Opinião

Jaraguá: diversificar o pilar econômico é preciso

José Carlos dos Santos ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

Falar de um estado industrializado há alguns anos nos grandes centros era algo desconfortável e constrangedor, pois as pessoas que viviam nestas regiões tinham a impressão que Goiás não possuía nada além de índios circulando pelo estado. Felizmente está realidade mudou ao longo dos últimos 20 (vinte) anos, com o trabalho plausível de diversos agentes públicos que conseguiram atrair com muitos esforços empresas de médio e grande porte para as regiões Sul, Sudoeste e metropolitana de Goiânia, onde se encontra a pujante cidade de Aparecida de Goiânia. Essa cidade na década de 80 e meados dos anos 90 do século passado era tida por muitos, como cidade dormitório, ou seja, as pessoas passavam o dia estudando, trabalhando ou comprando na capital e voltavam à noite para dormir.

A cidade além do antigo Cepaigo e casa de prisão provisória também tinha em seu território o polo industrial municipal Dimag e o estadual Daiag, ambos sem muita expressão no contexto geral, algo muito aquém da necessidade e potencialidade de Aparecida. Então, na segunda metade dos anos 90, surgiu um prefeito arrojado que chegou a ocupar anos depois a vice-governadoria do estado, e provocou profundas e definitivas mudanças nesta triste realidade. Com muita sabedoria desapropriou uma área e construiu o Polo Goiás, onde encontram instaladas diversas indústrias que empregam milhares de trabalhadores, munícipes daquela cidade. Também implantou o Polo Empresarial Aparecida e a Cidade Empresarial, este último que embora seja privada, contou com diversos incentivos para se instalar no município. E ainda é possível comentar o forte “Polo Comercial da Avenida Rio Verde”. O trabalho foi tão positivo que o atual prefeito deu continuidade a esse trabalho atraindo mais indústrias para a municipalidade.

A intenção é exemplificar e registra como sugestão um modelo testado e aprovado, que pode ser implantado em Jaraguá-GO. Acompanho a retração e dificuldades que as empresas de confecção (segmento que concentra 90% dos negócios) passam ano a ano (nada tem haver com a atual crise econômica brasileira), sem obter verdadeiramente o apoio do setor público, necessário para alavancar e mudar a economia “monocultural”, instalada no município. Em gestão existe uma máxima que diz “não se põe todos os ovos na mesma cesta”. Com essa expressão fica elucidado o que ocorre em Jaraguá, onde a economia é basicamente sustentada na indústria de transformação (confecção), que tem a China como concorrente desleal, a informalidade, problemas ambientais com a destinação de resíduos gerados, o eterno problema das lavanderias, dentre outros. A diversificação da vocação industrial, criando de fato um polo empresarial onde poderia abrigar empresas de diversos setores, assim se um estivesse em baixa outro minimizaria o impacto. Para atrair essas novas empresas e diversificar a pauta teria que primeiro implantar uma Secretaria de Indústria e Comércio forte, com orçamento e estrutura para sair em busca, Brasil a fora de organizações que possam mudar positivamente a história da cidade, claro que estabelecendo um projeto de apoio e estruturação da indústria local, com geração de emprego e não subemprego, com gestão profissional e estratégica. Diante desta realidade o comércio fica fragilizado também, pois depende direta e indiretamente do alvo vulnerável confeccionista.

É deprimente presenciar um local com tantas potencialidades, um povo trabalhador, uma cidade diferenciada se sucumbido por falta de vontade de fazer realmente. Destaco que Aparecida de Goiânia, mesmo fazendo parte da região metropolitana de Goiânia e com apenas 93 anos de existência possuía naquela época proporcionalmente (população divida por polos instalados) o equivalente ao atual número de habitantes da centenária Jaraguá, então, o ambiente é mais que propício para o feito, pois quando da retomada do crescimento brasileiro, o município poderia muito bem está pronto para sair na frente e agregar novas empresas. Deixemos de pensar pequeno, arregacemos as mangas e vamos à luta, que isso é real e não utopia.

 

(José Carlos dos Santos, contabilista e bacharel em Administração)

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