Opinião

Falsos mitos

Eurico Barbosa ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

Anteontem foi demitido do Flamengo o técnico Vanderlei Luxemburgo. Há mais ou menos duas semanas Felipe Scolari deixou de ser treinador do Grêmio Porto-Alegrense.

Em torno de técnicos de futebol se constroem falsos mitos.

Luxemburgo, por exemplo, tem mais deméritos do que méritos. Por ter sido o Bragantino campeão paulista sob o seu comando, seu nome emergiu como excepcional revelação de estrategista. Tanto que no ano seguinte, quando o Flamengo tomava providências para a conquista do título de campeão carioca na comemoração do seu centenário, levou para a Gávea o coach revelação. Foi um fracasso. Luxemburgo pediu à diretoria do Flamengo quase um time inteiro. O primeiro pedido foi a contratação de Romário, que estava na Espanha. O segundo o da dupla de zagueiros Jorge Luís e Agnaldo, naquele ano com grande destaque. Em seguida o lateral esquerdo Marcos Adriano, do São Paulo. Simultaneamente o volante Charles, que Luxemburgo transformou em lateral direito. O técnico levou do Bragantino o meia Mazinho.

Veio a disputa do campeonato daquele ano – 1995 – e o Flamengo nunca chegou a atuar de forma 100% convincente. Lembro-me de que Flávio Costa, aquele que comandou a seleção brasileira na Copa de 1950 e que fora técnico muito vitorioso no Vasco da Gama, mas era apaixonado flamenguista, já com o certame do centenário no segundo turno dizia em entrevista à imprensa esportiva carioca: “O Flamengo ainda não conseguiu se acertar. Não fez uma partida sequer com atuação convincente.”

Mesmo com alguma deficiência o time dirigido por Vanderlei Luxemburgo chegou à final do campeonato a necessitar apenas do empate com o Fluminense para ser campeão. Chegou a terminar o primeiro tempo perdendo de 2 a 0, alcançou o empate de 2 a 2 mas no penúltimo minuto da partida sofreu o terceiro gol – aquele famoso “gol de barriga” de Renato Gaúcho. Deixou, portanto, de ganhar o título do seu centenário.

Além da falta de superior padrão de jogo no campeonato, o Flamengo perdeu vários pontos por falhas do goleiro Adriano. Além da sua falta de estratégia, Vanderlei Luxemburgo não atentara para o fato de que um grande time começa com um grande goleiro. Pedira muitos jogadores, mas não um grande nome para o gol. Ficou com o aspirante Adriano e isto foi fatal para o Flamengo.

Bem mais tarde Vanderlei Luxemburgo veio a ser técnico do Real Madrid, sempre uma das maiores potências do futebol mundial. Fracassou. Depois de péssimos resultados durante três meses, teve o seu contrato rescindido e voltou para o Brasil. Aqui equipes com grandes elencos dirigidas por ele, como Palmeiras e Corinthians, foram campeãs. Aconteceu que elas constituíam nos respectivos anos de conquista do título os melhores elencos do futebol brasileiro. Quando sem o privilégio de dirigir o melhor elenco Luxemburgo fracassou rotundamente: o Atlético Mineiro viveu com ele um dos piores anos da sua história, assim como o Paraná, o Fluminense e novamente o Flamengo. Também como técnico da Seleção Brasileira Vanderlei Luxemburgo foi um fiasco. No Flamengo deste ano o insucesso foi total: perdeu o título do primeiro turno – Taça Guanabara – e o do turno final, ou seja o Campeonato Carioca. E no atual Brasileirão, depois de três rodadas ganhou apenas um ponto, estando o rubro-negro na rabeira.

Apesar de todos esses fracassos a imprensa esportiva jamais fez uma análise crítica e sempre mantêm Luxemburgo no topo dos treinadores nacionais.

Quanto a Felipe Scolari, hoje um bilionário (até aqui em Goiânia ele tem um prédio de altíssimo valor), após a Copa de 2002 experimentou somente fracassos: não foi além do 4° lugar com a seleção de Portugal, viu-se afastado do Chelsea depois de apenas quatro meses na função, perdeu vergonhosamente a Copa do ano passado realizada aqui no Brasil e, de volta ao Grêmio, acaba de encerrar uma passagem de triste memória.

Como se vê o demérito não é levado em conta no futebol brasileiro. Ao contrário: o falso mérito gera mitos e fortunas.

 

(Eurico Barbosa é escritor, membro da AGL e da Associação Nacional de Escritores, advogado, jornalista e escreve neste jornal às terças & sextas-feiras)

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