por nenhum estado de necessidade que os levassem a esse procedimento tão execrável, e que ante a fome até seria um pouco mais explicado mas mesmo assim também não aceitável totalmente. Ainda mais que, em todas as vezes que assisti a essas cenas deprimentes, nelas vi desde de carrinhos de mão para transportar caixa de mercadorias roubadas literalmente, até madames e crianças em frenéticas corridas a surrupiar coisas do veiculo acidentado e descarregar rapidamente, para uma nova incursão e roubar mais, em veículos de luxo, o que só foi possível presenciar rapidamente pois, mesmo nunca tendo sequer parado nisso, dada á situação, se tem que trafegar a baixíssima velocidade, portanto, nos sendo possível notar tantos detalhes.

Nota se, ante esses comportamentos, o quão tênue é a linha que separa uma pseudo civilidade das pessoas, do outrora estado bruto em que os homens das cavernas viviam e sequer falavam, mas grunhiam e a sua sobrevivência teria que advir fosse de onde fosse, pois não possuíam eles a total compreensão do que hoje se prega e se tem como a prática usual e conveniente, de um espírito de compreensão, de tolerância e de respeito aos direitos do próximo, o que hoje se diz ser uma condição essencial do viver em comunidade, o que implica no irrestrito respeito à pessoa,  à propriedade e posse de outrem, seja qual for o estado em que coisas e seres humanos se encontrem.

 

(José Domingos é jornalista, auditor fiscal, professor universitário, escritor e poeta. E-mai. [email protected])

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