Opinião

Menina e mulher

Lorene Patigra ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

A gente sempre comemora… Todo ano haverá um domingo específico para isso. As lojas estampam em suas vitrines aqueles porta-retratos lindos anexados à cartões perfumados, extremamente convidativos – quem não gostaria de vivenciar constantemente esse período, nem que fosse para desfrutar do cheiro do sentimento, do sabor da homenagem, da energia que emana para uma data tão especial? Pensamos em chocolates, livros, imóveis, flores, joias – afinal, que tipo de mulher é aquela que você mais ama?

Veja bem, atente-se aos próximos parágrafos com os olhos da sua alma: toda cultura tem a sua própria história, seus heróis específicos, suas homenagens exclusivas. Mas há uma pessoa neste planeta que não importa onde ela esteja, sempre haverá uma data no ano em que a sociedade voltará o seu coração para ela – e isso, precisamos admitir, vai além da motivação internacional de enfatizar que toda mulher merece um aplauso.

Eu estou falando daquela pessoa de três letras que começa com “m”. M de menina, M de mania, M de momento, M de máximo, M de magno, M de mãe. No Brasil, nós somos calorosos, conhecidos amistosamente como a nação mais simpática do mundo e, aqui, no segundo domingo de maio nós comemoramos a existência da pessoa mais valiosa de nossas vidas – aquela que dividiu durante nove meses até o seu útero conosco.

Dia das mães – que grande data! Não importa o ano, alguns sempre optam pelas surpresas grandiosas, com confetes, cornetas e abraços. Outros preferem organizar almoços, cafés da manhã, um sincero “eu te amo” ou mesmo um presente simbólico – com tanta coisa legal por aí, o jeitinho de cada mãe é fácil de ser associado. Infelizmente há aqueles que só têm os cemitérios e os álbuns de fotos, mas nem por isso deixam de sentir o reconforto das lembranças.

Independentemente de como você tenha passado o dia das mães, o dia passou –como tudo na vida, também se foi. Esta comemoração, entretanto, é um dos raros contextos deste universo que irá voltar – seja porque você é filho, seja porque você é mãe. Seja porque você tem esposa, seja porque você é mulher – deste ciclo todos fazemos parte! E na próxima data, durante os dias que percorrem até o seu retorno, uma reflexão precisa ser feita:

Os psicólogos dizem que um dos maiores problemas que um ser humano pode carregar consigo é estar mal resolvido com aquela que lhe deu à vida. Filósofos, historiadores, psiquiatras, estudiosos, escritores, cientistas – profissionais da mente e do sistema, independentemente da área em que atuam ou de suas etnias, vêm alegando que a personalidade de cada indivíduo está carregada de impressões dos pais, mais precisamente da mãe.

Mãe – a deusa da Terra, a palavra chave desta história, na verdade, da nossa vida. Deveras que toda mãe fosse constantemente um oceano de virtudes, símbolo da bondade, benevolência e tolerância… mas… você é assim? Sua mãe foi assim? Há alguém em sua vida criteriosamente assim? A verdade é que as mães são humanas, algumas engravidaram muito jovem e tiveram que abdicar da própria carreira, uma renúncia em meio à guerra da existência em prol da educação das crianças – você já se colocou nesta posição, já tentou compreender este conflito? Outras dividiram a profissão com a criação dos filhos, um marido alcoólatra com a casa, um pai ausente com uma mesa farta, uma doação em um orfanato pela medicação do filho, uma vida solitária, mas regada de netos. Há inúmeros tipos de mães, porque existem inúmeros aspectos da realidade e nós seres humanos, acostumados ao egocentrismo de nossos caprichos, precisamos compreendê-las – elas fizeram o melhor que podiam!

O Dia das Mães passou e enquanto metade da população festejava, outra metade chorava em silêncio: “minha mãe me ofendeu”, “minha mãe não me entende”, “minha mãe não me aceita”, “minha mãe não me escuta”… Mãe, mães, mãe…. Elas ainda fazem o melhor que podem! Renato Russo, um dos meus cantores favoritos, alertou: “Você culpa seus pais por tudo e isso é um absurdo. São crianças como você, o que você vai ser quando você crescer? ”

Sim, o dia das mães passou e somente você sabe o que sentia sobre uma das palavras mais poderosas de qualquer idioma. Seja como for, o ciclo se repete e uma sabedoria se faz necessária: perdoe! Faça as pazes! Nem todos terão esta oportunidade, mas se você acha que a sua mãe merece, interrompa tudo o que estiver fazendo e relembre-a disso: “o dia das mães passou, mas eu amo você. Obrigada pela vida, obrigada por tudo”.

Toda mulher foi uma grande menina. Toda mãe foi uma mulher guerreira. Então, não importa que dia é hoje, o impacto continua valioso: “mãe, eu amo você. Mãe, você é uma grande mulher”. Antecipado, atrasado, atualizado – simplesmente perpétuo: Feliz dia das mães!

 

(Lorene Patigra, escritora, palestrante, coach life e educadora, coordenadora do Projeto Incentivo à Leitura no Estado de Goiás-ILEG, diretora do Plano de Divulgação e Marketing-PDM, membro da Associação Internacional de Artistas e Escritores e da Academia de Letras e Artes de Fortaleza, associada à União Brasileira dos Escritores, contemplada com a Premiação Cláudio de Sousa na Categoria Melhor Livro Motivacional-2012, agraciada com o Troféu Cecília Meireles – Mulheres Notáveis 2015. E-mail: [email protected] Site: www.lorenepatigra.com)

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