Opinião

Fatalidades

Jorge Lima,Especial para Diário da Manhã

diario da manha

 

Sorte, destino ou livre arbítrio? Estes dias ouvi uma senhora contando sua vida em um programa de televisão em um relato auto biográfico.

Desgraça era amiga intima. Vida miserável, confusa, indefinição afetiva, marido ébrio, filhos perdidos.O mesmo sofrimento que por anos ouvimos em consultório que independe de gênero ou classe social.Lei da pancadaria do existir. Seja no serviço da clinica social que temos ajudando pessoas da comunidade carente, seja em condições melhores da classe media ou alta, ali também esta a dor.

Na ilusão pós moderna existe um discurso tosco que quer impor ao sofrimento lugar, em um sentido espacial e geográfico. O consumismo e a propaganda com a reprodução do discurso de um estilo de vida ao modelo do dr. Hollywood como modelo de sucesso, prosperidade e de felicidade. O lugar da alegria Beverly Hills da tristeza uma favela no Rio. Um padrão ilusório criado para conferir a certos lugares seu valor de mercado, preço definido e bem explorado. Aqui você é diferente e mais feliz– para alem da gentalha. Você acredita nisto? Sua felicidade depende disto?

Após mais de 20 anos de prática profissional como analista e psicólogo clínico hoje eu questiono o padrão de felicidade proposto por nossa sociedade. Na lida diária com meus pacientes pude ver a história do infortúnio , as fatalidades diariamente. Aprendi que as piores fatalidades são o egoísmo, a ignorância, o negar da vocação e os dons.

Vi vários casos em que as pessoas sofriam fatalidades na vida: perda de filho, acidente, doenças, falência, desemprego e queda do padrão de vida, fim de envolvimento afetivo,…vi que as pessoas mais rabugentas, resmungonas, as que não refletem sobre o que ocorre e que fogem da consciência , elas são as que mais sofrem.

Sofrem por que querem atribuir ao exterior , a sorte, a superstição o que lhes deveria servir a sua reflexão. A dor e as fatalidades são uma importante escola que pode nos trazer profundo desenvolvimento moral , intelectual, espiritual. Mas ao contrário o ser humano egoísta e onipotente quer por regras no universo fazendo do exterior seu asilo, fugindo de sua própria consciência, o que invariavelmente só aumenta a dor e seu infortúnio. Assim quem mais reclama é quem mais sofre. Conheci nesta vida verdadeiros infernos abastados em condomínio de luxo, nos quais impera a discórdia, competição, tristeza, a ausência total de alegria, lares em que a consciência saiu de férias e não disse quando volta.

Aprendi que na existência o problema não são as fatalidades mas o que fazemos com elas. O quanto distorcemos as coisas para nos martirizar, ou para criar uma superstição capaz de nos retirar de nossa consciência, o que amplia o ciclo vicioso da dor e do sofrimento. Fatalidades e superação podem andar juntas se não existir auto comiseração e fuga do desenvolvimento pessoal. O azar esta nas mãos de quem não quer usar a inteligência.

 

(Jorge Antônio Monteiro de Lima, analista, pesquisador em Saúde Mental, psicólogo)

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